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A verdade do vinho no Brasil

26 de agosto de 2013

Pequenas Vinícolas Agonizam

por Luís Henrique Zanini

(produtor de vinhos no RS)

 

O dado é estarrecedor. Mais de duas centenas de vinícolas fecharam nos últimos três anos apenas no estado do Rio Grande do Sul. A Serra Gaúcha é a que mais sofre com estas baixas. As vinícolas familiares vão fechando uma a uma. Porões que antes armazenavam vinhos agora servem de garagem para tratores. Áreas destinadas ao cultivo da uva estão virando pomares de ameixa e pêssego, culturas mais promissoras. É o prenúncio do fim da vitivinicultura familiar? E o pior, não se vê qualquer reação por parte do governo nem por parte das entidades que deveriam lutar pelos interesses da vitivinicultura: todos assistem a quebradeira generalizada fingindo que nada está acontecendo. Ou pior, sabem o que está acontecendo mas em nome de interesses de grandes companhias, fingem que se trata da seleção natural do darwinismo econômico.

 

Será o fim da cultura da vitis que tanto enobreceu os nossos antepassados? Por que o Simples não pode ser adotado pelas pequenas vinícolas? Por que é tão difícil reduzir a carga tributária do vinho? Por que somos reféns da boa ou da má vontade dos políticos? Por que o empenho para a adoção do Selo Fiscal foi tão intensa e mobilizou até o Ministro da Fazenda, enquanto o empenho pelo Simples se reduziu a debates dentro das entidades e conteúdo de promessas eleitoreiras?

Os vitivinicultores brasileiros não deveriam tomar as ruas? Por que não parte do Ibravin a iniciativa de protestar em favor da vitivinicultura familiar? Por uma única razão: vendendo vinho ou não, encolhendo mercado ou não, desperdiçando dinheiro em promoções fracassadas ou não, todos os que lá trabalham podem dormir tranqüilos. E aposto que muito deles nem conhecem uma tesoura de poda e tratam o vinho como um produto de consumo qualquer como sabonete ou massa de tomate. Não entendem que o vinho é um produto cultural, reflexo das especificidades de cada terreno, de cada mão que o elabora.

As regras do marketing tradicional provam-se inócuas quando aplicadas ao consumo de vinho. A prova está no encolhimento da participação dos produtos brasileiros no mercado total de vinhos a despeito dos milhões investidos em divulgação no carnaval. Queremos um sistema tributário justo. Não queremos anuários, nem publicidade cara para cooptar (de)formadores de opinião. Não queremos investimentos em projetos megalomaníacos.

A nossa Copa do Mundo é outra. Não queremos NR, IN, nem qualquer outra normativa. Não queremos Selo Fiscal adotado a revelia da opinião da maioria dos produtores. O Selo Fiscal foi declarado como o meio perfeito para coibir o contrabando. Por ironia do destino somente as vinícolas brasileiras o utilizam hoje. Liminares concedidas a inúmeras importadoras isentam a obrigatoriedade do selo nos vinhos importados. Então pra que tanto alarde em torno deste instrumento que de antemão já denunciávamos como burro e ineficaz? Não existe nada que diferencie um vinho contrabandeado de um importado legalmente. Neste caso por que não revogam essa lei inconsequente que já nasceu morta?

 

Não queremos qualquer medida que burocratize o vinho. Queremos baixa de impostos, URGENTE. Queremos que cada real gasto em marketing corresponda a um ganho de fatia de mercado e não o contrário. Desejamos que todos os produtores de todos os tamanhos recebam apoio do Ibravin indiscriminadamente e que possam participar das feiras e de seus projetos de maneira digna. E espero acima de tudo que no próximo ano ainda existam pequenas vinícolas no Brasil para continuar a contar a história.

A primeira D.O. do Brasil / Brazil’s first D.O.

7 de outubro de 2011

Abaixo reproduzo o texto oficial para a DO Vale dos Vinhedos. Abaixo o mapa da região, com a D O em cor rosa. Depois, o mapa da região demarcada.

Here is the official text for Brasil’s first D.O. Vale dos Vinhedos. Here is the map of the location and then you have the region map, zoomed in.


Produção vitícola:

– As uvas deverão ser totalmente produzidas na região delimitada pela I.G. e conduzidas em espaldeira.

– A irrigação e o cultivo protegido não são autorizados. A colheita é feita manualmente.

Viticulture

– Grapes have to be produced within the limited area. 

– Irrigation and protected cultivation are not authorized. Hand harvesting only.

Cultivares autorizadas:

– Tintas: Merlot, como cultivar emblemática e Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat como variedades complementares.

– Brancas: Chardonnay como cultivar principal e Riesling Itálico como variedade complementar.

– Para espumantes (brancos e rosados): Chardonnay e/ou Pinot Noir como variedades principais e Riesling Itálico como variedade auxiliar.

Grapes

– Red: Merlot as the main one. Cabernet Sauvignon and Franc, Tannat as complementary.

– White: Chardonnay as the main grape. Riesling Itálico is the complementary.

Limites de produtividade:

– Para uvas tintas: 10 toneladas/ha ou 2,5 kg de uva por planta.

– Para uvas brancas: 10 toneladas/ha ou 3 kg de uva por planta.

– Para uvas a serem utilizadas na elaboração de espumantes: 12 toneladas/ha ou 4 kg de uva por planta.

 Productivity

– Reds: 10 tons/ hectare or 2,5 kg per plant

– Whites: 10 ton/hectare or 3 kg per plant

Produtos autorizados:

Vinhos tintos

– Varietal Merlot: Mínimo de 85% da variedade.

– Assemblage Tinto: Mínimo de 60% de Merlot, podendo ser complementado pelas demais variedades autorizadas (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat).

– A comercialização somente poderá ser realizada após um período de 12 meses de envelhecimento.

Vinhos Brancos

– Varietal Chardonnay: Mínimo de 85% da variedade.

– Assemblage Branco: Mínimo de 60% de Chardonnay, podendo ser complementado por Riesling Itálico.

– A comercialização somente poderá ser realizada após um período de seis meses de envelhecimento.

Espumantes

– Base Espumante: Mínimo de 60% de Chardonnay e/ou Pinot Noir, podendo ser complementado por Riesling Itálico.

– Elaboração somente pelo Método Tradicional (champenoise).

– O processo de tomada de espuma deverá durar no mínimo nove meses.

No rótulo deve constar os termos” brut” ( até 15 g/l açúcar) ; extra-brut (até 5 g/l ) e os nature (zero g/l açúcar)

 Authorized Wine styles

RED

Merlot: has to have at least 85% of this variety

Blend: has to have minimum 60% Merlot and the rest can be complementary varieties.

The wine can only be marketed after 12 months of ageing in cellar.

WHITE

Chardonnay: minimum 85% of the variety

Blend: minimum 60% Chardonnay. The rest can be the complementary variety.

The wine can only be marketed after 6 months of ageing in cellar.

SPARKLING

Base wines have to be at least 60% Chardonnay and/or Pinot noir. Riesling Itálico is authorized as a complementary variety.

– Traditional Method (second fermentation in bottle).

– The process of “prise de mousse” should last at least 9 months

– On the label it must have the classification of nature (no sugar), extra-brut (until 5g/l sugar) and brut (until 15g/l sugar).

Outras normas:

– A chaptalização e a concentração dos mostos não serão permitidas. Em anos excepcionais o Conselho Regulador da Aprovale poderá permitir o enriquecimento em até um grau.

– Poderá haver a passagem dos vinhos por barris de carvalho, não sendo autorizados “chips”e lascas ou pedaços de madeira.

Other norms

– Chaptalization and must concentration are not allowed. When needed, regulatory council can allow must sugar enrichment.

– The use of oak barrels is allowed. Oak Chips or other forms are not permitted.

Processo de rastreabilidade:

A Aprovale possui um Conselho Regulador responsável pelo regulamento de uso da Indicação Geográfica do Vale dos Vinhedos. Cabe a este conselho fazer o controle e fiscalização dos padrões exigidos pela normativa da atual I.P. e da futura D.O. O Conselho Regulador mantém cadastro atualizado das vinícolas solicitantes da certificação e utiliza informações do Cadastro Vitícola do Ministério da Agricultura, coordenado pela Embrapa Uva e Vinho, para determinar a origem da matéria-prima.

Para controle da certificação são utilizadas as declarações de colheita de uva e de produtos elaborados, a partir das quais retira as amostras para análises físico-químicas, organolépticas e testemunhais. Estas amostras são lacradas e codificadas. Essa sistemática permite a rastreabilidade dos produtos.

Traceability process

There is a regulatory council responsible for the regulation of use of geographical indication. They control and supervision standards established by the Geographical Indication, future D.O. This council maintains an updated record of the wineries requesting certification information and uses the register of the Ministry of Agriculture, coordinated by Embrapa Grapes and Wine, to determine the source of raw material.

To control the certification, statements  of grapes harvest and wines produced  are usedFrom this material, samples are taken for physico-chemical, organoleptic and testimonials. These samples are sealed and coded. This system enables product traceability.

Padrões de identidade:

Os produtos somente recebem o certificado após comprovada a origem da matéria-prima. 100% da uva deve ser procedente da área demarcada. Os vinhos também precisam ser aprovados nas análises físico-químicas e na avaliação sensorial (degustação às cegas), realizada pelo Comitê de Degustação, composto por técnicos da Embrapa, associados da Aprovale e da Associação Brasileira de Enologia.

Identitiy Standards

The products only receive the certificate  after proofing the origin of the material. 100% of the grapes must come from the limited area. The wines must also be approved in the physical-chemical analysis and sensory evaluation (blind tasting) conducted by the Tasting Committee, composed of technicians from Embrapa, Aprovale and members of the Brazilian Association of Oenology.

Excellence lança Rosé

24 de novembro de 2010

Hoje, no almoço, a Chandon Brasil lançou o Excellence Rosé. A Excellence, como o nome diz, é um ícone do espumante brasileiro. Sem sombra de dúvida o trabalho sério e rédea curta de Philippe Mével ficam impressos no vinho que beira a perfeição. Seguindo a mentalidade séria e de busca de um vinho com altíssimo nível Philippe construiu o conceito de Excellence. Primeiro, as uvas, para serem colhidas precisam estar em um nível de maturação perfeita.

Logo, a seleção de vinhos base é muito rigorosa, tanto o que veio da safra mais recente como os  de reservas de outras. Eles são avaliados por um grupo de degustadores que devem concordar sobre o altíssimo nível de todas as amostras, sem concessões (“se algum dos degustadores dos vinhos base tiver uma mínima dúvida sobre algum dos vinhos-base que estão sendo degustados, ele é imediatamente descartado do corte final do vinho”).

O tempo de contato com as leveduras duplicou desde a criação de Excellence até hoje – antes era de 6 meses, hoje é de um ano. E o vinho, depois de ter abosrvido toda a informação aromática do contato com as leveduras, assim como estrutura em boca, fica mais 12 meses em garrafa antes de sair ao mercado.

Todos estes conceitos de busca de excelência foram aplicados ao Rosé. Ele é composto de Pinot noir e Chardonnay. Uma parte do Pinot noir é vinificada em tinto e o escolhido foi o da safra 2008. O restante é Pinot noir vinficada em branco e Chardonnay de 2002 e 2005.Eles começaram com 15 lotes, provaram as mais diversas variações e, no vinho final, entram de 5 a 6 lotes de base.

Antes que vocês me perguntem, o método de produção é Charmat. E, antes que vocês se perguntem: porque charmat e não método tradicional, respondo com palavras do professor Mevel “porque aqui não importa tanto o método e sim a qualidade das uvas que colhemos no vinhedo”.

Resultado: aroma bem fechado e maduro. Abre com umas notinhas tostadas, lembram carne e uma trufinha. Demora, mas mostra fruta, principalmente se servido em uma taça um pouco maior que a flute. Na boca é absurdamente cremoso, fresco, com muita estrutura, final amarguinho lembrando caramelo. Ficou fenomenal com uma salada de figos frescos, queijo St. Agur e macadâmias do Duí, onde rolou o almoço.

Não é um vinho leve e fresco. É um vinho denso que exige a presença de comidas saborosas, cremosas e densar. Não hesite em prová-lo com o melhor das carnes natalinas, cheias de molhos doces e saborosos.

A previsão de preço é de R$ 100,00

18a Avaliação Nacional de Vinhos – safra 2010

25 de setembro de 2010

Como comentei com vocês, tive a oportunidade de fazer parte do juri composto por 16 degustadores e 16 amostras do que é considerado mais significativo da safra 2010. É importante frizar que não é um campeonato, nem se tratam de ganhadores, mas sim, vinhos representativos do ano vinícola. As categorias eram vinhos base para espumante, brancos não aromáticos, brancos aromáticos e tintos. Eram 16 amostras e os 16 jurados avaliariamos todos os vinhos, mas cada um de nós deveria comentar uma das amostras. Todos os vinhos, segundo a organização, ainda estão em tanque, portanto é uma avaliação de vinhos que ainda não estão no mercado, principalmente os vinhos-base que ainda passarão pelo processo de tomada de espuma. Eu tive a árdua tarefa de comentar justamente um destes.

Em geral, pela a dificuldade da safra, os vinhos estavam bem, com algumas novidades em termos de uvas e vinícolas menores. Também, em geral, achei que faltou frescor, mas os vinhos ainda estão nervosos pela pouca idade. Normal. Portanto, não leiam minha degustação como algo definitivo e sim como de seres vivos ainda em estado “fetal” que precisam crescer e se desenvolver com o tempo.

 

750 pessoas vieram para a avaliação. Fenomenal.

 

Categoria: Vinho Base para Espumante

1. VINHO BASE ESPUMANTE (Chardonnay):Domno do Brasil.

Foi o vinho que comentei. Nariz perfumado e limpo, com boa matéria prima. Na boca, boa cremosidade e estrutura média. Faltou extrato no meio de boca, um pouco diluído e sobrando álcool. Minha nota, apesar de baixa, reconhecia a qualidade e nitidez do vinho em nariz e boca, mas os pontos foram poucos pela falta de persistência, intensidade e acidez em boca.

Fui abordada pela moça que recolhia as notas que me perguntou “não quer dar uma nota mais alta? é que o pessoal está dando mais pontos que você “.   Bom, não creio era uma questão de querer. Era uma questão de preencher a ficha de avaliação dada por eles e somar os pontos. Também fui abordada pelo sr. João Valduga que, indignado, disse que massacrei os vinhos com minha nota. Que deveria aumentá-la pois nossa viagem é paga por eles. O que talvez ele não tenha entendido, é que eu não vou dar notas alta só porque me pagam a viagem.  Se me convidaram, eu imagino, era porque queriam saber minha opinião real e não porque queriam que fosse “puxa-saco” (por falta de expressão melhor) dos vinhos. Aquela foi minha análise daquele vinho naquele momento e sinto muito se a safra foi difícil. Não fui eu que fiz chover a mais. Confesso que fiquei assustada com a agressividade do sr. João Valduga, que suava, estava vermelho e tremia enquanto me falava dirigia a palavra com raiva.  Como expliquei para ele, tenho estado atenta para as melhorias do vinho brasileiro, tenho dado meu apoio e, diga-se de passagem, indiquei um vinho dele para minha última coluna da revista Contigo! Não foi suficiente. O homem estava fora de si e perdeu qualquer resquício de elegância em sua abordagem.

De todas as maneiras, mais tarde conversei com Philippe Mevel, enólogo da Chandon Brasil (e referência no tema) que me disse concordar em 100% com meus comentários, assim como Roberta Boscato, enóloga (também referência) em vinhos de qualidade do Rio Grande do Sul. Fiquei aliviada por ter gente com gabarito tão confiável concordando com minha humilde avaliação em uma categoria tão difícil.

2. VINHO BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir):Vinhos Salton: Nariz maduro e limpo, com notas tropicais. Na boca é intenso, cremoso, tem estrutura e boa acidez. Temos que esperar pela segunda fermentação.

Categoria: Branco Fino Seco Não Aromático

3. CHENIN BLANC: Vinícola Ouro Verde. Nariz floral, rico, com um toque de umidade, mas fino, no geral. Na boca, faltava acidez e sobrava um pouco de álcool, além de um finalzinho amargo.

4. CHENIN BLANC:Vitivinícola Santa Maria: Nariz maduro, com toque tostado e uma nota floral que me lembrava margaridas brancas. Na boca era fresco e cremoso.

5. CHARDONNAY:Coocenal Cooperativa Central Nova Aliança: Nariz limpo, com nota de damasco e amendoim. Na boca, um pouco gordo demais, meio adocicado, faltou frescor.

6. CHARDONNAY:Vinícola Góes e Venturini: mais fresco, também limpo no aroma, com notas tropicais de abacaxi. Na boca é cremoso, limpo, com bom frescor e ótimo acabamento.

Categoria: Branco Fino Seco Aromático

7. MOSCATO GIALLO:Casa Geraldo: Perfumado, bem floral. Na boca é fresco. Tem um finalzinho com toque amargo e um pouco curto.

8. MOSCATO R2:Vinícola Perini. O comentarista deste vinho disse coisas muito interessante. Sr. Luis Vicente Elias Pastor é do dpto de Documentação e Patrimonio cultural e trabalha na Viña Tondonia, na Rioja. Ele disse que sentia falta de sentir nos vinhos brasileiros o clima da região. Ele disse que se o clima é umido e chuvoso, deveríamos ser capazes de sentir esse aspecto “atlântico” nos vinhos. Nunca tinha pensado nisso, mas concordei na hora. Há tantos vinhedos no mundo com essas características, que produzem vinhos com esse lado fresco dos climas umidos. Por que nós não nos inspiramos neles? A propósito, este vinho tinha isso. É um moscato delicado, com flor branca e fruta fresca. Na boca, tem cremosidade, mas é fresco, seco e delicado.

Categoria: Rosé Seco

9. ROSÉ (Cabernet Sauvignon):Vinícola Almadén: notas de groselha no nariz, com um toque lácteo. Na boca é fresco, com uma certa doçura e um finalzinho amargo que o torna um desequilibrado.

Categoria: Tinto Fino Seco Jovem

10. PINOT NOIR:Rasip Agropastoril: Não conhecia esta vinícola. Vinho super denso na cor, para um Pinot. Nariz exuberante e frutado. Na boca é denso, meio alcoólico, com taninos finos, mas pouco extrato e curto no final.

Categoria: Tinto Fino Seco

11. CABERNET FRANC: Cia Piagentini de Bebidas e Alimento: Nariz um pouco reduzido e fechado. Na boca, porém, tinha frescor, taninos ainda duros,mas finos que se fundiam com o álcool no final. Ficar de olho!

12. CABERNET FRANC: Estabelecimento Vinícola Valmarino: Nariz alcoólico, com um toque de madeira e fruta. Na boca, fresco, taninos finos, mas um pouco grudentos, sobrando álcool no final.

13. MARSELAN: Vinícola Dom Cândido: os brasileiros têm produzido bastante coisas interessantes com uvas desconhecidas. A marselan é um cruzamento de Cab. Sauvignon com Grenache criada nos anos 60  no sul da França. Nariz bonito, com flores e frutas. Na boca é equilibrado, com taninos fininhos, apesar de ser bem seco no final. Vou ficar de olho nele.

14. MERLOT: Seival Estate: Nariz um pouco fechado, não dava para sentir muito a fruta. Na boca é fresco, com taninos fininhos e adocicados, final alcoólico. Bastante potencial, principalmente quando esse nariz se abrir.

15. CABERNET SAUVIGNON: Vinícola Santo Emílio. Nariz interessante, com tabaco, notas de madeira e florais. Boca bem estruturada, meio durona, mas com equilibirio, apesar de muito jovem ainda.

16. CABERNET SAUVIGNON:Vinícola Almaúnica: nariz também floral, com ótima fruta e concentração. Na boca, tem muita estrutura, ainda está jovem, com muito álcool e taninos. Bom para ficar de olho também.

Espumante brasileiro: passado, presente e futuro. Por Eduardo Angheben.

19 de setembro de 2010

Por Eduardo Angheben

Eduardo Angheben é um jovem enólogo com uma experiência incrível.  Além de ser formado em viticultura e enologia e ser proprietário da Angheben, uma das vinícolas pequenas mais interessantes e efervescentes do país, ele já participou de estágios, concursos e  congressos no Chile, em Portugal, na Espanha e na França. E, não dá para não citar, ele é filho de um dos maiores viticultores do país, professor Idalêncio Angheben, professor de viticultura do CEFET por 35 anos, viticultor desde 1967 (!!!)  e também responsável pela vinícola.  Os dois dão aula na minha formação profissional e eu tenho profundo respeito pelos dois.

Pedi umas informações para o Eduardo sobre o espumante brasileiro e ele me escreveu o que eu considero um documento importante do momento atual do espumante da serra gaúcha. Esclarece muitas coisas sobre como se desenvolveu, o que é e o que será deste produto.  É técnico, é profundo, é longo e é importante.  Só para quem gosta de levar o tema a sério.

Primeiramente devemos levar em consideração que o Brasil é um país de dimensões continentais. Comparando a extensão territorial da França podemos dizer que ela é um pouco maior do que o Estado do Rio Grande do Sul. Dessa forma, falar de um único “Espumante Brasileiro” é um pouco complicado. Se considerarmos o RS e mais especificamente a Serra Gaúcha, ai sim, se pode abordar o tema de um produto com características típicas.

A história do espumante da Serra Gaúcha começa no início do século passado por volta de 1913. Pode-se afirmar que são quase 100 anos de experiência. A partir da década de 1920 que foram produzidos espumantes tipo “champanha” em escala e é deste produto que vamos tratar. Outros produtos como os moscatéis espumantes e os espumantes a base da uva prosseco vamos deixar para outra ocasião.

Segundo a atual Legislação do Ministério da Agricultura (MAPA) do Brasil, o Artigo 11 da Lei 7678/88 (Lei do Vinho) menciona o seguinte:

Art 11. Champanha (“Champagne”) é o vinho espumante, cujo anidrido carbônico seja resultante, unicamente, de uma segunda fermentação alcoólica do vinho, em garrafa ou em grande recipiente, com graduação alcoólica de  10 a 13° GL (dez a treze graus Gay Lussac), com pressão mínima de 3 (três) atmosferas.

Em 1942 foram exportados para os Estados Unidos os primeiros espumantes aqui produzidos. Na década de 1950 novas empresas estrangeiras se instalaram na Serra, principalmente no município de Garibaldi tendo como objetivo a produção de espumantes.

Contudo, foi a na década de 1970 que a produção brasileira de espumantes se firmou definitivamente. As multinacionais que aqui se instalaram, com grande destaque para a antiga Provifin (atual Chandon do Brasil), foram as responsáveis pela confirmação do potencial da região para a elaboração de espumantes. Elas trouxeram as mudas certificadas e introduziram cultivares mais apropriadas. Foram elas que difundiram por aqui o cultivo da Riesling Itálico, da Chardonnay e da Pinot Noir, baseando-se nas características de solo e clima da região. Além disso testaram inúmeras outras cepas, as quais não apresentaram aptidão ou adaptação satisfatória ao clima local.

A Serra Gaúcha possui um macroclima de temperaturas amenas, considerado como Temperado. Especificamente o clima da Serra Gáucha em particular a da Região de Bento Gonçalves e Garibaldi, que são os maiores produtores de espumante no Brasil, tem uma vocação natural quando se pensa em produção de espumantes de alta qualidade.

Para tal podemos considerar as temperaturas amenas, umidade adequada, inclusive na forma de chuvas, e a ótima insolação para a videira no sul do Brasil como pontos favoráveis. As uvas mais utilizadas, na Serra Gaúcha, para este fim (Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico) são consideradas indicadas para este tipo de clima, segundo estudos de especialistas, em especial para utilização para espumantes.

É bom mencionar que o que se busca, em termos de qualidade de uva para elaboração de vinho espumante natural, não é o mesmo que se deseja para outros tipos de vinho.

Cada tipo de vinho exige condições especificas de produção de uvas que darão seu caráter de qualidade e tipicidade.

Assim, no caso do Espumante da Serra Gaucha, considerando uvas produzidas em sistema de condução em espaldeira simples, com produção não superior a 3,0 kg/planta (para vinho a média é bem menor) se consegue o amadurecimento satisfatório da uva, em especial a maturação da polpa, que é o que interessa nesse caso. Nessas condições ocorre uma formação ideal da graduação alcoólica para o vinho base, que deve estar em torno de 10% a 10,5% em vol. Graduações superiores para o vinho base não são desejadas em função do aumento da graduação alcoólica (cerca de 1,5% – 2,0% em vol), que ocorrerá na tomada de espuma, e como conseqüência disso, uma mudança no equilíbrio organoléptico do espumante. Outra característica marcante desse clima, de temperaturas “brandas”, é o teor de acidez que permanece relativamente alto no momento da colheita da uva (para espumante), sendo assim, responsável pela sensação de frescor do produto.

Existe uma relação entre os fatores de graduação de açúcar e a acidez que é chamada de Relação Açúcar/Acidez. Esta é um tipo de relação para se medir o grau de maturação da uva.  Todavia, o aumento de açúcares nem sempre corresponde à mesma diminuição da acidez, pois são fenômenos independentes. A concentração de açúcar está relacionada à intensidade e duração da luz solar. Já o teor de acidez total (principalmente o ácido tartárico) está relacionado com a temperatura, sendo maior quanto mais frio fizer no período da maturação. O ácido málico, também depende da temperatura no período de maturação, entrando em combustão quando as temperaturas são altas. A chuva também contribui para o teor de acidez total. A média de 140mm mensais de dezembro a fevereiro é considerada bastante satisfatória para a produção de uvas para espumante na Serra Gaucha.

É importante destacar que em regiões não favoráveis naturalmente para a elaboração de espumantes, tenta-se chegar a um equilíbrio colhendo a uva em um estágio de maturação em que se encontra ainda “verde” (não madura), porém é muito difícil conciliar o grau alcoólico ideal com a acidez ideal, quando o clima não é apropriado para este fim. Outro efeito de colher uvas sem o ponto de maturação ideal é o amargor do vinho resultante.

Os solos da região de Bento Gonçalves e Garibaldi são medianamente profundos, moderadamente drenados a drenados em alguns pontos, com cores Bruno escuras a Bruno avermelhadas, textura franca as franco argilosa no horizonte A e argilosa no B, desenvolvidos a partir de rochas eruptivas básicas (basaltos). Ocorrem em relevos ondulados a fortemente ondulados, com declives médios em torno de 15%. Situam-se em altitudes que variam de 500 a 900 mm. A vegetação natural predominante é de mata subtropical mista com araucárias, já bastante modificadas pelo uso agrícola intenso. A fertilidade do solo é de baixa a moderada, e este se apresenta ácido e pobre em nutrientes disponíveis. O teor de matéria orgânica da maior parte dos vinhedos nesta região está em média de 3,0% – 3,5 %. O pH do solo é bastante variável, mas em média estão em torno de 4,5 – 5,0. A erosão é de moderada a forte. Não há falta de água devido à boa capacidade de retenção de umidade. Quanto à mecanização, estes solos apresentam, em sua maioria, limitações moderadas a fortes devido ao relevo permitir somente a utilização de implementos considerados leves. Devido a sua fertilidade esses solos necessitam adubações e calagens maciças. Seu maior potencial é para o cultivo de culturas perenes principalmente fruticultura (desde que feitas às correções de solo necessárias), reflorestamento e criações de animais de porte médio (ex:caprinos).

Baseado nessas informações pode-se afirmar com segurança que do ponto de vista técnico há pontos fortes no que diz respeito a elaboração de espumantes na Serra Gáucha:

Os pilares que sustentam tal vocação são primeiramente de ordem técnica:

  • Fatores edafo-climáticos (solo e clima) propícios;
  • Escolha de  porta-enxertos e cultivares bem adaptadas;
  • Práticas de manejo dos vinhedos adequadas;
  • Técnicas e tecnologias enológicas apropriadas que permitam exprimir o potencial qualitativo e a tipicidade da região.

Cabe ressaltar que o Espumante produzido na Serra Gaúcha é diferente e nem tenta imitar o estilo do Champagne. Nem do Cava. Podemos afirmar que aqui se produz um produto típico nosso. Nossos espumantes são mais frescos, leves e frutados, principalmente quando elaborados pelo método Charmat. Pelo método Tradicional ou Champenoise temos ótimos produtos em termos de qualidade, todavia, ainda há ainda maiores variações qualitativas mostrando que temos sim potencial e que também temos bastante espaço para evoluir.

Enfim, podemos afirmar que o Brasil já tem um produto vitivinícola emblemático: O Espumante da Serra Gaúcha. Há clima e solo adequados. Existe matéria-prima que está adaptada para este objetivo. E por último há conhecimento e tecnologia para tal. Falta saber se o Espumante da Serra Gaúcha é competitivo e se há reconhecimento disso. Pode-se dizer que o Espumante Brasileiro é competitivo, pois apresenta preços que parecem justos aos olhos do consumidor quando comparado com concorrentes franceses Champagnes (referência mundial) e espanhóis (Cava). Estes  apresentam valores de mercado muito elevados considerando um nível de qualidade semelhante aos brasileiros.

Em termos de qualidade, há consenso que os espumantes brasileiros são muito superiores aos demais espumantes sul-americanos.

Um fator a ser considerado que vem contribuindo para a boa imagem do Espumante nacional é  o fato do clima tropical da maior parte do país ser convidativo para o consumo de uma bebida “fácil de beber”, versátil e até  certo ponto refrescante.

Além disso, é  notório que o consumidor brasileiro ainda está aprendendo a tomar vinho. Todavia, alguns hábitos e estilo de vida são próprios de cada povo e se percebe que o brasileiro é mais descontraído, mas festivo e até certo ponto de vista, menos formal. Estes aspectos “casam”  com o tipo de espumante produzido no Brasil.

Portanto, se o produto tem qualidade, preço justo, um número limitado de concorrentes e combina com o clima e estilo de vida do brasileiro pode-se concluir que temos no Brasil um produto vitivinícola com grande potencial. Cabe ao setor criar estratégias sustentáveis para que essa imagem positiva continue em ascenção. Assim, ganham todos: produtores, revendedores e, sobretudo, o consumidor.

CONHEÇA A VINÍCOLA: http://www.angheben.com.br/

Feijoada harmoniza com vinho ….

13 de setembro de 2010

BRANCO! Sim, incrível! Na nossa aula de hoje na Formação profissional, ministrada, diga-se de passagem, com a maestria e bom humor habituais da professora Carina Cooper, estudamos os vinhos do Brasil. E, não só de Vale dos Vinhedos ou Serra Gaúcha vive nosso vinho. Vemos, cada dia mais, outras regiões crescendo e aparecendo. Destaque para Serra do Sudeste e Campanha Gaúcha, algumas coisas de interesse começando a mostrar a cara no Vale do Rio São Francisco, mas, hoje, o destaque para harmonizar com a feijoada veio do Paraná. E é um branco.

o vinho e a feijoada

A Dezem me surpreendeu pela primeira vez com seu Chardonnay no ano passado. Um resultado interessantíssimo (e difícil de conseguir) de um chardonnay fermentado no carvalho, com metade dele mantido sobre as lias (leveduras mortasa) durante 12 meses. O que mais impressiona é que a madeira em momento algum se sobressai à fruta. Sim, a primeira nota é de manteiga e croissant, mas logo um pêssego fresco aparece, equilibrando o nariz. A boca é parte mais interessante. É cremoso, com ótima acidez, um toque salgado impressionante e um frescor aliado a um extrato rico, sem nada daquela doçura às vezes enjoativa do excesso de carvalho. E um toque de pêssego fresco também, meio verdinho, mas frutado.

A feijoada foi feita classicona pela Agna que é baiana e domina o prato. O feijão preto tem textura sequinha, o caldo do feijão estava saboroso (ela começou a cozinhar as carnes na sexta), as carnes estavam gelatinosas e gordurosas, cheias de sabor, como tem que ser. Pois bem: o vinho se manteve à altura, manteve seu sabor, deu suporte para os sabores da feijoada, refrescando o paladar, dando vontade de mais. Vale muito conhecer o trabalho da Dezem que vem surpreendendo pela consistência e seriedade no trabalho. Eu vi o vinho na Adega Brasil por R$ 31,00, preço justérrimo.

A Alma de uma Vinha

5 de maio de 2010

Para entender um vinho, é necessário entender e conhecer a vinha e a viticultura de um local. Principalmente quando se trata de um vinho chamado Anima Vitis, que justamente significa, a alma da vinha. Não só significa isso, como transmite, pela sua qualidade, o respeito e o amor que a família Boscato, representada pelo Sr. Clóvis e sua filha Roberta, tem pela vinha. Depois de degustar o vinho e pensando um pouco na abordagem forte viticultural dos Boscato em relação a seus vinhos, pedi uma entrevista focada nesses aspectos viticulturais do que é hoje, segundo minha opinião, o melhor vinho brasileiro. Roberta Boscato, senhoras e senhores:

AC: Quando foi fundada a vinícola? Em 1983.

AC: Quantos hectares plantados em vinhas? São 13 hectares divididos em duas áreas de vinhedos. Vinhedo I, na encosta superior do Vale do Rio das Antas, com 5 hectares plantados e Vinhedo II no platô do Vale de 8 ha plantados.
AC:Que idade tem as vinhas?  Atualmente as mais velhas têm 15 anos as mais novas têm 6 anos, todas em produção.

AC: Estão todas em espaldeiras? Sim. Todas em espaldeiras, mas em densidades diferentes, conforme os diferentes áreas, tipos de solo e ano de plantio das videiras.

AC:Sobre que tipos de solos estão seus vinhedos? São solos Litólicos Eutróficos e Litólicos Distróficos, que variam na sua constituição, conforme a profundidade e declividade. São rasos e de origem basáltica, cujo o relevo varia de platôs a patamares de vertentes nas encostas do Vale. Há presença e variação de micronutrientes (magnésio, cálcio, manganês, boro, ferro, sódio, enxofre, etc..), são pedregosos, que variam de muito de profundidade numa média de 15 a 60 cm. A primeira camada de solo, de 5 a 10 cm é de origem orgânica formada pela decomposição da vegetação presente. Em muitos casos há afloramento de rochas.

AC:Que densidade de plantação vocês praticam e quanto produzem em média por vinha?

As densidades variam entre 7000 e 4000 plantas por hectare e a produção média por videira varia de 800g a 3 kg. Do Anima Vitis, em 2005 variou de 800g a 2 Kg.

AC: Estive em seus vinhedos há 2 anos mais e vocês nos mostraram seu sistema de irrigação, explicando que, ao contrário do resto da região, o lugar onde vocês estão é bastante seco.  Descreva um pouco o clima ao longo do ano. O clima é subtropical úmido, como todo o Rio Grande do Sul. O que varia muito são as condições climáticas do microclima dos vinhedos da Boscato. O microclima é basante diferenciado do resto do Estado e da Região, por ter invernos rigorosos, e verões muito quentes. Nossos vinhedos estão em uma localização privilegiada, a altitude e a exposição solar dos vinhedos propiciam condição maior de luminosidade e calor no verão. Aliado a isso a média de precipitação no período de primavera-verão é inferior a média da região, os solos rasos secam com mais facilidade, necessitando de irrigação em determinadas épocas do ano como no período de florescimento, entre outubro e novembro e no final safra, em março. Estamos em constante monitoramento do microclima, pois temos estação meteorológica própria. O sistema de irrigação é automático, sendo diferenciado para cada área conforme o tipo de solo e a necessidade das plantas em cada período. É importante salientar que o maior volume de precipitação no Estado do RS o corre no inverno e que essas variações de chuva durante o verão são freqüentes, sendo comum os períodos de estiagem, principalmente quando ocorre o fenômeno natural La Nina. O que varia em cada município ou microclima no nosso caso, pois Nova Pádua tem diferentes microclimas devido à condição de Vale, é a intensidade dessa estiagem, que em nossos vinhedos é severa, colocando em risco não apenas a uva, mas videiras, que quase foram perdidas em 2002.

AC:Exatamente onde ficam os vinhedos (localização, altitude)? Na encosta superior e platô do Vale do Rio das Antas, no município de Nova Pádua, Serra Gaúcha-RS.
AC:  Vamos falar do Anima Vitis. Quais são as variedades utilizadas e que idades têm as vinhas para o vinho. O Anima Vitis é  composto por 5 cultivares: Cabernet Sauvignon, Merlot, Ancellotta, Alicante Bouschet e Refosco. Em 2005, que é a safra do Anima Vitis o Cabernet Sauvignon tinha 9 anos, o Merlot 05 anos e o Ancellotta, Alicante Bouchet e Refosco 04 anos. O nome Anima Vitis significa alma da videira, já que esse vinho é o reflexo de todo o conjunto do terroir do vinhedo (solo-clima-videira) e do manejo do homem em todo o processo de produção das uvas e da elaboração desse vinho tão especial.

AC: Como foi 2005?

A safra 2005 foi muito boa porque em todas as fases da produção a videira. Ou seja, no inverno de 2004, julho-agosto, antes da poda das videiras fez muito frio, na primavera as temperaturas foram aumentando gradualmente, sem geadas bruscas, no verão fez muito sol e calor e no final da safra em março de 2005 a estiagem favoreceu a maturação completa das uvas.

É importante lembrar que na Boscato vinhos o monitoramento das condições de solo-clima-videira, é constante. As condições de temperatura, umidade do ar, radiação solar, ventos e umidade do solo, são aferidas, e com o armazenamento das informações, formam indicadores de desempenho que ajudam proativamente na seleção de uvas para cada linha dos vinhos Boscato ( Boscato, Reserva Boscato , Gran Reserva Boscato e Anima Vitis).

Os processos de vinificação, desde o recebimento das uvas ao envelhecimento em ambientes redutores, são controlados por equipamentos de precisão com perícia e sensibilidade. Os vinhos são amadurecidos em barricas de carvalho e envelhecidos nas garrafas em caves com as condições de luz, temperatura e umidade monitoradas. Degustações periódicas, obedecendo critérios próprios aliados a tecnologias enológicas mundias, conferem segurança na obtenção da maturidade adequada para cada safra.
AC: Falando um pouco de enologia, como produziram? Algum aspecto que você queira ressaltar da enologia? Segundo o diretor e enólogo da Boscato, Sr. Clovis em 2005 a safra excepcional as uvas em plena maturação, o solo e as condições climáticas adequadas e a produção limitada contínua por planta que a empresa adota, fez com que as 5 variedades vinificadas separadamente resultassem em vinhos excelentes.

AC: Como ocorreu o assemblage? O corte definitivo foi decido depois da fermentação, ou só de ver a fruta vocês já sabiam o que seria? O acompanhamento da qualidade das uvas além dos outros fatores é fundamental para a Boscato a cada safra. O corte definitivo foi feito depois da fermentação com o vinho pronto, de cada variedade.
AC: Barricas? O que usaram e quanto? Os 10.000 litros do Anima Vitis passaram por 13 meses de barrica francesa de tostatura média.


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