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Sudoeste da França e País Basco, tem que conhecer.

9 de fevereiro de 2011

O Vitor Lima vai mandando notícias de regiões cada vez menos comentadas. Todas as outras eu conhecia, mas esta do país Basco foi totalmente novidade para mim. Desfrutem aí, por Vitor LIma.

Gaillac, é uma apelação de 3700 hectares, e é considerada uma das mais versáteis da França pois produz todos os tipos de vinho (tinto, branco, frisante, rose, espumante, primeur e doce).

O clima em Gaillac tem tanto influencia oceânica a oeste, que reduz o riscos das geadas de primavera, quanto calor do mediterrâneo a sudeste.

Para os tintos as uvas mais utilizadas são Duras, Fer Servadou (Braucol) e Syrah; para os brancos são Len de l’el, Mauzac, Muscadelle e Sémillon e para os rosés, especificamente utilizam a Mauzac.

A região de Gaillac, também produz o Primeur, uma versão do Beaujolais Nouveau, feito também com uvas Gamay. O vinho é distribuído na 3 semana de Novembro, e é conhecido como “Gaillac Primeur”.

Cave de Rabastens – Princesse Emilie Rouge – 2008

Gaillac – Sud-Ouest – França

Duras, Fer e Syrah. (tinto)

Aromas: Geléia de Amoras, ameixa madura, folhas secas e cacau (um pouco terroso).

Boca: Acidez equilibrada, taninos firmes e ligeiramente arenosos, encorpado e álcool correto equilibrado. Final frutado leve e terroso, boa persistência.

Assemblage interessante, bom equilíbrio entre fruta, carvalho e acidez, álcool e taninos todos bem integrados. Final curioso lembra cacau, mas sem nenhum amargor.

Após algumas horas aberto o vinho revelou seus aromas de frutas e principalmente o toque de cacau que aparece no retro gosto.

Irouléguy é uma pequena apelação de 210 hectares localizada no País Basco, sudoeste da França, divisa com a Espanha.

As uvas utilizadas nos tintos são: Tannat, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. E para os brancos : Gros Manseng, Petit Manseng e Petit Courbu.

Os vinhos tintos de Irouléguy são de maneira geral rústicos e fechados na juventude, precisam de algum tempo de garrafa para equilibrarem e tornarem-se agradáveis. Isso não desqualifica sua qualidade, mas sim demonstra o potencial das uvas da região. Possuem potencial de guarda de pelo menos 10 anos. São vinhos excelentes para acompanhar refeições, principalmente com carnes vermelhas ou molhos de tomate mais pesados.

Domaine Arretxea – 2006

Irouléguy – Sud-Ouest – França

Tannat (tinto)

Aromas: Frutas negras (cereja negra e cramberry), couro, carvalho, madeira seca.

Boca: Acidez fresca, taninos firmes (um pouco seco), encorpado e álcool equilibrado (correto).

Final amadeirado e com um toque de fruta. Persistência longa e amadeirada.

Mesmo sendo naturalmente um Tannat encorpado e pesado, a acidez estava tão presente que acabou equilibrando sua estrutura geral.

O vinho ainda estava em evolução, com certeza melhorará após 1 ou 2 anos na garrafa. É um vinho muito encorpado e com bastante depósito no fundo da garrafa. Seria melhor se tivesse sido decantado, tanto para arejar o vinho como para remover o depósito. É um vinho um pouco cansativo para tomar sem comida, melhor servi-lo com uma refeição e compartilhar com amigos.

Este Domaine só produz vinhos biodinâmicos, sem filtragem, sem SO2, sem químicos no vinhedo, leveduras selvagens para fermentação alcoólica, entre outros procedimentos. Tudo isso me pareceu um pouco novo pra mim, mas todo ano aumenta o número de produtores iniciando a produção de biodinâmicos.

Get to know Southwest of France and Basque Country.

Vitor Lima was my student in the professiona sommelier course and is living in France. He has been sending us news of those regions people speak of less and less. I had heard of the others but this one of the Basque Country was totally new to me. Enjoy. by Vitor Lima.

Gaillac is a 3700 hectares appellation, and is considered one of the most versatile of France as it produces all types of wines (red,white,frizzante,rose,spumante,primeur and sweet)

The climate in Gaillac has both the oceanic influence from the west, that reduces the risk of frost in the spring, and the Meditarranean heat from the southeast.

The grapes most used for the reds are Duras, Fer Servadou(Braucol) and Syrah; for the whites  Len de L’el, Mauzac, Muscadelle and Semillon and for the roses, specifically  the Mauzac is used.

The region also produces the Primeur, a version of the Beaujolais Nouveau, also made  with the Gamay grapes. The wine is distributed in the 3rd week of November, and is known as “Gaillac primeur”

Cave  Rabastens – Princesse Emilie Rouge – 2008

Gaillac – Southwest- France

Duras, Fer and Syrah. (red)

Aromas: Mulberry jam,ripe plum, dry leaves and cocoa (a little earthy).

Palate: Balanced acidity, firm tannins and slightly sandy, body and alcohol correctly balanced. Finish light fruity and earthy, good persistence.

Interesting assemblage, good balance between fruit, oak and acidity, alcohol and tannins well integrated. Curious finish reminds one of cocoa but, without the bitterness

After some hours of it being open, the wine revealed its fruity aromas and especially a touch of cocoa that appears in the aftertaste.

Irouléguy is a small appellation of 210 hectares located in the basque Country, in the southwest of France, on the Spanish border

The grapes used in the reds are: Tannat, Cabernet Franc and Cabernet Sauvignon. And for  the whites: Gros Manseng, Petit Manseng and Petit Courbu.

The reds of Irouléguy are generally rough and closed in their youth, they need some time in bottle to balance and go back to being pleasant. This does not in anyway deminish its quality, but shows the potential of the wines of the region. The keeping potential is of at least 10 years.They are excellent wines to accompany meals, especially with red meat or heavy tomato sauce.

Domaine Arretxea – 2006

Irouléguy – Southeast – France

Tannat (red)

Aromas: Black fruit (black cherry and cranberry), leather, oak, dry wood.

Palate: Fresh acidity, firm tannins (a little dry), body and alcohol balanced (correctly).

Woody finish with a touch of fruit. Long and woody persistence.

Eventhough it is naturally a Tannat with body and heavy, the acidity was so present that it ended up balancing overally.

The wine was still evolving, certainly it will  improve in bottle after 1 or 2 years. It’s a full body wine with a lot of residue at the bottom of the bottle. It would have been better had it been decanted, as much to air as to remove the residue. It’s a little tiring to drink without food, best to serve it with a meal and share with friends

This Domaine only produces biodynamic wines, without filtering, no SO2, no chemicals at the vine, wild yeast for alcohol fermentation amongst other procedures. All this seemed a little new to me, but every year there are new producers starting biodynamic production.

Uma Aula sobre o Sudoeste – Cahors e Bergerac

8 de fevereiro de 2011

Meu querido aluno Vitor, formado sommelier profissional em nossa primeira turma aqui da escola, mudou de vida, mudou de país e encontra-se na França estudando mais sobre vinhos e, claro, degustando tudo que lhe cai às mãos. Portanto, de vez em quando ele compartilha comigo o que anda tomando e vou compartilhar com vocês o que ele está aprendendo. Ele manda um pouco da informação sobre a região e fala do vinho que tomou de lá. Por mais que não estejam disponíveis no Brasil, fica a dica do estilo para vocês provarem.

Cahors é uma apelação de 4200 hectares localizada a sudeste de Bergerac. A principal uva cultivada na região é a Côt, ou Malbec e algum Tannat. O solo desta região é argilo-calcário, como em alguns dos melhores terroir de Bordeaux e grande parte dos vinhedos ficam próximos dos terraços do Rio Lot. Essa região tem uma curiosidade, os vinhos mais frutados são produzidos mais próximos do rio, nas encostas mais baixas, as médias altitudes produzem os vinhos mais encorpados e carnosos. E nos terraços mais altos produz-se o vinho mais rico e de guarda mais longa e neste caso as encostas podem chegar até 300 metros de altitude.

Rigal Malbec – The Original – 2009

Cahors – Dordogne – França

Malbec (tinto)

Aromas: Cereja preta madura, geléia, groselha, baunilha.

Boca: Muito frutado e potente. Vinho encorpado, acidez fresca e agradável, taninos firmes e elegantes, álcool justo, persistência longa e frutada.

Típico Malbec, frutado e grande, mas surpreende pelo equilíbrio de acidez, fruta, taninos e persistência frutada longa e baunilha no retro gosto.

Bergerac é uma região gigante, com 13 apelações e aproximadamente 12.500 hectares de vinhedos cultivados, onde 55% são uvas processadas por cooperativas e 45% produtores independentes. De maneira geral a legislação das AOC’s de Bergerac são mais maleáveis do que em Bordeaux, porém nas AOC’s de Bergerac só são permitidos o plantio de até 3000 vinhas por hectare, enquanto algumas apelações de Bordeaux permitem até 6500 vinhas por hectare.

O solo de Bergerac é composto em sua maioria de areia e argila e seus verões são mais quentes que as áreas de Bordeaux mais próximas do Atlântico.

As principais uvas da região são as mesmas encontradas em Bordeaux, tanto para tintos (cabernet sauvigon, cabernet franc, merlot, malbec) quanto para brancos (semillon, sauvingnon blanc, muscadelle). As exceções são chenin blanc e ugni blanc.

Château Grinou – Cuvée des Moines – 2009

Bergerac – Dordogne – França

Merlot (tinto)

Aromas: Chocolate, ameixa, cassis, café, anis.

Boca: acidez viva, taninos firmes, pouca persistência, final amargo elegante (café).

Álcool quente.

Vinho muito jovem. Ainda estava evoluindo na garrafa. O carvalho não estava muito bem integrado com a fruta.

De maneira geral o vinho é muito similar aos vinhos comercializados com a apelação de Bordeaux Superior, porém é uma opção muito mais econômica e não necessariamente de qualidade inferior.

Sudoeste da França. Mais dele, por favor.

10 de setembro de 2010

Aula de quarta feira, tivemos a oportunidade de visitar duas regiões incríveis do Sudoeste da França. Cahors e Madiran. São pouco faladas, pouco conhecidas e às vezes menosprezadas, principalmente em se tratando de Cahors. Digo isso porque essa é a região berço da uva Malbec, que se expresse fenomenalmete desde o século XIII na região.

Ela é mais conhecida pelos vinhos argentinos que decidiram marketar que essa uva é deles e todos os meus alunos tiveram uma certa dificuldade em ouvir que não e entender que a Malbec vem de outro lugar fora de Mendoza e alhures. Comentei isto aqui.

Madiran é conhecida por seus vinhos míticos, sendo Montus, a expressão máxima da Tannat (nascida ali). O produtor, Alain Brumont, é famoso pelo domínio que tem da uva e da região, além de ser o responsável pelos avanços qualitativos dos vinhos dali nos últimos anos. Tomamos um vinho lindíssimo dele, o Torus. Abaixo a impressão dos dois.

foto: http://www.chateaupineraie.com - a safra degustada foi 2004.

Chateau Pineraie 2004 – Cahors

O Pineraie hoje está nas mãos da 6a geração, a Ane e a Emanuelle são quem tocam as rédeas por lá.
Ele vem de vinhas que estão sobre calcário, limestone, argila e marga. São rendimentos baixos, de 45-50 hectolitros por hectare. Tem 85% de Malbec e o restante é de Merlot. Tem uma passagenzinha por barrica, a maior parte de
madeira usada (70%).

Esta região, como dá para ver no mapa, é mais continental. A princípio teríamos um clima mais extremo, de invernos muito frios e verões muito quentes. No entanto, o rio Lot corta a região, temperando um pouco o clima.

Um aroma de folhas molhadas, de chão de terra bem umida (ai, lá vêm as piadas…), uma nota meio animal, que lembrava cavalo, uma fruta no fundo e umas notas de pimenta verde, tudo muito atraente.

Em boca tinha cremosidade, com muito sabor e extrato, perfumado no retrogosto. Só pecou um pouco no amargor no final e uma certa falta de acidez. Um toquezinho a mais de frescor e o vinho seria gigante – talvez uma safra mais jovem resolva isso, já que estamos falando de um vinho com 6 anos. No Club du Tastevin (http://www.tastevin.com.br/)
Tentamos com um Brie, mas o amargo do vinho com o amarquinho da casca do queijo, ficou impossível.
foto: decanter.com.br
Torus     2004
Aqui estamos no Madiran, região no extremo sudoeste da França, pertinho dos Pirineus. Em termos de clima, os verões são quente de dia, mas à noite dá uma refrescada. Os outonos são secos e os invernos bem frios.

Depois de anos fazendo vinhos intensos e que demoravam anos para amadurecer, Brumont quis trabalhar num conceito novo , buscando um vinho carnudo, mas atraente, frutado, sempre com profundidade.  Feito com 50% Tannat, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, dos melhores vinhedos dele (Montus e Bouscassé) só que de vinhas um pouco mais jovens, de até 15 anos.

Nariz muito rico, sem ser exuberante. Notas de bala de café (Toffee), um toque animal, serragem, carne tostada, cereja no álcool, bastante aromático.

Em boca é rico, cheio, com taninos muito intensos, mas finos, que se fundem na boca, deixando apenas o o retrogosto cheio dos aromas que sentimos no nariz, tudo bastante longo e rico. Na Decanter
Ficou interessante com o brie, como se seus taninos entrassem e se fundissem com a gordura, deixando o queijo com um sabor do vinho e vice e versa.


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