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Uns Vinhos de Portugal

27 de junho de 2013

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A  Wines of Portugal, ou Vinhos de Portugal, sempre faz excelentes campanhas aqui no Brasil. Praticamente todos os anos traz boas feiras, com ótimos produtores e, neste 26 junho 2013, não foi diferente.

O convite para ouvir uma palestra sobre vinhos portugueses apresentada pelo único Master of Wine brasileiro, Dirceu Vianna, me empolgou. Vou muito pouco a esses eventos, mas me animei.

A degustação era um espécie de passeio pelas principais regiões do país e, infelizmente, a abordagem foi muito superfícial, sem informações mais específicas sobre solos e climas de cada região. Desculpa, mas dizer que pode-se dividir o país em 2 regiões, ao sul é mais mediterrâneo a ao norte é mais fresco, é uma simplificação tosca de um país tão variado como a terrinha.

Como era de se esperar, os vinhos eram deliciosos. Eu não canso de me surpreender com a variedade de estilos de Portugal, sempre tão diferentes, sempre tão empolgantes, cada ano com mais qualidade.

Um pouco do que tomei.

1. Quinta de Azevedo 12 – DO Vinho Verde

Peras, com um toque mineral e com toda a acidez e salinidade que um vinho da região dos Vinhos Verdes tem como tipicidade. Agora, a julgar por essa acidez, eu não teria medo de tomar esse vinho daqui a uns 5 anos. Claro que a ideia, muitas vezes, desta região, é entregar um vinho fresco de aspecto jovem, mas acho que perdemos algumas boas oportunidades de esperar para ver o que o tempo pode fazer.

2. Morgado de Santa Catherina – Bucelas

Bucelas, de onde vêm alguns dos brancos mais deliciosos e perfumados do mundo. Este, feito com Arinto (na região, o mínimo obrigatório é 75% dela. Estão autorizadas Sercial e Rabo de Ovelha), é muito aromático, floral, fruta muito fresca e casca de limão. Só que na boca, é outra vertente: é mais gordo e alcoólico, tem muita estrutura, final amarguinho interessante, lembra aniz.

3. Manoella 2010 – Douro

Nunca tinha degustado um vinho do Douro com este estilo. Muito frutado (ok, isso é fácil de encontrar nos vinhos do Douro), mas diferente, uma fruta mais fresca, algo de pimentão, ou geleia de pimenta e morango. Tudo muito fresco. Na boca também, uma expressão muito fresca, ótima acidez, taninos fininhos, mas um vinho quente e rico, gostosão, apesar de sobrar um pouquinho de álcool (característica não incomum na região também), mas nada defeituoso.

4. Confidencial 2011 – Lisboa

Cclássico! Eu amo os vinhos desta região cheia de influência marítima, que são super delicados e etéreos.  E este é isso mesmo: fresco, frutado, com uma fruta evidente, um pouquinho de álcool a mais, mas totalmente delicioso. Um achado.

5. Mouchão 2007 – Regional Alentejano.

Outro clássico..Ainda fechado e alcoólico. Fechado e alcoólico. Depois, um toque animal, algo de ervas, tomilho seco. Na boca é cheio e frutadão, ainda muito tânico,mas cheio de matéria prima de primeira.

Deu um pouco de pena degustá-lo agora. Ele é lindo, mas muuuuito jovem. Depois que tomei Mouchão com 20, 30 anos, vi que ele melhora muito com os anos. Óbvio, não precisa ser 30 anos, mas uns bons 10 deixaria todo seu jeitão mais evidente. Feito com a Alicante Bouschet e Trincadeira.

6. Dom Bella 2010

De um Dão eu espero sempre mais delicadeza, mas não foi muito o que encontrei. Feito 100% com Tourigna nacional, é perfumadão, notas de chá preto, camomila. Cheio em boca, firme, acoólico, ainda jovem, mas com taninos de qualidade, que vão se fundir com o tempo. Sobra um pouco de madeira no retrogosto, talvez o tempo “organize” essas arestas de álcool e madeira.

winesofPortugal

Para acreditar em Deus….

2 de junho de 2011

(to read in english, scroll down)

Tá bom, tá bom….já falei de Lisboa e tal. Mas acontece que, quando achei que conhecia a cidade, fiquei sabendo do A Travessa. Tive a oportunidade de, durante a cerimônia da confraria do Periquita, conhecer Madame Vivivane, a proprietária de uma jóia encravada no meio da zona de Santos em Lisboa. Ela é minha confreira do Periquita e uma pessoa com uma históri pessoal e profissional riquíssimas. Bom  tive a sorte de podê-la conhecer de perto e, hoje – no dia seguinte à celebração da nossa confraria, decidi conhecer sua obra: um restaurante que há 33 anos faz sucesso em Lisboa.

To believe in God….

Ok so I have mentioned Lisbon before but just when I thought I knew the city, I got to know  ” A Travessa” .  While I was at the Periquita Confraria I had the chance to meet Madam Viviane , the owner of a jewel encrusted in the middle of the Santos district in Lisbon. She is my fellow from the Periquita Confraria a person with a rich personal and professional story. Well I was lucky enough to get to know her personally and today -the day after the celebration of our Confraria, I have decided to see her masterpiece : a restaurant that has been successful in Lisbon for 33 years.

Santos não está no mapa como Santos. É um bairro antigo, lindo, silencioso, que mescla luz e sombra na medida certa. São pequenas casas e restaurantes que, se você não olhar (com muita atenção), você não vê. Desci do taxi numa rua “maior”, porque ali na travessa do Convento das Bernardas, carros não passam. Fui andando devagar, desfrutando cada passo. Cheguei à portinha e entrei….

Santos is not on the map as Santos. It’s an ancient district, beautiful, quiet, that mingles light and shadow just right. There are small houses and restaurants that if you don’t look very carefully you don’t see at all. I got out the cab on a ‘wider’ road because on the Convento das Bernardas crossing  cars can’t pass. Savouring every step , I slowly walked ahead until I got to a little door and went in……

A Travessa....camuflada no ambiente calmo de Santos, Lisboa

A Travessa está camuflada na construção local, não tem pompa, não tem glamour. Não por fora. Por dentro tem uma grandiosidade quasse sufocante. O solo de pedras antigas, a decoração leve de peças gigantes, a calma do convento. A Travessa compartilha o páteo com o convento das bernardas, construídom em 1653. Hoje, além do convento, está ali o museu da marioneta (das marionetes) e o A Travessa.

A Travessa is camouflaged in the local building, there is no pomp, no glamour. At least not on the outside. The grandeur of the interior is almost suffocating. The ancient stone paving ,the light decor of giant furniture, the calm of the convent.  A Travessa shares the patio with the Bernardas Convent built in 1653. Today other than the convent it also houses the Marionette museum and   Travessa restaurant.

Me deixei levar pelo ambiente silencioso, típico de um convento e, confesso, entre uma mordida e um gole, tive a  rápida sensação de que deus existe…

I let myself get carried away by the silence of my surroundings, typical of a convent, and I confess that between a bite and a sip, I had a flighty sensation that god exists….

Bem que Madame Viviane havia me falado bem de Julio, seu sommelier brasileiro que há 7 anos trabalha com ela. Ele é gentil, cuidadoso e o tempo todo sugeriu pratos e suas harmonizações. Acima, um espumante de Pinot noir da Quinta da Bacalhoa para combinar com as delicadesas da entrada: pimentões levemente picantes, queijo de cabra fritinho com geléia, tapenade e queijo fresco com um toque de mel. Tudo delicado….

Madam Viviane had spoken highly of Julio, her Brazilian sommelier, that has worked with her for seven years. He is gentle, caring and suggested plates and harmonizations all the time.  Above a Pinot Noir espumante from Quinta da Bacalhoa to match the delicacy of the entrée:  peppers slightly hot, goat’s cheese fried with jam, tapenade and fresh cheese with a touch of honey. Everything delicate…

Depois comi um tournedó de Touro Bravo com cogumelos. Touro bravo é uma raça de touros criada para “la faena” para as “corridas” ou tourada, como chamamos aqui.  É uma raça especial. A sugestão foi um vinho do Douro, bem típico, cheio de frutas e bastante mineral, com um toque de fumaça, tânico e firme em boca, com o álcool típico do Douro, foi bem.

To follow I had beef filet tournedó of Touro Bravo with mushrooms. Touro bravo is a breed of bulls bred  for “la faena” for the “races ” or bullfights as we know them. It’s a special breed of bull. The suggestion was a Douro wine , very typical, full of fruit and a lot of mineral, with a touch of smoke, tannic and firm  palate, with the typical alcohol of the Douro, blended well.

Tournedo de Touro Bravo com molho de cogumelos, legumes, pures....e um bom vinho do Douro

Sobremesa dos céus com Moscatel de Setúbal 20 anos

Se você não acredita em deus, um almoço no A Travessa pode mudar sua opinião....


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