Posts Tagged ‘jerez’

Folha de São Paulo: Jerez Versátil.

23 de novembro de 2015

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Maresia no copo (Folha de SP)

11 de outubro de 2013

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Maresia no copo

Se tivesse que comparar um fino de Jerez com qualquer elemento, sem dúvida seria o mar. A localização onde é produzido, seus aromas e sabores, seu estilo salgado definitivamente me remetem aos mares.

Quando morei na Espanha, pedir um Jerez era pedir um “fino”, o mais branco e sequinho. Aqui no Brasil, as pessoas relacionam o termo aos mais doces, escuros e densos.
Jerez é uma denominação de origem que abarca diversos estilos. O que me apaixona, insisto, é o fino.

A região de produção -um triângulo formado por Jerez de la Frontera, Sanlúcar de Barrameda e Puerto de Santa María- está sobre solo branquíssimo, as “albarizas”: terras calcárias formadas por dejetos marinhos do oligoceno (tempo no qual rochas foram formadas).

Em Jerez, o mar Mediterrâneo e o oceano se aproximam e deixam uma maresia salgadinha pairando no ar.

A uva palomino, ou listán, é aromaticamente quase transparente. Atravessam-na sabores marinhos, carregados do mosto ao vinho, que chegam quase intactos até a taça.

O método de produção é peculiar. As barricas não são cheias: a superfície fica exposta ao oxigênio, permitindo um ataque de fungos que só existem ali e formam, na superfície do líquido, uma cobertura de aspecto de algodão, chamada de “flor”.

O resultado: sabores e aromas de maresia, salgadinhos, com notas de amêndoa tostada e cremosidade marcada, mas cheia de arestinhas crocantes e vivazes, que deixam os pelinhos do braço levantados.

Sensação imortalizada em uma linda canção de Manu Chao, na qual ele faz um trocadilho com um “vaso” (copo) de Jerez e um “beso” (beijo) de Jerez, para aliviar sua dor.

FINO TIO PEPE
Delicado, com toque de flor branca e muito sal. Na boca tem boa acidez
Quanto R$ 96
Onde Inovini (tel. 0/xx/11/3623-2280)

FINO FERNANDO DE CASTILLA
Intenso, lembra mel e nozes caramelizadas. Fino e fresco em boca, mas com retrogosto longo e tostado
Quanto R$ 51,10
Onde Casa Flora (tel. 0/xx/11/2842-5199)

FINO HIDALGO CLÁSICA
Delicado, lembra areia da praia e azeitonas. Boca cremosa, com acidez suculenta e sal. Muito saboroso e seco
Quanto R$ 79
Onde Mistral (tel. 0/xx/11/3372-3400)

FINO LA INA
Lembra amêndoas salgadas. Seco e firme, com final amargo e picante
Quanto R$ 92,18
Onde Vinci (tel. 0/xx/11/3130-4500

Dois narizes exuberantes

29 de fevereiro de 2012

Outro dia dei uma aula de vinhos de sobremesa e, nestes tipos de vinho, as surpresas olfativas nunca são poucas.

Primeiro um espanhol clássico, da região andaluza de Jerez, feito com a uva Pedro Ximenez.  As uvas (brancas) ficam em esteiras de palha até secarem para concentrar açúcar. Depois, durante a fermentação, adiciona-se um destilado de uvas, que  para a fermentação, sobrando açúcar residual. Depois disto, o vinho fica ANOS (às vezes até uns 10) no sistema de criaderas y soleras, onde o vinho do ano vai se misturando com os mais antigos, para criar um sabor sempre único, mas igual ao longo dos anos. A Solera é a fileira de barricas do solo e as outras são as criadeiras. Por causa deste tempão que passam ali, os PX têm um aspecto oxidado e, apesar de serem vinhos brancos, são negros na cor e intensos demais no nariz.

Criaderas y Soleras. foto: viarural.com.es

PX como tem que ser

PX FERNANDO DE CASTILLA
Uma nota bem clara de couro,  melaço de cana e café frio ( os aromas mais típicos dos PX). Depois, umas notas menos obvias (mas ainda bem críveis) de chá, argila, terra molhada e ameixa preta.

Depois de uma boa meia hora na taça, notas exóticas (difíceis de acreditar) de chá verde, vermute, alga japonesa! Sim, aquela alga que vai em volta do sushi…tenho testemunhas, meus alunos que estavam aqui.

Na boca é menos surpreendente, um pouco pesado demais, sem acidez para equilibrar. É xaroposo como melaço de cana e tem um retrogosto intenso de banana passa. Mesmo  faltando equilíbrio, o vinho não deixa de ser interessante e extremamente saboroso, guloso, principalmente para os formiguinhas.  É impossível tomá-lo e não pensar nele sobre um queijo picante ou, ainda como cobertura de um bom sorvete de baunilha. Na Casa Flora 

Um Ste Croix du Mont superb!

O outro nariz exuberante e curioso vem da França. De um vinho produzido em uma AOC não muito conhecida,  ali em Bordeaux, este Ste-Croix du Mont é extremamente curioso. Os vinhos doces da região são produzidos com as uvas brancas autorizadas em Bordeaux: Sémillon, que se dá super bem com botritis, Sauvignon blanc que ajuda a manter a acidez diante de tanta concentração de açúcar, e a muscadelle que dá um aspecto ainda mais aromático. O resultado, algo divertidérrimo: começa com uma nota meio de fumaça, capim queimado, um toque de plástico novo, silicone fresco, algo assim, tipo um cheiro de carro novo, resina. Depois notas florais super intensas, dama da noite, uma nota balsâmica, fresca, quase lembrando hortelã ou erva cidreira, capim limão. Na boca é bem doção, como esperado, mas com boa acidez e uma sensação alcoólica surpreendente que dá um certo calor, mas com essa nota de hortelã mastigada no retrogosto, parece que estamos comendo uma bala daquelas geladas. O vinho não é muito longo – também não é curto – mas o impacto que causa durante o tempo de sua presença é extremamente agradável. Recomendo demais.O vinho é o Château Crabitan-Bellevue 2006.  No Club du Taste-vin.


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