Posts Tagged ‘harmonização’

Folha de São Paulo: Vinho pra queijos picantes

14 de agosto de 2015

folha

 

Vinho pra queijos picantes

Muitas pessoas confundem, ou acham muito parecidos, o gorgonzola e o roquefort. Mas, eles não têm nada a ver um com o outro. O gorgonzola é, italiano, precisamente da região da Lombardia. É feito com leite de vaca e o fungo que atua sobre ele é o penicillium glaucum.

O roquefort é francês, da região de Rouergue, no sudoeste do país. É de leite de ovelha, e o fungos são penicillium roquefort, que existem naturalmente nas caves de calcário daquela zona.

Como eu não sou especialista (se contarmos pela quantidade que como, talvez eu seja) em queijos, vamos focar mais no sabor que em especificidades de cada um.

No francês, o leite de ovelha dá um sabor mais caramelado e o fungo dá uma nota metálica picante.

No italiano, o leite de vaca confere notas mais amendoadas, com graus diferentes de picância, pois há os “doces”, mais cremosos e amanteigados, e os “picantes”, com uma nota do fungo mais evidente.

Acontece que, curiosidades à parte, a maior porção do que consumimos aqui no Brasil não tem nada a ver com os originais. Apesar de, muitas vezes, serem extremamente bem feitos, nunca é a mesma coisa. O lado ruim disso é que perdemos as nuances.

O lado bom é que os “tipo roquefort” e “tipo gorgonzola” feitos aqui costumam ser mais suaves no sabor e, às vezes, se assemelham. Isso é bom porque nos testes que fiz, os vinhos que combinaram com um, também combinaram com o outro.

Então, para fazer a brincadeira com os vinhos, comprei marcas brasileiras destes dois tipos de queijos, comumente encontradas na maioria dos supermercados e degustei com vários vinhos.

A surpresa foi que, apesar do forte caráter, esses queijos se mostraram versáteis com estilos diferentes de vinhos –adocicados, como o Monbazillac, frutados do novo mundo e até vinhos mais duros e tânicos como o Bordeaux.

Monbazillac Ch la Maroute 2012
O vinho, doce e perfumado, forma um contraste incrível, em que um evidencia o outro
REGIÃO Sudoeste da França
QUANTO R$ 62
ONDE Carrefour; carrefour.com.br

Richland Pinot Noir 2014
Um tinto delicado e simples, que fica mais frutado e deixa o sabor do queijo mais amanteigado
REGIÃO Riverina, Austrália
QUANTO R$ 74
ONDE Kmm; tel. (11) 3819-4020

Echeverria Classic Collection Merlot 2012
O vinho, que é bem frutado, fica mais evidente. O queijo perde um pouco da força, mas se mantém saboroso
REGIÃO Curicó, Chile
QUANTO R$ 71
ONDE Mr. Man; tel. (11) 3030-7100

Ch. Timberlay Bordeaux Supérieur 2011
Um tinto tânico e firme que fica mais frutado e deixa o queijo com um sabor cremoso e levemente picante
REGIÃO Bordeaux, França
QUANTO R$ 66
ONDE Santa Luzia; tel. (11) 3897-5000

Listinha da semana – 21 de fevereiro

21 de fevereiro de 2014

Listinha da semana – 21 de fevereiro

Segunda-feira – para harmonizar com a música Red Red wine (UB40)

Château de Pourcieux Rosé – R$ 69,00 – onde: Vinhobr
Blume Verdejo DO Rueda 2012 – R$ 42,00 – onde: wine.com.br

Terça-feira – para harmonizar com a música Tell me baby (Red Hot Chili Peppers)

Trefethen Vineyards – Estate Merlot 2001 – R$ 85,00 – onde: Vinci
Roberty Mondavi Cabernet Sauvignon Napa Valley – R$ 117,90 – onde: Todo Vino

Quarta-feira – para harmonizar com a música Going to California  (Led Zeppelin)

Errazuriz Reserva Pinot Noir 2011 – R$ 61,60 – onde: Vinci
Matetic EQ Pinot Noir 2010 – R$ 153,00 – onde: Templo dos Vinhos

Quinta-feira – para harmonizar com o frango com curry e gengibre e a música White Wine (The Vernons)

Riesling Cuvée des Princes Abbés – R$ 84,00 – onde: Tastevin 

Em Fevereiro: Curso Básico de Harmonização

22 de janeiro de 2014

Básico HarmonizaçãoFEV 2014

Ouça: Harmonização da semana

11 de abril de 2013

O que harmonizar com camarão picante com gomos de laranja e hortelã?

Band News

Ouça: que vinho harmonizar com ragú de porco.

17 de maio de 2012

Hoje o prato do Wessel foi um ragú de porco.
Descubra quais os vinhos dos satélites de Saint-Émilion (ainda em Bordeaux) que harmonizam.

Clique na imagem para ouvir o áudio completo.

Vinho Verde e comida brasileira. Dá caldo.

30 de outubro de 2011

uma imagem leve e divertida para os Vinhos Verdes

De volta ao Brasil, curtindo ainda uma espécie de Toscana Blues, retomo as degustações por São Paulo e a primeira que aceito o convite é para dar uma olhada no que há de novo na região dos Vinhos Verdes em Portugal. Não só os produtos vêm melhorando bastante a cada ano, a comunicação visual está mais moderninha, jovem, puxando para um lado divertido e leve, colocando a região do Vinhos Verdes numa posição de produto para ser tomado jovem, informalmente com os amigos e acompanhado de boa comida. Pelo menos foi o que nos disseram os produtores que apresentaram os vinhos.

Vinho Verde and Brazilian food.

Back in Brazil, feeling a kind of Tuscany Blues, getting back to tastings in São Paulo and the first I accept is an invitation to check out what’s new in the Vinho verde region in Portugal. Not only are the products getting better every year, but the visual aspect is more modern, younger, bringing out a lighter more fun side and putting the region in a position of products to be enjoyed young, informally with friends or accompanied by good foood. At least this is what the producers that presented the wines told us.

Vinho verde e bolinho de arroz

O almoço foi no restaurante Brasil a Gosto da chef Ana Luiza Trajano que organizou um menu delicado e perfumado, com ingredientes super brasileiros , como é comum na sua cozinha. No aperitivo tomamos o vinho da Adega Cooperativa Ponte de Lima Seleção, feito com a uva Loureiro, que está super adaptada a esta subregião (vale do rio Lima). Os produtores não querem ainda entrar muito no tema de subregiões. Quando perguntei sobre a “sug-região”, percebei que eles ainda querem, neste primeiro momento, apresentar região como um todo, ou seja, uma região de brancos frescos e perfumados. Este primeiro vinho tinha as típicas notas de maçã verde, mas sobrava bastante álcool tanto no nariz quanto na boca.

Lunch was served at’ Brasil a Gosto’ a restaurant belonging to chef Ana Luiza Trajano, that organized a delicate and perfumed menu, with ingredients that are very typically Brazilian, and very common of her cuisine. As an aperitif we had a wine from the Adega Cooperativa Ponte de Lima Selecão, made with the Loureiro grape, which is very well adapted to this sub-region (Lima River valley). The producers don’t want to get into the subject of sub-regions. When I asked them about the sub-region, I felt that they still want for now, to present the region as a whole, in other words, a region of fresh and perfumed white wines. This first wine had the typical notes of green apple, but there was a lot of alcohol leftover on nose and on palate.

Vinho Verde com bobó de camarão

Para o primeiro prato, um palmito pupunha desfiado com manga verde, tomate, cheiro verde, tomamos o “Air” da casa de Mouraz,2010, de cultivo biológico. Começa discreto, tem umas notinhas de manjericão e é mineral. Na boca é quase adocicado, cremoso, fresco, bem intenso, rico, ficou muito interessante com o prato. O segundo, Quinta da Aveleda, também 2010, estava bem mais diluído, não tinha muito no nariz. Na boca tinha um toque doce e fatava frescro, com um finalzinho amargo. Não ajudou o prato.

The first dish was diced palm heart with green mango, tomatoes and parsley, we had the “Air” from Casa de Mouraz, 2010, biologically cultivated. It started off discreet, has little notes of basil and is mineral. On palate it is almost sweetened, creamy, fresh, really intense, rich, very interesting with the dish. The second wine was a Quinta da Aveleda, also a 2010, more diluted, not much on nose. On palate it had a sweet touch and freshness was missing, witha slightly bitter finish. Did nothing for the dish.

Um clássico dos Vinhos Verdes

O segundo prato, camarões enormes, com uma crostinha crocante, sobre um creme de bobó e um arroz de coco perfumadérrimo. O primeiro vinho, um Quinta das Arcas, pura Alvarinho, de 2010, ficou bem com o prato. Menos aromático e mais mineral, na boca é fresco, cremoso, com um finalzinho quente e saboroso. Faltou um pouco de intensidade para o prato, mas ficou melhor que o próximo, o Deu la Deu, um clássico da região, bem distribuído no Brasil. Ele era intenso demais, com muito floral e um toque de tangerina bem atraente. Na boca é quente, cremoso, rico, extremamente saboroso e longo, mas ficou um pouco pesado para o prato.

The second dish, enourmous prawns, with a fine crispy crust, served on a bed of  ‘bobó’ cream (yuka or manioc cream) and perfumed coconut rice.  The first wine, a Quinta das Arcas, pure Alvarinho, 2010, went well with the dish. Less aromatic and more mineral, on palate it is fresh, creamy, with a hot and tasty finish. It missed a little intensity for the dish, but it was better than the next wine, the Deu la Deu, a classic of the region, well distributed in Brazil. It was too intense, with a lot of floral and a touch of very attractive tangerine. On palate it is hot, creamy, rich, extremely tasty and long, but a little too heavy for the dish.

Depois, um Pirarucu grelhado, com purê de abóbora e molho de coco, gengibre e capim limão. Tomamos o Quinta de Gomariz 2010, nariz tostado, maduro, com notas de abacaxi. Na boca é cheio e frutado, mas falta um pouco de frescor. Ficou interessante com o prato, mais fresco, menos pesado. O outro vinho foi o Quinta da Lixa 2010. Aromático, refrescante, com toques de levedura, manjericão, frutas tropicais. Na boca tem frescor, sabor, bem equilibrado, com firmeza de álcool, final longo, saboroso. Ficou perfeito com o prato, principalmente quando comemos o peixe com o pure de abóbora, que dá mais cremosidade e sabor ao conjunto.

Then we had a grilled Arapaima or Pirarucu, with pumpkin purée and coconut sauce, ginger and lemon grass. We tasted a Quinta de Gomariz, 2010, really toasted nose, mature, with notes of pineapple. On palate it is full and fruity, but a little freshness missing. It was interesting with the dish, fresher, less heavy. The other wine was a Quinta da Lixa 2010. Aromatic, freshening, with touches of yeast, basil, tropical fruit. On palate it has freshness, flavour, well balanced, firm alcohol, long finish, tasty. It was perfect with the dish, especially when we had the fish with the pumpkin purée, it makes the combination creamier and more tasty.

A sobremesa era uma incrível mistura de docinhos brasileiros, como cocada, Romeo e Julieta, tortinha de caju, bananada com sorvete de nata. tomamaos um Quinta de Linhares, feito exclusivamente com a uva Azal – super perfumada, pode dar vinhos incríveis. Este era bem perfumado, com toques de maçã verde, muito elegante. Mas na boca não é tão fresco, é mais cheio, quase adocicado. Com as sobremesas mais refrescantes, como o Romeo e Julieta, que tinha uma caldinha cítrica de maracujá, ficou interessante. Mas com outros mais doces, não dava, ele ficava aguado. O rosé, à base de Espadeiro era bem frutado, lembrava uma casca de maçã vermelha e na boca é bem frutado e cremoso, com uma leve doçura. Não combinou com nada precisamente, mas é um vinho agradável e equilibrado, com um finalzinho lembrando morangos frescos.

Dessert was an incredible mix of Brazilian sweets, like ‘ cocada’ ( coconut ice), ‘Romeo e Julieta’ ( guava jam and cheese ),’ tortinha de caju’ ( cashew tartlet ), ‘bananada com sorvete de nata’ ( caramel banana with milk curd sorbet ). We had a Quinta de Linhares, made exclusively with the Azal grape-extremely perfumed, can make incredible wines. This was really perfumed, with touches of green apples, very elegant. On palate it is not as fresh, it is fuller, almost sweetened. With the fresher desserts like the ‘ Romeo e Julieta’ that had a citric syrup of passion fruit, it was intertesting. But with the other sweets it did not go, it gets diluted. The rosé, made from Espadeiro, was really fruity, reminded one of red apple rind and on palate it is really fruty and creamy, with a slight sweetness. It did not harmonize with anything exactly, but it is a pleasant wine and balanced, with a finish that reminds one of fresh strawberries.

Em suma, são vinho deliciosos e refrescantes. Podem combinar com pratos delicados, de temperos sutis, como foi o caso do almoço, mas podem ser ótimos acompanhamentos para petiscos menos elaborados, que comemos no calor. Sim, a região dos Vinhos Verdes, não esqueçamos, está num clima atlântico, sobre solos graniticos e o resultado disso são vinho fresquísismos, perfeitos para serem tomados no verão porque têm esse frescor, essa mineralidade, esse perfume que a tão peculiar conjunção solo – clima – uvas dá.

To sum up, they are delicious refreshing wines. They can harmonize with delicate dishes, with subtle spices, as was our lunch, but they can very well accompany less elaborate meals , that we have in hot weather. Yes, let’s not forget that the Vinho Verde region is located in an Atlantic climate, on granite soils and the result of this are very fresh wines, perfect to be had in the summer because they have this freshness, this mineralness, this perfume that the so peculiar conjunction soil-climate-grape gives.

Na Exame desta Semana

30 de maio de 2011


Para as pizzas no domingão

23 de novembro de 2010

Se você mora em São Paulo, colocar “pizza” e “domingo” na mesma frase pode ser redundante, mas acho que outras cidades tem dias diferentes para a pizza. Independente do dia da semana, pizza é sinônimo de família, um monte de gente em volta e uma certa variedade de sabores. Domingão passado foi na casa dos meus pais, havia um monte de pessoas e não menos tipos de pizza: margherita, alho, portuguesa, calabreza e 4 queijos. Corri na adega e peguei o Protos Roble. Já falei deste vinho várias vezes aqui. Ele é versátil e vai super bem com vários tipos de comida.  Cada vez que abro o vinho ele mostra uma cara diferente. OBVIAMENTE não fiquei cheirando, nem degustando, nem nada porque sommelier também folga. Simplesmente bebi e ele estava delicioso como sempre. O que sim fiz ( bom, minha folga é relativa, pois sempre gosto de trazer experiências do dia a dia para blog) foi provar o vinho com cada um dos sabores. Ele funcionou divinamente com todos, porque tem um toque frutado misturado com ervas e madeira que simplesmente vai bem com tantos sabores. Não deixem de provar. É da Peninsula.

O vinho pro Frango com farofa de domingo

16 de novembro de 2010

Domingo é um bom dia para passar na rotisserie ao lado de casa, pegar um frango daqueles que ficam girando nos grandes espetos, uns acompanhamentozinhos, tudo pronto e fresquinho. Essa rotisseria, chamada Di Napoli é, na verdade, de um português, o seu Diamantino que veio da cidade do Porto, mas aprendeu a cozinhar com italianos aqui no Brasil. Ele tem uma variedade enorme de antipastos excelentes, extremamente bem feitos e, por R$ 60,00 comem  tranquilamente umas 6 pessoas. Pegamos, além do frango suculento e bem temperado, umas cebolinhas no vinagre, umas batatinhas assadas no forno impecáveis e a farofa clássica dele, sequinha, com bacon e ovos.

Eu tinha uma garrafa de vinho branco que trouxe de Israel, feito com a uva Emerald Riesling. Pelo que achei de informação, ela é um cruzamento de Riesling com Muscadele, criado na California, nos anos 30. Ficou absolutamente perfeito: ele é aromático, com notas florais de jasmin e frutadas de pêssego maduro. Como este vinho não está disponível no Brasil, sugiro , para acompanhar, algum Riesling meio seco, ou Gewurztraminer, aromático com um pouquinho de açúcar residual. Há bons exemplares na Alemanha (procure a palavra Halbtrocken no rótulo), e na Alsácia.  A Torrontés argentina também tem um perfil aromático parecido, pode ficar interessante.

E não deixem de conhecer a rotisserie Di Napoli. É pequena, simples, tem ótimo preço e a comida atinge a perfeição, com zero frescura. Rua Peixoto Gomide, 1673 – São Paulo SP
Fone: (11) 3085-3603. Tem um ótimo post sobre ela, com vídeo e tudo, no blog Alho e Óleo, clique aqui

Programação de Novembro

9 de novembro de 2010

Achei que tinha colocado a programação de Novembro aqui, desculpem. Bom, vamos lá. Destaque da semana que vem, começa o CURSO BÁSICO EM HARMONIZAÇÃO. Excelente para entender (na prática, degustando e comendo) como funciona combinar vinho com comida. Em três aulas, vamos falar de peixes, carnes, risottos e massas. Imperdível. Dá uma olhada nos detalhes aí na programação e manda um email para a gente, ou liga aqui, para se inscrever.

contato@alexandracorvo.com.br (11) 3284 36.26

 

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