Posts Tagged ‘degustação’

Programação Cursos para Junho

5 de junho de 2011

Cliquem aí na imagem para conferir nossa programação!

clique na imagem para ampliar

Estudar vinhos em Dezembro!

24 de novembro de 2010

Tem aulas legais para harmonizar com Peru e como escolher o Espumante Ideal! Olha aí.

Para conhecer Bordeaux sem gastar muito

5 de novembro de 2010

foto: divulgação

Bordeaux Superieur é uma AOC bem ampla, com legislação não tão apertada quanto as comunais (tipo Pauillac, Margaux, etc) e a qualidade varia muito de um produtor para outro. Por isso, sempre que tomar um e gostar, anote mesmo o nome do produtor e conheça outros produtos dele.

O Château de Lugagnac 2006 é uma propriedade entre os rios Dorgogne e GAronne, região conhecida como “Entre deux Mers”. Os vinhos da propriedade costumam ser compostos de 50% de Merlot, 40% Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot, um corte típico desta parte de Bordeaux.

No nariz ele tem umas notas de cereja no álcool, um floral, lembra incenso, muito agradável, um pouco de café frio e um pouco de floral, rosas, talvez. Na boca tem acidez perfeita, taninos fininhos, bem pronunciados, em bastantes quantidade, o que dá firmeza ao vinho e bastante sensação de álcool, com bom extrato, sem ser muito rico. Tem um aspecto fresco bom para combinar com comida. Eu comeria um mignon com brie  e talvez algumas frutinhas vermelhas frescas jogadas por cima.

Caso ainda não conheça nenhum e queira começar, hoje em dia os catálogos das importadoras estão cheios de bons textos sobre os produtores, suas histórias, família e a propriedade. Peça os catálogos das importadoras para dar uma lida antes de comprar. Enquanto isso, não deixe de provar este. É um excelente representante do que um Bordeaux Supérieur deve ser.Ainda mais por R$ 69,00 na Decanter.

I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E

5 de outubro de 2010

 

adeus, última garrafa de BV...

 

É quase triste escrever este post, porque o vinho está, lentamente, se acabando na minha taça. Este vinho foi aberto ontem, na aula de EUA e Canadá da formação profissional. Ele estava bastante impressionante, com notas minerais que lembravam carvão e uma nota de charuto. Eram aromas que me lembravam os Bordeaux mais clássicos. Tá bom, eu não sou o Manoel Beato, que toma Bordeaux(zassos) todos os dias (invejinha…), mas eu sei, mas minha experiência média provando Bordeaux, como são as notas clássicas daqueles vinhos.

Como disse, tomei-o ontem e ainda restou um pouco na garrafa. Agora, neste momento em que escrevo, estou provando-o de novo, e ele está maior.

No nariz, de novo cinzas, carvão, cedro, bastante tabaco, chocolate amargo, flor seca, cereja marraschino, tudo bem denso e difícil de identficiar, de distinguir, já que os aromas são muito fundidos. Impressionante.

Na boca, está tudo fundido também: álcool, uma doçura, no sentido da textura, taninos fininhos de casca de cereja,  tabaco, uma nota de chocolate amargo muito discreta. Não é longo, não. É justamente aqui que . Mas é intenso e rico o  suficiente para causar um prazer imenso enquanto dura.

Eu comprei esse vinho num saldão. Um aluno meu me contou que esse é um vinho TOP, eu fui lá olhar na internet e a safra mais barata que encontrei, custava uns US$ 75,00 mais ou menos. Eu comprei a criança por menos de 50 reais. To deprê porque comprei poucas garrafas – só para as aulas. E uma estava estragada. Foi por causa dessa que eu não comprei mais. O mundo do vinho tem essas injustiças. Que triste. Vou lá terminar de tomar. A cada gole, ele fica mais lindo…

Novos perfumes do pacífico

2 de junho de 2010

Quando fui convidada para uma degustação de vinhos “top chilenos” na semana passada, confesso, fiquei com preguiça. Porque, convenhamos, o termos “top chilenos” pode ser compreendido como: vinhos ultra maduros, com muito aroma a goiaba, goiabada e eucalipto, muito tanino, muito álcool, pouco frescor e elegância e madeira até dizer chega…
…mas que bom que fui. Minha vontade de conhecer novos rótulos foi mais forte que meu preconceito e fui premiada com uma ótima surpresa. Perfumes florais, notas de incenso, cedro fresco foram alguns descritores novos para mim, que indicam que o Chile pode estar entrando numa outra onda, buscando mais elegância e frescor em seus vinhos “Top”. Degustei às cegas. Depois peguei a lista de vinhos e preços. Curioso como alguns vinhos ultra famosos, me pareceram grosseiros e enjoativos.
Algumas impressões.
 
1. Começa fechado, abre lentamente mostrando notas florais, toques de incenso e cedro fresco. Na boca é bem redondo e grande, taninos muito finos, bem fundidos, resultando numa textura cremosa e fresca, com um amarguinho lembrando chocolate amargo no final. Erasmo 2006 – Maule

2. Nariz limpo com toques de fruta fresca, toque de jaboticaba meio verde, um toque mineral que me fez lembrar aquelas pedras na praia, uva pisada e cedro. Na boca tabmé é grande e cremoso, já mais duro, com um toque salgado.  Sigla 4  2008 Maipo.
 
3. Floral, lembra um perfume, rosas secas. Tem toques da barrica também (baunilha, mas muito fresca). Na boca começa fresco, com ótima acidez, tem também um volume cremoso, de textura doce, mas com taninos muito firmes, grandes e não tão fundidos, deixando a boca um pouco seca e um toquezinho amargo, como chocolate amargo. Antiyal 2007 – Maipo.
 
 
4. Aroma de baunilha, um toque de frescor lembrando um sabonete de lavanda, toques florais com uma nota de violeta. Na boca é fresco, mais magro que o comum, mais elegante, com taninos firmes, bastante extrato com sabor a fruta, tudo se fundindo e derretendo no final, muito agradável. Ribera del Lago 2007 – Maule.
 
5. O clássico cheiro de goiabada aparece, num primeiro momento com notas mais frescas, depois me lembrou uma goiabada meio grelhada, com uns toques torradinhos. Na boca tem uma doçura na textura, muito gordo e amplos, com muito tanino, tudo bem exagerado, no melhor estilão “super-extraído”, atualmente, muito em voga. Domus Aurea 2006 – Maipo
 
 
6. Nariz um pouco fechdo, com toques tostados e de baunilha. Na boca, também tem um ataque doce e redondão, taninos muito finos, falta acidez, o final é xaroposo, meio doce, meio amargo, bastante entediante e enjoativo. Almaviva 2007
 
7. Voltam os florais, o toque mineral que me lembra aquele plástico novo, ou carro novo, não consigo definir. Toques de café verde, pão torrado, madeira recém cortada, as tudo bem discreto, nada exuberante. Na boca, tem textura doce, também falta acidez, tem muitos taninos, são muito firmes, com o final nada fresco, com uma certa doçura. Clos Apalta 2006 – Colchagua.
 
Estes dois últimos foram 2 argentinos apresentados, um pouco fora do tema.

Aromas de incenso, lavanda, muito intenso e perfumado. Na boca tem taninos firmes, finos e grudentos, com textura doce, depois de tomar, não dava nem para falar, de tão colada que as mucosas ficaram. Benegas 2005 – Finca Libertad.
Aromas de papaia, cedro e lareira, lembrando cinzas e, depois um toque de açaí. Na boca é enorme, quadradão, falta frescor de acidez, tem taninos de muita qualidade, fininhos, que se derretem no final da boca. Finalzinho amargo, lembrando café e choco amargo. Matilde 2005 – Lamadrid.

Todos os vinhos são importados pela Casa do Porto. http://casadoportovinhos.com.br/

Aulas de Vinho e Harmonização em Junho

27 de maio de 2010

clique na imagem para ampliar

 

Ameixa preta e tabaco.

9 de maio de 2010

Se você quer sentir esses aromas em um vinho, e gosta de regiões pouco conhecidas, vá de Petit Grealo. O vinho vem da Denominación de Origen espanhola de Costers del Segre, na Catalunha.Para conhecer melhor, vá aqui. A região tem 5 subzonas e este vinho é de Artesa, uma delas, noroeste da DO.

O interessante é que é feito só com uvas internacionais, Syrah, Merlot e Cabernet, mas não tem jeito de vinho fácil, internacional, feito para agradar. Tem um caráter catalão, mineral, denso e um pouco sisudo. Zero barrica. Só tanques de inox. Dá para ver a intensidade e boa qualidade da fruta.

No nariz, como bom catalão, é fechado no começo. Só se abre depois de horas. Ameixa preta e uvas passas é a primeira coisa. Depois surgem umas notas de chocolate amargo e tabaco. Às vezes aquele tabaco mais aromático de cachimbo, às vezes a nota do charuto já queimando. Couro, castanha portuguesa,e os minerais, tipo carvão.

Na boca é bem cheio, vertical (alto) por causa da boa acidez, taninos muito finos (como de chocolate amargo), em muita quantidade, então eles grudam bem, mas logo se derretem. Dá para sentir a proximidade com o mediterrâneo, o vinho tem calor alcoólico, é rico e apimentado. Ótima estrutura

A Alma de uma Vinha

5 de maio de 2010

Para entender um vinho, é necessário entender e conhecer a vinha e a viticultura de um local. Principalmente quando se trata de um vinho chamado Anima Vitis, que justamente significa, a alma da vinha. Não só significa isso, como transmite, pela sua qualidade, o respeito e o amor que a família Boscato, representada pelo Sr. Clóvis e sua filha Roberta, tem pela vinha. Depois de degustar o vinho e pensando um pouco na abordagem forte viticultural dos Boscato em relação a seus vinhos, pedi uma entrevista focada nesses aspectos viticulturais do que é hoje, segundo minha opinião, o melhor vinho brasileiro. Roberta Boscato, senhoras e senhores:

AC: Quando foi fundada a vinícola? Em 1983.

AC: Quantos hectares plantados em vinhas? São 13 hectares divididos em duas áreas de vinhedos. Vinhedo I, na encosta superior do Vale do Rio das Antas, com 5 hectares plantados e Vinhedo II no platô do Vale de 8 ha plantados.
AC:Que idade tem as vinhas?  Atualmente as mais velhas têm 15 anos as mais novas têm 6 anos, todas em produção.

AC: Estão todas em espaldeiras? Sim. Todas em espaldeiras, mas em densidades diferentes, conforme os diferentes áreas, tipos de solo e ano de plantio das videiras.

AC:Sobre que tipos de solos estão seus vinhedos? São solos Litólicos Eutróficos e Litólicos Distróficos, que variam na sua constituição, conforme a profundidade e declividade. São rasos e de origem basáltica, cujo o relevo varia de platôs a patamares de vertentes nas encostas do Vale. Há presença e variação de micronutrientes (magnésio, cálcio, manganês, boro, ferro, sódio, enxofre, etc..), são pedregosos, que variam de muito de profundidade numa média de 15 a 60 cm. A primeira camada de solo, de 5 a 10 cm é de origem orgânica formada pela decomposição da vegetação presente. Em muitos casos há afloramento de rochas.

AC:Que densidade de plantação vocês praticam e quanto produzem em média por vinha?

As densidades variam entre 7000 e 4000 plantas por hectare e a produção média por videira varia de 800g a 3 kg. Do Anima Vitis, em 2005 variou de 800g a 2 Kg.

AC: Estive em seus vinhedos há 2 anos mais e vocês nos mostraram seu sistema de irrigação, explicando que, ao contrário do resto da região, o lugar onde vocês estão é bastante seco.  Descreva um pouco o clima ao longo do ano. O clima é subtropical úmido, como todo o Rio Grande do Sul. O que varia muito são as condições climáticas do microclima dos vinhedos da Boscato. O microclima é basante diferenciado do resto do Estado e da Região, por ter invernos rigorosos, e verões muito quentes. Nossos vinhedos estão em uma localização privilegiada, a altitude e a exposição solar dos vinhedos propiciam condição maior de luminosidade e calor no verão. Aliado a isso a média de precipitação no período de primavera-verão é inferior a média da região, os solos rasos secam com mais facilidade, necessitando de irrigação em determinadas épocas do ano como no período de florescimento, entre outubro e novembro e no final safra, em março. Estamos em constante monitoramento do microclima, pois temos estação meteorológica própria. O sistema de irrigação é automático, sendo diferenciado para cada área conforme o tipo de solo e a necessidade das plantas em cada período. É importante salientar que o maior volume de precipitação no Estado do RS o corre no inverno e que essas variações de chuva durante o verão são freqüentes, sendo comum os períodos de estiagem, principalmente quando ocorre o fenômeno natural La Nina. O que varia em cada município ou microclima no nosso caso, pois Nova Pádua tem diferentes microclimas devido à condição de Vale, é a intensidade dessa estiagem, que em nossos vinhedos é severa, colocando em risco não apenas a uva, mas videiras, que quase foram perdidas em 2002.

AC:Exatamente onde ficam os vinhedos (localização, altitude)? Na encosta superior e platô do Vale do Rio das Antas, no município de Nova Pádua, Serra Gaúcha-RS.
AC:  Vamos falar do Anima Vitis. Quais são as variedades utilizadas e que idades têm as vinhas para o vinho. O Anima Vitis é  composto por 5 cultivares: Cabernet Sauvignon, Merlot, Ancellotta, Alicante Bouschet e Refosco. Em 2005, que é a safra do Anima Vitis o Cabernet Sauvignon tinha 9 anos, o Merlot 05 anos e o Ancellotta, Alicante Bouchet e Refosco 04 anos. O nome Anima Vitis significa alma da videira, já que esse vinho é o reflexo de todo o conjunto do terroir do vinhedo (solo-clima-videira) e do manejo do homem em todo o processo de produção das uvas e da elaboração desse vinho tão especial.

AC: Como foi 2005?

A safra 2005 foi muito boa porque em todas as fases da produção a videira. Ou seja, no inverno de 2004, julho-agosto, antes da poda das videiras fez muito frio, na primavera as temperaturas foram aumentando gradualmente, sem geadas bruscas, no verão fez muito sol e calor e no final da safra em março de 2005 a estiagem favoreceu a maturação completa das uvas.

É importante lembrar que na Boscato vinhos o monitoramento das condições de solo-clima-videira, é constante. As condições de temperatura, umidade do ar, radiação solar, ventos e umidade do solo, são aferidas, e com o armazenamento das informações, formam indicadores de desempenho que ajudam proativamente na seleção de uvas para cada linha dos vinhos Boscato ( Boscato, Reserva Boscato , Gran Reserva Boscato e Anima Vitis).

Os processos de vinificação, desde o recebimento das uvas ao envelhecimento em ambientes redutores, são controlados por equipamentos de precisão com perícia e sensibilidade. Os vinhos são amadurecidos em barricas de carvalho e envelhecidos nas garrafas em caves com as condições de luz, temperatura e umidade monitoradas. Degustações periódicas, obedecendo critérios próprios aliados a tecnologias enológicas mundias, conferem segurança na obtenção da maturidade adequada para cada safra.
AC: Falando um pouco de enologia, como produziram? Algum aspecto que você queira ressaltar da enologia? Segundo o diretor e enólogo da Boscato, Sr. Clovis em 2005 a safra excepcional as uvas em plena maturação, o solo e as condições climáticas adequadas e a produção limitada contínua por planta que a empresa adota, fez com que as 5 variedades vinificadas separadamente resultassem em vinhos excelentes.

AC: Como ocorreu o assemblage? O corte definitivo foi decido depois da fermentação, ou só de ver a fruta vocês já sabiam o que seria? O acompanhamento da qualidade das uvas além dos outros fatores é fundamental para a Boscato a cada safra. O corte definitivo foi feito depois da fermentação com o vinho pronto, de cada variedade.
AC: Barricas? O que usaram e quanto? Os 10.000 litros do Anima Vitis passaram por 13 meses de barrica francesa de tostatura média.


%d blogueiros gostam disto: