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Malbec do berço

23 de janeiro de 2012

Caçando trufas em Cahors. photo: http://www.pinotnow.com

Pimenta do reino…terra seca…café turco…vermute….açucar mascavo…flores secas…e os aromas se modificam e começam a se manifestar de novo. É assim que um vinho da uva Malbec, quando vem de sua terra natal, Cahors, se manifesta. A região fica no sudoeste de França. Completamente diferente dos vinhos da nossa vizinha Argentina – mais abertos, florais e “geleiosos”, os Cahors são a essência do lado negro deste vinho, que desde o século XII é conhecido como Vin Noir. (Basicamente, o que aconteceu – e deixou o vinho famoso – foi que Eleanor de Aquitânia, que era dali,  se casou Henry Plantagenet, que viria a ser rei da Inglaterra e o vinho ganhou uma super fama no mercado inglês como o Black Wine).

Malbec Ancestral

Black pepper…..dry earth…. Turkish coffee … vermouth. … Brown sugar….dried flower. Aromas change anda start all over again. That’s how a wine from the Malbec grape, when it comes from his native Cahors, manifests itself. The region is located in southwestern France. Completely different wines from our neighboring Argentina – more open, floral and jammy, the Cahors are the essence of the dark side of this wine, since the twelfth century is known as Vin Noir. (Basically, what happened – and the wine became famous – was that Eleanor of Aquitaine, who was from there, married Henry Plantagenet, who became king of England, so the wine became super famous in the English market as the Black Wine).

Não só o nome ele é negro. Os aromas que mostra são de coisas negras, interessante. Na boca, um porém: pode ser, na juventude, difícil: crocante e tânico como se comêssemos terra ou tomássemos as borras do café turco. Duro e com pouco extrato. No entanto, precisamos lembrar que este vinho se desenvolveu em uma cultura gastronômica onde a gordura e os sabores intensos dão o tom: os patos, ganso, o foie-gras, porcos, aves de caça, cogumelos de todos os tipos.

Not only in the name he is black. It has aromas are of black things, so interesting. In the mouth, one little thing, thoug: it may be a little harsh when too young: crisp, sandy texture and tannic, like eating earth or drinking the “mud” of Turkish coffee. Tight and with little fruitiness. However, we must remember that this wine comes from a strong food culture in which fat and intense flavors set the tone:  duck, goose, foie gras, pigs, game birds and mushrooms of all kinds to mention only a few.

O que pode parecer um vinho duro sem a companhia de comida, se revela assim que se encontra com ela. Quando tomamos o vinho sozinho, gengivas e céu da boca se ressecam e temos dificuldade até de falar (o que pode ser bom em alguns casos). Assim que comemos um prato rico e com gordura, é esse elemento que absorve os taninos (como se impermeabilizasse nossas mucosas) e deixa em evidência não só os sabores do vinho, como também os da comida. Às vezes tendo a ser ortodoxa e acho que o vinho tem que ser perfeito por si só, não deveria precisar de comida. Mas, a experiência me obriga a, diariamente, rever meus conceitos acabar com meus preconceitos. Este é um vinho que se expressa só com comida. Se bem harmonizado, com sabores fortes de trufas negras, pimentas negras, carnes de aves com forte sabor a caça, Cahors será, com certeza, seu vinho preferido para clássicos do sudoeste da França. Eu descordo com a descrição do site sobre o vinho “Têm perfumes sutis e fruta do bosque vivaz, emoldurados por bom frescor e taninos elegantes” mas o melhor que você pode fazer é provar o vinho e tirar suas próprias conclusões.

What may seem a harsh wine without food, really reveals itself as soon as it in fact meets food. When we drink the wine alone, gums and roof of the mouth dry out and we can hardly speak (which can be good sometimes). When we eat a plate of good and fatty food, it is fattines that absorbs the tannins and make not only the wines flavors more evident and smooth, as well as the food’s.

Sometimes I tend to be orthodox and  think the wine has to be perfect  itself, and should not need food. But my experience forces me daily to review my ideas and put an end to my prejudices. This is a wine that comes out better with food. If paired well with strong flavors of black truffles, black pepper, gamey poultry, Cahors will definetely be your favorite wine for classic southwestern Franch gastronomy.

I disagree with the importers description of the wine “Perfumes are subtle and lively fruit of the forest, framed by elegant tannins and good freshness.”, but, the best you can do is drink it and take your own conclusions.  

Um ótimo exemplo, o Château Lamartine, importado pela Premium

A Malbec no seu berço

25 de junho de 2011

foto: tsuredureofjohann.blog27.fc2.com

(to read in english, please, scroll down)

Tem notas de pimenta do reino, florais muito elegantes, é bem intenso, com um toque de couro novo. Na boca tem corpo firme, é cheio, frutado e rico, com muito tanino, bom frescor e comprimento médio. Esta é um expressão, acreditem ou não, da uva Malbec. Aqui no Brasil a conhecemos pelos vinhos frutados, exuberantes e fáceis de tomar produzidos na Argentina. Já em Cahors, de onde vem este vinho, e é berço desta variedade, ela mostra um lado mais tânico, mais apimentado e mais animal, não encontrado em nenhum outro lugar do mundo. Fica o convite para provar uma expressão original e dieferente do que é comum por aqui. O Château Pineraie é um clássico da região e este é da safra 2006, que está pronto, mas pode ficar melhor com um pouquinho mais de tempo. Na Tastevin.

Malbec in its birthplace

It has hints of black pepper, very elegant florals, it is very intense, with a touch of new leather. On palate it has a firm body, full,fruity and rich, with a lot of tannins, good freshness and medium length. This is, believe it or not, an expression of the Malbec wine. Here in Brazil it is known for its  fruity wines, exhuberant and easy to drink, produced in Argentina. While in Cahors, where this wine is from, which is the birthplace of this variety, it shows a more tannic side, more peppery and more animal, not found anywhere else in the world. The invitation stands to taste an original expression different from what we are used to. The Château Pineraie is a classic from the region, this is a 2006, which is ready, but can get better with a little more time.

Uma Aula sobre o Sudoeste – Cahors e Bergerac

8 de fevereiro de 2011

Meu querido aluno Vitor, formado sommelier profissional em nossa primeira turma aqui da escola, mudou de vida, mudou de país e encontra-se na França estudando mais sobre vinhos e, claro, degustando tudo que lhe cai às mãos. Portanto, de vez em quando ele compartilha comigo o que anda tomando e vou compartilhar com vocês o que ele está aprendendo. Ele manda um pouco da informação sobre a região e fala do vinho que tomou de lá. Por mais que não estejam disponíveis no Brasil, fica a dica do estilo para vocês provarem.

Cahors é uma apelação de 4200 hectares localizada a sudeste de Bergerac. A principal uva cultivada na região é a Côt, ou Malbec e algum Tannat. O solo desta região é argilo-calcário, como em alguns dos melhores terroir de Bordeaux e grande parte dos vinhedos ficam próximos dos terraços do Rio Lot. Essa região tem uma curiosidade, os vinhos mais frutados são produzidos mais próximos do rio, nas encostas mais baixas, as médias altitudes produzem os vinhos mais encorpados e carnosos. E nos terraços mais altos produz-se o vinho mais rico e de guarda mais longa e neste caso as encostas podem chegar até 300 metros de altitude.

Rigal Malbec – The Original – 2009

Cahors – Dordogne – França

Malbec (tinto)

Aromas: Cereja preta madura, geléia, groselha, baunilha.

Boca: Muito frutado e potente. Vinho encorpado, acidez fresca e agradável, taninos firmes e elegantes, álcool justo, persistência longa e frutada.

Típico Malbec, frutado e grande, mas surpreende pelo equilíbrio de acidez, fruta, taninos e persistência frutada longa e baunilha no retro gosto.

Bergerac é uma região gigante, com 13 apelações e aproximadamente 12.500 hectares de vinhedos cultivados, onde 55% são uvas processadas por cooperativas e 45% produtores independentes. De maneira geral a legislação das AOC’s de Bergerac são mais maleáveis do que em Bordeaux, porém nas AOC’s de Bergerac só são permitidos o plantio de até 3000 vinhas por hectare, enquanto algumas apelações de Bordeaux permitem até 6500 vinhas por hectare.

O solo de Bergerac é composto em sua maioria de areia e argila e seus verões são mais quentes que as áreas de Bordeaux mais próximas do Atlântico.

As principais uvas da região são as mesmas encontradas em Bordeaux, tanto para tintos (cabernet sauvigon, cabernet franc, merlot, malbec) quanto para brancos (semillon, sauvingnon blanc, muscadelle). As exceções são chenin blanc e ugni blanc.

Château Grinou – Cuvée des Moines – 2009

Bergerac – Dordogne – França

Merlot (tinto)

Aromas: Chocolate, ameixa, cassis, café, anis.

Boca: acidez viva, taninos firmes, pouca persistência, final amargo elegante (café).

Álcool quente.

Vinho muito jovem. Ainda estava evoluindo na garrafa. O carvalho não estava muito bem integrado com a fruta.

De maneira geral o vinho é muito similar aos vinhos comercializados com a apelação de Bordeaux Superior, porém é uma opção muito mais econômica e não necessariamente de qualidade inferior.

Sudoeste da França. Mais dele, por favor.

10 de setembro de 2010

Aula de quarta feira, tivemos a oportunidade de visitar duas regiões incríveis do Sudoeste da França. Cahors e Madiran. São pouco faladas, pouco conhecidas e às vezes menosprezadas, principalmente em se tratando de Cahors. Digo isso porque essa é a região berço da uva Malbec, que se expresse fenomenalmete desde o século XIII na região.

Ela é mais conhecida pelos vinhos argentinos que decidiram marketar que essa uva é deles e todos os meus alunos tiveram uma certa dificuldade em ouvir que não e entender que a Malbec vem de outro lugar fora de Mendoza e alhures. Comentei isto aqui.

Madiran é conhecida por seus vinhos míticos, sendo Montus, a expressão máxima da Tannat (nascida ali). O produtor, Alain Brumont, é famoso pelo domínio que tem da uva e da região, além de ser o responsável pelos avanços qualitativos dos vinhos dali nos últimos anos. Tomamos um vinho lindíssimo dele, o Torus. Abaixo a impressão dos dois.

foto: http://www.chateaupineraie.com - a safra degustada foi 2004.

Chateau Pineraie 2004 – Cahors

O Pineraie hoje está nas mãos da 6a geração, a Ane e a Emanuelle são quem tocam as rédeas por lá.
Ele vem de vinhas que estão sobre calcário, limestone, argila e marga. São rendimentos baixos, de 45-50 hectolitros por hectare. Tem 85% de Malbec e o restante é de Merlot. Tem uma passagenzinha por barrica, a maior parte de
madeira usada (70%).

Esta região, como dá para ver no mapa, é mais continental. A princípio teríamos um clima mais extremo, de invernos muito frios e verões muito quentes. No entanto, o rio Lot corta a região, temperando um pouco o clima.

Um aroma de folhas molhadas, de chão de terra bem umida (ai, lá vêm as piadas…), uma nota meio animal, que lembrava cavalo, uma fruta no fundo e umas notas de pimenta verde, tudo muito atraente.

Em boca tinha cremosidade, com muito sabor e extrato, perfumado no retrogosto. Só pecou um pouco no amargor no final e uma certa falta de acidez. Um toquezinho a mais de frescor e o vinho seria gigante – talvez uma safra mais jovem resolva isso, já que estamos falando de um vinho com 6 anos. No Club du Tastevin (http://www.tastevin.com.br/)
Tentamos com um Brie, mas o amargo do vinho com o amarquinho da casca do queijo, ficou impossível.
foto: decanter.com.br
Torus     2004
Aqui estamos no Madiran, região no extremo sudoeste da França, pertinho dos Pirineus. Em termos de clima, os verões são quente de dia, mas à noite dá uma refrescada. Os outonos são secos e os invernos bem frios.

Depois de anos fazendo vinhos intensos e que demoravam anos para amadurecer, Brumont quis trabalhar num conceito novo , buscando um vinho carnudo, mas atraente, frutado, sempre com profundidade.  Feito com 50% Tannat, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, dos melhores vinhedos dele (Montus e Bouscassé) só que de vinhas um pouco mais jovens, de até 15 anos.

Nariz muito rico, sem ser exuberante. Notas de bala de café (Toffee), um toque animal, serragem, carne tostada, cereja no álcool, bastante aromático.

Em boca é rico, cheio, com taninos muito intensos, mas finos, que se fundem na boca, deixando apenas o o retrogosto cheio dos aromas que sentimos no nariz, tudo bastante longo e rico. Na Decanter
Ficou interessante com o brie, como se seus taninos entrassem e se fundissem com a gordura, deixando o queijo com um sabor do vinho e vice e versa.


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