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Folha de São Paulo:

26 de agosto de 2016

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Vinhas velhas dão uma certa expressão intensa à taça.

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Vinhas velhas, vieilles vignes, viñas viejas, old vines — expressões que encontramos em alguns rótulos e que significam, para muitos produtores (principalmente na Europa) que há mais nobreza nos vinhos nascidos na velhice das vinhas que em sua juventude. Por isso mesmo estampam a expressão com orgulho em suas garrafas.

Mas será que vinhas velhas produzem mesmo vinhos melhores? Qual a diferença essencial em suas características? Há um fator crucial que separa as duas gerações: o sistema radicular de cada uma. As vinhas velhas, principalmente as que cresceram em regiões de solos pobres, áridos ou com forte drenagem, atingem grandes profundidades ao longo dos anos. Com isso, sofrem menos em caso de seca e não absorvem água em excesso (o que causaria uma diluição do vinho) em caso de chuvas na época da colheita. Ou seja, uma vinha velha é muito menos suscetível às variações de safras.

Outro fator importante que liga o comportamento das idosas em comparação às novinhas: volume. Vinhas velhas produzem naturalmente menos. E há uma regrinha qualitativa bem básica: menos quantidade é mais qualidade. Apesar de muitos outros fatores influenciarem qualidade do vinho, rendimento tem um impacto bastante direto.

Não que quanto menos você produz melhor vai ser o vinho. Há um certo equilíbrio nessa equação. Mas, de todas as maneiras, como as vinhas velhas rendem menos, podemos confiar em uma certa expressão mais intensa na taça.

Na Europa, vinhas velhas são divas. No novo mundo são respeitadas, mas não necessariamente veneradas. A questão é que em muitas regiões do novo mundo, atingem-se ótimos níveis de qualidade com vinhas novas. Há relatos de produtores europeus que têm vinhedos no novo mundo e que não conseguem explicar como conseguem atingir qualidade com vinhas de quatro, cinco anos, e em suas regiões de origem, é inconcebível obter um grande vinho com vinhas de menos de oito, dez anos.

Mas a última questão é: quão velha é velha? Não há nenhuma regulamentação em torno do emprego da palavra. Mais uma vez, depende de onde olhamos. No velho continente, produtores consideram velhas vinhas a partir de 30, 40 anos. No novo mundo, 20, 25 já são consideradas não tão jovens. Independentemente de quão velha, vale a pena provar os sumos de algumas dessas plantas já tão estabelecidas pelo mundo.

Pétalos del Bierzo 2013
Uma expressão potente de um terroir único no norte da Espanha. Muita fruta vermelha madura, notas tostadas, boca firme e cheia, com ótima acidez
REGIÃO Espanha – Bierzo
QUANTO R$ 196
ONDE Mistral, tel. (11) 3372-3400

Clotilde Davenne Saint-Bris Vieilles Vignes 2014
Muito cítrico, cheio de mineralidade e salinidade do extremo norte da Bourgogne. Boca picante, cítrica, quase salina. Pede ostras
REGIÃO França – Bourgogne
QUANTO R$ 195
ONDE De la Croix, tel. (11) 3034-6214

Odfjell Orzada Carignan 2013
Super perfumado, notas de incenso e especiarias, como páprica e cardamomo. Muito macio em boca, com taninos fininhos e ótima fruta
REGIÃO Chile – Valle do Maule
QUANTO R$ 161
ONDE World Wine, tel. (11) 3085-3055

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2014
Muita fruta vermelha, pimenta-do-reino, nota de mentol. Muito encorpado, cheio, volumoso e apimentado
REGIÃO Portugal – Alentejo
QUANTO R$ 110
ONDE Adega Alentejana, tel. (11) 5044-5760

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandracorvo/2016/08/1806224-vinhas-velhas-dao-uma-certa-expressao-intensa-a-taca.shtml

Listinha da Semana: 26 de agosto de 2016

26 de agosto de 2016

Vinhos encorpados

– Argentina Goulart W Malbec DOC 2013  – Wine.com.br
– Espanha Vinho Lagunilla Crianza  – Santa Luzia
– Alentejo Aventura Susana Esteban  – Adega Alentejana
Brancos versáteis
– Argentina Alamos Viognier 2014 (Catena Zapata)  – Mistral
– Periquita José Maria da Fonseca Peninsula de Setúbal 2014  – Pão de Açucar
– Pipoli Greco-Fiano Basilicata IGT Vigneti del Vulture – Wine Store
Rosé
– PROVENCE Domaine de Saint Ser Cuvée Tradition 2014  – Chez France
– BORDEAUX La Bélière Rosé de Baron Philippe de Rothschild 2014  – Wine.com.br
– CHILE De Martino Gallardia Cinsault Rosé 2014  – Decanter
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Listinha da Semana: 19 de Agosto de 2016

19 de agosto de 2016
EUA

– L`Ecole Semillon 2011 Columbia Valley  – Mistral
– Califoria Redwood Creek Chardonnay  – Wine.com.br

– La Crema Monterey Pinot Noir 2012  – Casa Flora
– BERINGER FOUNDERS’ ESTATE ZINFANDEL 2014  – Evino
– California Redwood Creek Cabernet Sauvignon – Wine.com.br
– Two Vines Shiraz Columbia Crest 2012  – Wine Brands
– Passo Robles Painter Bridge Cabernet Sauvignon 2012 – Decanter
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Folha de São Paulo: O Vinho da Sicilia pode ser levado a sério.

12 de agosto de 2016

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O vinho da Sicília pode ser levado a sério

FICUZZA, ITÁLIA, AGO-2011: Vinícola Cusumano, em Ficuzza, na Sicília. (Foto: Rafael Mosna/Folhapress, TURISMO) ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Vista da vinícola Cusumano, em Ficuzza, na Sicília

É impressionante pensar que uma região antiga como a Sicília, herdeira direta da viticultura e enologia da Grécia antiga, só passou a se levar (e ser levada) a sério faz poucas décadas.

Após séculos de produção consistente (mas muito volumosa), só podemos falar da produção do vinho siciliano como o conhecemos hoje, dos anos 1990 pra cá. Imaginem: só em 1946 a Itália foi unificada. Até então, tudo era latifúndio na Sicília.

Quando as terras foram divididas, pequenos produtores que receberam essas terras não sabiam muito o que fazer, a não ser vender suas uvas para casas produtoras de Marsala —até então o vinho mais importante da ilha— ou pra grandes cooperativas (as cantinas).

É assim que nos anos 1960 vemos explodir o movimento das cantinas e o plantio massivo da variedade Catarrato, até hoje a mais plantada da Sicília. No entanto, a administração dessas estruturas era feita por políticos preocupados com volume e não por produtores que se importavam com qualidade.

Não tardou para que esse sistema colapsasse, sem ter mercado para absorver tais volumes. Apenas sobreviveram cooperativas que se adiantaram na percepção e passaram a engarrafar brancos e tintos com marca própria. O “Rosso del Conte” da Tasca d’Almerita e “Duca Enrico” da Corvo Duca di Salparuta são ícones dessa era.

As terras, baratas no início da década de 1990, foram sendo vendidas para todo tipo de interessado: produtores locais, italianos com grana e conhecimento vindo de outras partes, e estrangeiros de terras tão longínquas quanto a Austrália.

Então assistimos à chegada de muitas variedades internacionais ao mesmo tempo que havia um cuidado maior com as variedades locais. Catarrato, a mais famosa e mais plantada, se bem trabalhada nas vinhas, pode dar um branco com notas de mel e cera de abelha. Inzolia é a que tem mostrado mais potencial, muito frutada e aromática. Carricante combina bem em corte e Grecânico é a mais ácida e pontiaguda de todas.

Em relação às tintas, Nero d`Avola é, sem dúvida, a variedade mais emblemática. Sobre o monte Etna, a região mais dinâmica da atualidade, Nerello Cappuccio e Nerello Mascalese são as mais importantes na composição dos tintos do vulcão. O resultado do calor que emana dessas terras negras, mas de altitude, são vinhos que aliam frescor, perfume e mineralidade, delicadeza e força, como seria de se esperar de vinhas que crescem nas costas de um vulcão.

Donnafugata Sedàra Rosso IGP 2011
Notas delicadas de morango não maduro, algo de terra e vegetal. Na boca é sequinho e tânico, pede um embutido com boa gordura
QUANTO R$ 160
ONDE World Wine; tel. (11) 3085-3055

Planeta Etna Rosso 2014
Muito perfumado, frutado, com notas defumadas e florais, parece um incenso de lavanda. Na boca é delicado com taninos finos e boa acidez
QUANTO R$ 205
ONDE Interfood; tel. (11) 2602-7266

Mandrarossa Costadune Nero D`Avola 2014
Meio achocolatado no nariz, perfumado com algo floral, cardamomo e café. Tem um amarguinho elegante em boca, uma nota picante, corpo firme e um final que lembra vermute
QUANTO R$ 63
ONDE La Pastina; tel. (11) 0800-721-8881

Regaleali Le Rose Tasca d’Almerita 2013
Nariz menos frutado, mais vegetal, com notas de legumes e tostados. Na boca é frutado e cremoso, cheio, mas elegante. Excelente pra vários tipos de comida
QUANTO R$ 130
ONDE Mistral; tel. (11) 3372-3400

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandracorvo/2016/08/1801428-o-vinho-da-sicilia-pode-ser-levado-a-serio.shtml

Listinha da Semana: 12 de Agosto de 2016

12 de agosto de 2016
Portugal
– Rapariga da Quinta Colheita Seleccionada Alentejo  – Imigrantes bebidas
– Sogrape Grão Vasco Dão  – Imigrantes bebidas
Espanha
– Yecla Castaño Monastrell  – Península Vinhos
– Rioja Viña Collada by Marqués de Riscal  – Todo Vino
Alemanda Riesling 
– Graf Neipperg Württemberg  – Vin D`Ame
– Franz Künstler Riesling Finesse  – Decanter
 
Itália 
– Barbaresco Suoi – La Morra  – Santa Luzia
– Carpineto Vino Nobile Montepulciano Riserva DOCG 2010  – Wine.com.br
– Chianti D.O.C. Ruffino  – Sonda Supermercado
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Listinha da Semana: 05 de julho de 2016

5 de agosto de 2016
França
– Chablis A.C.C J. Moreau & Fils Branco  – Santa Luzia
– Bourgogne Pinot Noir Pasquier Desvignes  – Sonda
– Bordeaux Les Tuilleries Rouge  – Premium Wines
– Alsace Métiss 2014 Domaine Bott-Geyl  – De la Croix
– Loire La Part du Colibri – Muscadet, 2014 – De la Croix
– Languedoc Pic St. Loup La Bergerie- De la croix
– Rhône CÔTES DE VENTOUX 2014 (OGIER)  – Vinci
– Côtes de Provence Elie Sumeire Rosé a La Ros  – Wine.com.br
– Cahors Château Lagrézette Malbec Purple  – Decanter
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Folha de São Paulo: O Mundo das uvas Autóctones

29 de julho de 2016

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O novo mundo das uvas autóctones

Não sei se vocês sabem, mas o mundo do vinho tem modinhas e tendências.

Pra vocês terem uma ideia, nos anos 1990, seguindo os trilhos da enologia supertecnológica criada na universidade de Bordeaux no pós-guerra e desenvolvida por várias universidades do mundo, os vinhos eram superextraídos, encorpados, muito concentrados e alcoólicos. As passagens longas por pequenas barricas de carvalho novo ainda adicionavam notas intensas de tostados, baunilhas, tabaco, chocolate e café.

Além do mais, todo mundo decidiu plantar as mesmas variedades de uva —que ficaram então conhecidas como “variedades internacionais”. Em sua maioria, variedades francesas cabernet sauvignon, syrah, pinot noir, merlot, chardonnay entre algumas outras.

Era cabernet sauvignon pra tudo que é lado, com sabores achocolatados e mega encorpados. Brancos de chardonnay fermentados em barricas novas a torto e a direito com notas amanteigadas que pareciam pipoca doce.

E apesar de a qualidade dos vinhos ter crescido de maneira vertiginosa, a verdade é que os vinhos ficaram todos muito parecidos. Um chardonnay da Umbria era igual a um da Borgonha e um cabernet feito no Maipo chileno poderia ter as características de um Bordeaux clássico. Legal, mas faltava identidade.

Esse tipo de vinho hoje já não predomina sozinho. Ele existe, é uma opção pra quem gosta do estilo, mas a boa nova é que surgem muitos outros estilos. E assistimos a uma busca por identidade que se satisfaz com o ressurgimento da produção de variedades autóctones.

Essas variedades, encontradas em lugares muito específicos, são todo um mundo a ser explorado. E pra nossa sorte —nós que gostamos de ter opções— produtores de várias regiões têm se empenhado em pesquisar variedades que ficaram pra trás, esquecidas e praticamente extintas.

Variedades que desapareceram seja por que eram difíceis de produzir, porque não rendiam muito volume ou simplesmente eram tão desconhecidas que era praticamente impossível apresentá-las ao mercado.

A Itália, sem dúvida, lidera essa nova cruzada, mas não está sozinha. Todos os países europeus têm recuado um pouco na evolução qualitativa x quantitativa. Hoje, prestam mais atenção à toda riqueza de sabores que essas variedades podem oferecer e menos com um retorno monetário imediato. Não basta o vinho ser bom, gostoso, bem feito. Uma boa história de queda e ascensão por trás de cada taça dá mais prazer a cada gole.

Duas Castas (Roupeiro e Alvarinho) Esporão 2015
Muito aromático com notas de pêssego, abacaxi e fruta madura. A boca é bem fresca e cremosa, é intenso com uma picadinha alcoólica saborosa no final
REGIÃO Portugal
QUANDO R$ 95
ONDE Qualimport; tel. 11 5181-4492

Lemberger Alemanha Herzog von Wurttemberg 2011
Frutadinho, cheiro de chiclete, tutti frutti, depois mostra umas especiarias como cardamomo e páprica. Acidinho, sequinho, magrela, bom pra beliscar comidinhas.
REGIÃO Alemanha
QUANDO R$ 130
ONDE Vin D`Ame; tel. 11 2384-6946

Rapsani Grand Reserve 2009
UVA Xinomávaro, Stavrotó e Krassáto
Perfumadão, com aromas de baunilha, caramelo, uma nota de cinzas, meio tostado, balsâmico. Muito cheio em boca, taninos bem fundidos e final achocolatado
REGIÃO Grécia
QUANTO R$ 132
ONDE Free Way; freewayecommerce.com.br

Puglia Cantine Due Palme 2013
Aroma que lembra maçã, pera e óleo aromático. Na boca é bem cremoso, com uma notinha de mel e final que lembra peras frescas
UVA Falanghina
REGIÃO Itália
QUANTO R$ 96
ONDE La Pastina; tel. 0800 721 8881

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandracorvo/2016/07/1795239-o-novo-mundo-das-uvas-autoctones.shtml

Listinha da Semana: 29 de Julho de 2016

29 de julho de 2016

Chardonnay

– Bourgogne Michel Bouzereau  – Cellar
– Chablis La Chablisienne Petit Chablis Pas Si Petit  – Todo Vinho
– Piemonte Franco Francesco – Vin D`Ame
– Portugal Setúbal Cova da Ursa Bacalhôa – Santa Luzia
– Austrália Down Under Chardonnay – Kmm vinhos
– Vale do Curicó Chile SANTA MARTHA CHARDONNAY 2015  – Evino
– EUA Ch Ste Michelle Grand Estates Chardonnay  – Wine Brands
– Africa do Sul  Neethlingshof Unwooded  – Wine.com.br
– NZ Hãhã Malborough  – Wine.com..br
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Listinha da Semana: 22 de julho de 2016

22 de julho de 2016

Cabernet Sauvignon do mundo

– FRIULI Fantinel Borgo Tesis DOC Grave 2013  – wine.com.br
– LANGUEDOC Domaine Petit Roubié IGP Hérault 2012  – Chez France 

– ESPANHA Castilla-La Mancha  Esencia de Fontava 2015  – Evino
– NZ Hawkes Bay Brookfields 2012  – Premium
– EUA Washington Grand Estates Columbia Crest 2013  – Wine Brands
– AFRICA DO SUL Namaqua 2012  – Kmm
– AUSTRÁLIA Hardys Stamp  – Inovini
– ISRAEL Yarden Golan  – Inovini
– HUNGRIA Gere Attila Barrique 2007  – Decanter
– ARGENTINA Bodegas Calia Signos   – Zahil
– CHILE Lapostolle Casa 2013  – Mistral
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Folha de São Paulo

15 de julho de 2016

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O irmão rápido de Brunello

Foi-se o tempo só de clássicos. Só de vinhão. Brunellão, Barolão, Bordeauzão. Ainda bem. Hoje muitos querem tomar o vinho logo, pronto, gostoso. Gostar de um não exclui gostar do outro, mas é bom ter opções.

Não faz muito tempo, a maioria dos bebedores “clássicos” torciam o nariz para o Rosso di Montalcino. Era visto, de certa maneira, como um primo pobre, ou um irmão magrela do nobre e grandão Brunello di Montalcino.

É que lá atrás no tempo, realmente as uvas usadas para o Rosso não eram as melhores. De vinhas mais jovens, de rendimento um pouco mais alto, podiam resultar em vinhos mais diluídos. Poucos produtores davam atenção ao Rosso, pois era relativamente fácil vender o prestigioso Brunello di Montalcino.

Os últimos anos foram desafiadores. Com o mercado global esfriando, a necessidade de ter produtos bons, com preços mais acessíveis, tornou-se cada vez mais urgente. As pessoas também já não querem mais esperar tanto pra beber um vinho. E o Brunello exige isso. O Rosso não.

Um pouco mais de atenção e cuidado às vinhas seria o suficiente para produzir um bom Rosso. Em Montalcino há clima e solos de qualidade, onde a uva Sangiovese Grosso (ali chamada de Brunello) está mais que à vontade.

Para fazer o Brunello di Montalcino, a regulamentação de rendimento é bastante baixa. A intenção é produzir um estilo concentrado e longevo. Mas pequenas produções encarecem o valor das uvas e do vinho. O Rosso não tem tantas limitações de rendimento e os vinhos resultam mais leves e refrescantes, ficam prontos antes, mas ainda tem o jeitão firme típico de Montalcino.

Os tempos mínimos obrigatórios de envelhecimento em adega para o Brunello também são bastante longos: pelo menos dois anos em barricas de madeira —mais um fator que pesa no valor final. O Rosso não tem isso: o vinho fica pronto mais rápido, ninguém precisa pagar pelo tempo de espera e isso o torna mais acessível.

Grandes vinhos, os clássicos, são ótimos, desde que feitos por bons produtores. São imponentes, longevos, complexos e nos fazem pensar. Mas não todo vinho precisa ser assim. Vinhos simples —desde que, também, sejam feitos por pessoas bem intencionadas— podem ser grandiosamente ligeiros frutados, divertidos e simplesmente suculentos com seu imediatismo.

Há momento para tudo. E não temos todo o tempo do mundo. Bebamos já.

Sasso Di Sole 2012
Cerejas bem maduras, uma notinha de pimenta do reino e algo de sândalo. Macio e fácil na boca, com uma picadinha alcoólica
QUANTO R$ 117
ONDE Vini Mundi; tel. (11) 98188-4800

Col d`Orcia 2012
Ameixa fresca, morango e um toquezinho de canela. Na boca tem corpo médio, cremoso e vinoso, com ótima fruta e taninos macios
QUANTO R$ 135
ONDE Franco Suissa; tel. (11) 5549-7599

Belpoggio 2013
Nariz não tão perfumado, com frutas vermelhas misturadas. Na boca é muito saboroso, frutado e tem uma acidez marcada, refrescante
QUANTO R$ 215
ONDE Sicilianes; tel. (11) 2372-7530

La Palazzetta 2013
Aromático, notas florais, cheio e com bom peso em boca, com final fresco
QUANTO R$ 189
ONDE Itália Mais; tel. (11) 3044-1116

 

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandracorvo/2016/07/1790691-o-irmao-rapido-de-brunello.shtml

 


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