Rolezinho no seu Vinho !

by

funk

Eu não ligo pra notícias… não tenho interesse particular por elas. Acho que ler é mais para ter o que conversar com as pessoas e eu não ligo tanto assim para conversar com as pessoas.

Não importa. Aconteceu que não parava de ouvir falar do “rolezinho”. Por algum motivo que se esquiva  totalmente à minha compreensão agora, me interessei. Fui atrás de textos e entendi. Mas não interessa minha opinião sobre eles.

No meio dos textos que li, achei algo como “funk ostentação”. Não sei por que cargas d’água, me interessei também e, encurtando a história, cliquei num vídeo.

Para meu delírio e gozo, no meio da música, cujas letras não consegui prestar atenção já que as imagens tinham força suficiente, vejo que nossos amigos, do clipe, o MC Pablo do Capão Redondo, tomavam espumante brazuca.

Sim, O MC Pablo e seus amigos jovens e a mulherada, “na madrugada, na pista, curtindo uma balada” lá do Capão, mandando ver no delicioso Chandon.

Quando eu postei o vídeo de funk no Facebook, inicialmente era pra provocar os marketeiros do “vinho” “brasileiro” que fazem um trabalho de pouca efetividade de divulgação.

Só que, de verdade, eu estava achando incrível que no vídeo do Capão Redondo, eles estavam tomando vinho. Mas algumas pessoas do mundinho do vinho no Facebook não curtiram tanto assim.

Uma, indignada, disse que se recusaria a tomar aquela marca de espumante de novo na vida dela.

Outro afirmou, categórico, “declínio”.

Os franceses, reis de ter opinião sobre tudo, acharam que as mulheres estavam sendo vistas como objetos. Que a linguagem era “uma insulta” (sic) à língua portuguesa. Que a marca de espumante não deveria permitir sua imagem ligada a algo tão “horrível”.

Invadiram seu mundinho do vinho, né?

Rolezinho no seu shopping de taças de cristal, borbulhas felizes e palavras pomposas.

Ousaram colocar o sua bebidinha de bacco, seu prazer preferido – a porra da “poesia engarrafada”  – no clipe funkeiro deles, onde a mulherada é gostosa, quente e molhada e prefere dar prum vocalista magrelo do que pra você que sabe tanto de vinho.

Vocês e seus amigos da confraria, todos finos, estudados e asseados tomam vinho, vocês têm esse direito.  Mas funk e sexo explícito, suor e música alta são coisas de pobre né amigão???  Que horrrrroooorrrr o vinho ali. Recalque vínico.

Você acha tudo isso nojento. Por que vinho é sagrado!

Então, vou te falar. Vinho não é sagrado. Foi bêbada de vinho que a humanidade aguentou até aqui. Foi bêbada de vinho que a humanidade organizou as surubas mais homéricas e cometeu as maiores cagadas.

Você não tem mais direito que ninguém sobre o consumo de vinho. Você não é melhor que ninguém. Vinho só existe pra UMA coisa: ser bebido.

Enquanto houver jovens – ou quem quer que seja –  no Capão Redondo – ou onde quer que seja, tomando vinho, eu vou acreditar que estamos a salvo. Enquanto houver babacas que acham que têm privilégio sobre a bebida, o mundo se manterá insuportável e só enchendo a cara de vodka com redbull pra aguentar vocês!

39 Respostas to “Rolezinho no seu Vinho !”

  1. Jessica Marinzeck Says:

    Vamos deixar mais popular, só que nem tanto! Oi?

  2. Lucas Cury Says:

    Genial, Alexandra! Esse tipo de pensamento elitista, como o da colega Jessica aqui em cima, é algo vomitante de tao nojento. Acho incrivel como a “classe alta” brasileira parou no tempo e mantém costumes e idéias proprias do século XVIII.

    • Lucas Cury Says:

      (correçao, eu também tinha mal entendido o comentario da Jessica!)

      Genial, Alexandra! Esse tipo de pensamento elitista é algo vomitante de tao nojento. Acho incrivel como a “classe alta” brasileira parou no tempo e mantém costumes e idéias proprias do século XVIII.

    • sommelierprofissional Says:

      não, Lucas. A Jessica tava sendo ironica. conheço bem ela, dá uma olhada na conversa que se segue. obrigada por ler e divulgue!!

  3. ttpdotcomPedro Says:

    Vinho, champagne, espumantes, licores, cervejas, o que for. Se for para apreciar tem de ser com moderação se for para encharcar tanto faz a qualidade. O figado é seu.
    Popular, claro, todos têm direito a apreciar as belezas produzidas pelo homem com a ajuda da natureza.
    A vantagem da “popularização” do vinho é que poderemos ter acesso à qualidade por preços mais baixos.
    Agora importante é que ninguém é obrigado a ver os outros “estragar” as bebidas que tanto gostamos.

  4. Cristiano Says:

    Quando vcs falam em popularizar é tornar os vinhos conhecidos ou acessiveis ou as duas coisas?

  5. Simone Catto Says:

    Ui! Estourou a boca da garrafa, Alexandra! rs… Gostei de ver! Excelente texto.

  6. Ana Regina Says:

    Adorei o Texto !
    Meu primeiro porre na vida (tenho 45 anos) , foi ano passado , após começar a tomar vinho ! Porra que delicia rsssss
    Aí vou eu tomar outro de Chandon e me chamam de dondoca , que sou fina , que onde já se viu tomar porre de espumante …..
    Queria entender …
    Só pode tomar Chandon quem é rico ? fazfavor….

  7. barcinacozinha Says:

    Alexandra, sensacional !

  8. Carolina Cruz Says:

    Alexandra, sou sua fã.

  9. irene lima Says:

    Que o sabor de um bom vinho seja compartilhado por todos, em qualquer lugar e sem preconceitos!!

  10. Ensei Neto Says:

    Muito bacana seu post!
    Na verdade problemas acontecem quando as pessoas começam a “se achar”… Foi coincidência, pois estava conversando com uma amiga sobre isso e ela mencionou seu post.
    O “se achar no direito de” é sempre o mais chato de todos…
    Gostaria de compartilhar, se puder, Alexandra!

  11. barcinacozinha Says:

    Vinho não é para ser exiBIDO e sim beBIDO !

  12. Leticia Massula Says:

    Adorei!🙂

  13. Roberta Malta Says:

    Adoro!

  14. mnabsdjg Says:

    Que infeliz a afirmativa deste cidadão “Eu não ligo pra notícias… não tenho interesse particular por elas. Acho que ler é mais para ter o que conversar com as pessoas e eu não ligo tanto assim para conversar com as pessoas.”… Parei de le-lo nesta última aspas

  15. Ionara Says:

    Adorei seu artigo! Você é demais Alexandra Corvo.

    Ionara Vieira

  16. Marina Diniz Says:

    Nem sei se quero entender..mas nada é assumido. O ”cantor” latino embalou a festa da socialite carioca Beatriz Barata no Copacabana Palace. Essa mesma elite frequenta festa de peão boiadeiro. O que impera mesmo em tudo isso é o preconceito. Enfim, tudo desprovido de naturalidade e humor.

  17. Paulo Ricardo Chenquer Says:

    Alexandra, bom pra cacete…saúde!

  18. Alexandre Costa Says:

    Já a admirava por seus profundos conhecimentos sobre o mundo do vinho. Teóricos e práticos: de um bom senso impressionante. Agora ainda mais! Vivas para vc! Post digno de ser lido e sorvido de novo!

  19. vanessa furiati Says:

    clap clap clap!!

  20. Rodrigo P Rodrigues Says:

    Alexandra, tdo bem?
    Interessante ler a reação de cada um, no face; afinal, se fosse assim este seu texto não teria tido tantos e tantos detalhes.

    Eu ainda fiz uma leitura: ué, porque acham que quem mora no Capão Redondo não toma vinho? Talvez porque lá seja periferia e muitos pensam que só moram gente sem cultura, sem identidade! Afinal, devem pensar, vinho e aquela gente não harmonizam.

    De uma discussão, que eu entendi, que era: olha os caras divulgando o vinho de um jeito X e acho eu sem ganhar $$$$ por isto,virou meio que uma discussão, por parte de outras pessoas, tipo de classe social,do tipo: aquele povo do Capão Redondo; ou ‘raça de dementes’ como um mesmo citou.

    Muitos ao invés de disseminar o consumo da bebida, atrapalham falando um monte de tolices.
    Enfim, o nosso consumo pífio se dá não só pela ganância do governo (impostos) e dos importadores e o resto da cadeia(altíssimas margens), mas também por alguns disseminadores de opinião darem a entender que tomar vinho tem que ser entendido, tem que encontrar todos os aromas que eles descrevem (muitos até nem comum aqui no Brasil), que tem que estar na fina estampa, tem que ser em lugar “chique” e pra ser bom, tem que ser acima de sei lá, R$ 200.

    Então quando me deparo com um texto assim, me identifico. Está alinhado com o que eu também acredito.

    Tomara que sobrevivamos imunes!

    Abraço

  21. Brigida Salgado Says:

    Muito interessante e coincidente com o que postei hoje no meu blog: http://brigidasalgado.blogspot.com.br/

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