Merlot (zinho)? (Folha de SP)

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Merlot (zinho)?

Não é incomum, quando pensamos em tomar um tinto leve e despretensioso, soltar, entre amigos “que tal um merlozinho”? Como se todo vinho feito com esta uva fosse igual. E como se, o que é pior, os vinhos da uva merlot fossem de fato tão leves. Longe disto.

Assim como todas as uvas, o estilo do vinho vai depender muito de onde ele foi produzido, ou seja, sua origem natural e, por outro lado, dependemos muito da mão do enólogo. Geralmente, os mais cuidadosos produzem estilos expressivos e concentrados, muitas vezes capazes de envelhecerem por anos em garrafas.

Com a merlot não é diferente. Em seu berço, a região de Bordeaux, ela brilha principalmente à margem direita da Gironde, em St. Émilion e Pomerol, onde dá estilos florais intensos, com aromas muito frutados, de taninos firmes, finos e paladar rico, apesar de gentil e nada duro.

Tendo a crer que a fama de leve dos merlots tenha vindo do fato de ela ter ficado muitos anos à sombra de sua irmã mais famosa, a cabernet sauvignon, que aparece como protagonista em Bordeaux, mas do lado esquerdo do rio, onde também grandes vinhos são feitos, mas num estilo mais duro e seco.

No norte da Itália, onde ela está longe de ser novidade – há registros de seu plantio de maneira consistente desde o início do século 18, mas ela talvez já estivesse por ali mesmo antes. Ali, seu estilo é mais seco, mineral, menos frutado, e de taninos mais firmes e acidez mais pronunciada.

Nos países do novo mundo, é plantada do Chile à Nova Zelândia, passando pela Argentina, Africa do Sul e aqui, no Brasil, onde tem, aí sim, um lado mais delicado e fácil.

No caso de regiões mais quentes, o vinho é mais frutado e denso. Nos climas mais frescos, a fruta delicada aparece, a acidez se mantém evidente e a fruta em boca também.

Não há razão para crer que a merlot seja apenas uma uva para vinhozinhos fáceis. Prová-la em suas diferentes versões é um exercício de humildade e respeito.

Poggio del Sasso Merlot Toscana 2011
Bem intenso, frutas negras e violeta. Denso, tânico, picante, bem frutado.
QUANTO R$ 61,00
ONDE W&WWine, tel. 0/XX/11 3467-8055

Château Lamartine Côtes de Castillon 2008
Bem frutado, intenso. Taninos firmes, mas gentis
QUANTO R$78,60
ONDE Premium, tel. 0/XX/11 2574-8303

Vallontano Reserva Merlot 2007
Fruta bem madura, tabaco e algo de canela. Boca delicada, muito redonda com taninos fundidos.
QUANTO R$ 59,90
ONDE Mistral, tel. 0/XX/11 3372-3400

Viña Tarapacá Reserva 2011 – Frutas negras e algo de baunilha
Boca cremosa, com taninos duros e muita fruta
QUANTO R$ 33, 50
ONDE Santa Luzia, tel. 0/XX/11 3897-5000

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2 Respostas to “Merlot (zinho)? (Folha de SP)”

  1. ana Says:

    Exatamente…merlozinho é a sua ignorãncia!

  2. Alexandre Abreu Says:

    É engraçado como se cria alguns mitos neste meio…é o mesmo que falar que os vinhos mais doces são “vinhos suaves”
    Sempre ouço muita gente que não conhece de vinho optar por esssa uva justamente por acreditarem que ela salva qualquer recepção.
    E como diria lá pelo Twitter #oremos rs

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