Estudando na Bourgogne – parte 1

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Estudando na Bourgogne – parte 1

Degustando o terroir – ao fundo, um pedaço do solo de Chablis.

 

Hoje, segunda-feira, 9 de Julho, começamos o curso de formação para Instrutor Oficial dos Vinhos da Bourgogne.

Nossa primeira aula tivemos o prazer de estudar com Jean Pierre Renard, um dos maiores professores da École des Vins de Bourgogne.

Ele nos passou a história da Bourgogne, que tem documentos desdes 312 que descrevem a história da região, apesar de sabermos que a vinha estava aqui desde muito antes.

Pudemos estudar também a classficação da Bourgogne e os complicados conceitos de Climat e Lieu-Dit.

A grande diferença é que o Lieu-Dit é a unidade geográfica, topográfica e cadastral dos pedacinhos de terra com vinha. Cada um leva seu nome. Um Climat pode conter vários Lieux-dits, mas é o Climat que dá nome ao vinho e é ele que está classificado como Premier Cru ou Grand Cru, poranto é seu nome, e não o do Lieu-dit, que aparece no rótulo. Algumas vezes podem coincidir, outras, não. O conceito de Climat é a base do sistema de AOC, pois ele diz “este vinho vem deste lugar”. Mesmo havendo apenas uma uva tinta e uma branca – com algumas poucas exceções – não podemos dizer, na Bourgogne, que estamos tomando um Chardonnay ou um Pinot noir já que, cada pedaço de terra dá resultados diferentes. E, mesmo dentro de um mesmo climat, temos vários produtores que podem fazer vinhos diferentes segundo sua percepção do que é melhor.

Atravessamos a geologia antiqüíssima da Bourgogne, formada no período jurássico, quando a França era um grande mar cheio de seres vivos que deram origem ao que é o solo hoje da Bourgogne. A topografia, toda de encostas voltadas ao leste, resultou de uma grande falha geológica que deu a forma às encostas hoje encontradas na região.

Para entender na prática as diferenças entre os diferentes níveis de Appellation d’Origine Controlée, tomamos 4 brancos (de chardonnay, claro): um Bourgogne Blanc – Appellation Regionale, um Chassagne-Montrachet, Appellation Comunale (que leva o nome da cidade), um Premier e um Grand Cru da mesma cidade.

Bourgogne Blanc 2009 – M. Picard – fruta exuberante, um pouco exagerada para o estilo da Bourgogne, com bastante álcool. Na boca tem boa acidez, bastante meio de boca, é cheio e frutado, dando a impressão de quase estar passado. O professor disse que já mostrava algumas notas de oxidação.

Chasssagne-Montrachet 2009 – A. Gambal. – Bem tostado, notas de amêndoas, boca firme, estruturada, lembra café no final, com bastante gordura.

Chassagne-Montrachet 1er Cru “Les Baudine” 2009 – G. Jouard – bem floral, com notas de jasmim e um toque de pedra. Na boca é cremoso, tem um toque fresco, final tenso com retrogosto de baunilha.

Criot-Bâtard Montrachet Grand Cru 2007 – R. Belland – bem tostado, um toque lácteo, um pouco fechado. Na boca é fresco, um pouco duro, ainda desajeitado, precisa de tempo em garrafa para mostrar todo o potencial.

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