Clima quente, clima frio

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Hoje em dia é bem comum consumidores de vinho se referirem ao vinho baseando-se em sua uva. Digo hoje em dia porque há uns poucos 10, 15 anos era bem mais comum ouvirmos: tomei um Bordeaux, tomei  um Brunello, gosto de Borgonha ou não gosto de Barolo. Já hoje, ouvimos mais: “tomei Cabernet Sauvignon” ou “não gosto de Pinot noir”, como se a uva fosse o único fator determinante no estilo do vinho. É verdade, cada uva tem tendência a dar certos grupos de aroma e uma estrutura de taninos e de acidez. Mas não é só isso.

A variação de estilo conforme solos e clima é muito importante –entre outros fatores, como o rendimento de produção e produtor. Vinhos feitos com a mesma uva em diferentes climas do mundo terão estilos completamente diferentes. Em geral, regiões de verões (época do amadurecimento da uva) muito quentes darão vinho mais alcoólicos, com acidez e frescor menos evidentes. Isto porque o calor na época do amadurecimento faz com que as uvas fiquem mais açucaradas e justamente essa quantidade maior de açúcar se transformará em níveis maior de álcool. E esse calor a mais também gera uva com menos acidez, que será menor no vinho também. Já em climas mais frescos, o acúmulo de açúcar é menos intenso, os vinhos mantêm melhor a acidez e ficam menos alcoólicos.

Sem falar da parte aromática. Nos climas frios, as notas mais frescas, mais verdes, primárias das uvas predominam. No calor, com o amadurecimento intenso das uvas, o resultado aromático baseia-se nas frutas mais maduras, notas mais de geléias e até de compotas.Pudemos degustar este efeito isto numa prova feita aqui na escola, com dois vinhos feitos à base da uva Sauvignon Blanc.

Hot Climate, cool climate

Nowadays it is quite common wine drinkers refer to wine based on the grape. I say today because there are a few 10, 15 years was much more common to hear: I had a Bordeaux, I drank a Brunello, I like Châteauneuf or I don’t like Bourgogne. But today, we hear: “I like Cabernet Sauvignon” or “do not like Pinot noir,” as if the grapes were the only determining factor in the style of wine. True, each grape has a tendency to give certain groups an aroma and tannin structure and acidity. But it’s not that simple.

The change of style according to soil and climate is very important, among other factors such as the yield of production and producer. Wines made ​​from the same grape in different climates of the world have completely different styles. In general, regions of hot summers (when grapes mature) will produce wines with much more alcohol and acidity or freshness. This is because the heat at the time of ripening makes grapes become more concentrated in sugar. It is precisely this larger amount of sugar that will turn into higher levels of alcohol. And that extra heat in climate also generates grapes with less acidity, so the wine will have less freshness. In cooler climates, the accumulation of sugar is less intense, the wine’s acidity is better maintained and they are less alcoholic.

Not to mention the  differences in wine’s aromas. In cooler climates, fresher, greener, fruitier and primary perfumes are more evident. When too hot, the aromas also become riper, so we’ll have a riper fruit side to the wine, jammier, more confit. We were able to feel perfectly that effect on wine in a tasting we had here at the school. We had 2 wines, both from Sauvignon blanc, but from very different places

Um, do vale do Loire, a Pouilly Fumé, região tipicamente fria de clima continental – marcado por verões secos e ensolarados, mas com noites muito frias, invernos idem. O outro era da África do Sul, de verões muito mais quentes. O resultado: O Pouilly-Fumé, do Loire, tinha notas cítricas de tangerina, maracujá e manga verde. Na boca, tinha um toque de acidez, era cremoso, bem saboroso, com boa fruta, mas uma pegada alcoólica.  Na verdade, não era tão tipicamente clima frio como esperaríamos. Talvez, comprando um vinho desta região, eu ia esperar algo com melhor acidez.

One was from Loire valley, a Pouilly Fumé, a typically cold region, a classic continental type of climate, which means dry summers during the day but very cold nights, and also very cold winters. The other one came from South Africa, which has mainly hotter summers. The results is that Pouilly-Fumé had citric notes, a touch of mandarin, passion fruit and unripe mango. In mouth it had a touch of acidity, it was creamy, flavourful and fruity and a extra touch of alcohol. Actually, it wasn’t that typical expression of cool climate as one would expect. Maybe I would expect more acidity from this region.

Mesmo assim, comparando este com o o sulafricano, dá para ver a diferença. O sulafricano tinha notas muito maduras, mais explosivo e exuberante, com notas até de frutinhas vermelhas, de amoras, meio tutti frutti e um toque floral. Na boca, um pouco pesado, frutadão e alcoólico, sem chegar a ser defeituoso, mas sem elegância. O retrogosto não contribuiu muito por causa do gostinho de leveduras um pouco amargo. Claro, se bebemos sem prestar atenção, ele pode ser agradável, mas destrinchando bem, faltou integração e um certo acabamento.

Still, comparing it with the South African, we could notice the difference. It had a lot of very ripe fruit aromas, it was explosive on the nose, even with some raspberries, a little strawberry bubble gum touch and some flowers. In mouth it was kind of heavy, very fruity and alcoholic. It wasn’t totally unbalanced, but it wasn’t very elegant. It had some ferment in the aftertaste that made it bitter. If we drink it without paying much attention, it was ok, but looking closely, it lacked integration and good finish.

Por isso, na hora de escolher seu vinho, é importante ter pelo menos uma noção de onde ele vem. Escolher pelas uvas dá uma boa dica, mas, como disse, não são definitivas no resultado final.

This is why when you are going to buy wine, it is good to at least have a notion where it comes from. Choosing by the grape gives us a good hint, but, like I said, they are not definite at the final style of wine.

Ps: durante a aula, um dos meus alunos tinha um Aplicativo para iPhone da Wine Spectator. Ele deu uma olhada e os textos correspondiam bastante ao que vimos. Na região dos Sauvignon Blanc do Vale do Loire (Sancerre e Pouilly-Fumé) a safra foi difícil, cinzenta, as uvas não amadureciam até que POW! de repente um calor horrivel amadureceu tudo meio de repente. Por isso o álcool sobrando um pouco e as notas mais tropicais. Para a África do sul, fazia sentido também, pois o aplicativo diz que o final do período foi bem quente, apesar da temporada difícil. No entanto, refere-se a África do Sul, de maneira geral, o que não dá para generalizar pois, sabemos, o país é cheio de pequenos micro-climas.

Recomendo o aplicativo – não se resume a pontuações: tem pequenas explicações. De todas as maneiras, checar mais de uma fonte é sempre uma boa pedida se você quiser saber a fundo sobre o tema das safras.

Ps: during the class, one of the students showed us his Vintage Chart App from Wine Spectator. According to the apps info, what we tasted was pretty coinciding with climate facts. In Sancerre-Pouilly Fumé region, the vintage was difficult, grey and the grapes wouldn’t get ripe until Pow! all of a sudden, an Indian Summer hit the vineyards and made everything ripe, maybe too ripe, as we felt in our wine. For South Africa, the app said it was very hot but also with a difficut season. It kind generalizes the whole country, though, so it’s not accurate, since South Africa has a lot of different micro climates.

I recommend the app because it doesn’t have only a rating system with numbers, it also explains what happened,  which is pretty interesting. But it is always good to have more than one source when researching vintages more deeply. The wines were:

Os vinhos. Pouilly-Fumé 2008 Fournier Père et Fils na Premium

Porcupine Ridge Sauvignon  blanc 2010 na Mistral

Uma resposta to “Clima quente, clima frio”

  1. Punto Pizzabar Says:

    Elucidativo!

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