Shiraz Syrah

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É ótimo degustar às cegas, ficamos livres dos malditos preconceitos e mais abertos às sensações que os vinhos causam, em vez de pensar em seu rótulo ou preço. Pude provar nesta semana dois rótulos de syrah de duas regiões bem distantes que mostraram grandes atributos e conseguiram me confundir.

Sabia que um era da Califórnia e o outro de Crozes-Hermitage, do vale do Rhône. Achei que acharia fácil a característica mais de violetas e mineral do francês e do americano esperaria uma fruta mais exuberante e menor acidez já que, apesar de o clima de lá ser mais fresco, é normal encontrar vinhos vinificados para atingir altos níveis de álcool.

It’s great tasting blind, we are free of prejudice and free from stupid prejudiced, so we get to be more open to the sensations that wines cause, instead of thinking of its label or price. I tasted this week two labels of syrah from two regions far apart that showed great attributes and got me confused.

I knew that one was from California and one from Crozes-Hermitage, Rhône Valley. I thought I would find easily the  more violety and mineral French style and epected the American to have more exuberant fruit and less acidity since, although the climate of Sonoma is pretty   cool, it is normal to find wines with high levels of alcohol.

O primeiro tinha um toque meio terroso, algo também de fumaça, parecia um pouco pedras quentes. Atrás desse aroma, tinha muita fruta, geléia de framboesa, de cereja, super perfumado e elegante com uma certa força alcoólica que só dava mais intensidade aos aromas – não era deselegante. Na boca, também muito sabor à fruta, com taninos super fininhos e fundidos, ótima acidez, tudo bem integrado, extremamente agradável e fácil de beber. Por causa dessa nota no nariz meio mineral e a elegância com boa acidez na boca, meu (maldito) preconceito me levou a crer que poderia este ser o francês.

O outro tinha muito mais fruta madura, bem exuberante. Na boca tinha algo menos de acidez, era mais cheio, taninos mais firmes, também com boa acidez, mas tudo um pouco menos integrado, como se cada coisa estivesse lá – taninos, fruta, acidez e álcool, mas ainda não se fundiram. Com alguns minutos, apareceu a tal da violeta, que associo muito aos vinhos do norte do Rhône quando ainda são jovens. E o nariz foi abrindo também, para uma certa pimenta do reino, umas frutas mais frescas, mas sempre denso e exuberante. Desisti de tentar adivinhar.

The first had earthy, smokey side, reminded me a little of hot stones. Behind this aroma, it had plenty of fruit, raspberry jam, cherry, super fragrant and elegant with a certain alcoholic strength that only gave more intense flavorings – it was not unbalanced. In the mouth, lots of fresh red ripe fruit, with super thin and melted tannins, great acidity, all well integrated, extremely pleasant and easy to drink. Because of this mineral notes and good acidity and elegance in the mouth, my (damn) prejudice led me to believe that this could be the French.

The other on had lots of ripe fruit, and was so lushious. In the mouth had less acidity, was fuller, firmer tannins, also with good acidity, but a little less integrated, as if everything was there – tannins, fruit, acidity and alcohol, but not yet well merged. Within a few minutes, this flowery, violet aromas appeared, which I associate a lot to the northern Rhone wines when they are young. And the nose was also opened for some black pepper, some fresh fruit more, but still dense and lush. I gave up trying to guess.

O resultado foi que o primeiro era o da California e o segundo do Rhône. Os dois são excelentes exemplares da uva, a preços bem diferentes e até com funções diferentes. O Californiano, durante seu tempo na taça, se manteve frutado e delicioso, ficando cada vez mais fácil de tomar, sem nunca ser pesado. O francês foi mostrando cada vez mais aromas e a boca se manteve ainda apertada e firme. Eu tomaria o californiano num churrasco num dia não muito quente e o Crôzes-Hermitage eu comeria também com uma carne, mas talvez alguma carne que tivesse um molho com uma pegada adocicada, uma redução de frutas (de uva talvez), algo de cogumelos, enfim, acho que para tomá-lo agora, um prato com estas características ajudaria. O que acontece também é que ele ainda pode ganhar muito com um certo tempo em garrafa. Daqui a algum tempo, estará completamente diferente.

The result was that California was the first and second from Rhône. Both are excellent examples of this variety, the prices very different and, of course, they have different “functions”. The Californian, while in the glass, remained fruity and delicious, becoming easier to drink, without ever being heavy.

The French one was increasingly showing  more and more aromas and  still remained tight and firm in mouth. I’d drink the Californian one with a good barbecue in a not so hot day and, with the Crozes-Hermitage, I’d also eat meat, but maybe some meat with a sauce that had a sweet side, a reduction of fruit (grape perhaps), something of mushrooms, because to drink it now, a dish with these features would help. It can still gain much from a certain time in the bottle. In a while, it will be completely different.
O Syrah de Sonoma é o Fox Brook e você o compra por excelentes R$ 49,00 na Wine Experience

O Crôzes-Hermitage é do Jean Luc Colombo, “Les Fées Brunes” e está à venda na importadora Decanter

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4 Respostas to “Shiraz Syrah”

  1. georgia mantovani Says:

    É, terei que degustar os dois, tamanha a curiosidade.
    Abraços

  2. Pérola Cho Says:

    Fiquei curiosa pra provar, Alexandra…Especialmente porque achei q o toque terroso seria do Syrah francês e o resultado da sua degustação foi exatamente o oposto…
    Vou provar…e depois te digo…

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