Um passeio em Paso Robles

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Venice beach, no caminho para Paso Robles

Passei uns dias na California mas não consegui visitar tanto os vinhedos quanto eu gostaria. De todas as maneiras, consegui dar uma passada em uma zona vinícola cujos vinhos me agradam bastante: Paso Robles. Em geral, sempre considerei vinhos um pouco mais frescos e menos alcoólicos que Napa e o fato de a região ser menos conhecida sempre acaba garantindo um valor de vinho interessante e com boa qualidade.

Uma das razões pela qual Paso Robles às vezes passa desapercebido nos roteiros de viajantes vinícolas é o fato de a cidade não estar perto de nenhuma grande metrópole. Napa Valley está pertinho de São Francisco, por exemplo, o que ajuda bastante na hora de trazer turistas. Paso Robles fica a umas 2-3 horas de carro de Los Angeles, a cidade grande mais próxima. Daí a tranquilidade local. Tranquilidade que alguns locais prezam: não quero que viremos Napa, aquela disneylândia de vinhos. Prefiro ficar mais “low-profile” me contou Ben Mayo, enólogo da Eberle, tradicional vinícola – e uma das mais antigas – da região. Antes de visitar a Eberle, passei na Villa San Juliette, onde Adam LaZarre, o enólogo, me recebeu para provar alguns vinhos.

Pude provar um vinho pessoal dele, que não tem a ver com o Villa. Um Sauvignon blanc do vale Edna, regiãozinha fria, de clima quase continental perto da baía de San Luis Obispo. O vinho tem o nome do enólogo, LaZarre e é super bem feito e relativamente refrescante. Relativamente porque geralmente associamos o Sauvignon blanc de climas frios com alta acidez e aromas de frutas muito frescas, quase verdes. Neste caso, no entanto, os aromas eram de frutas tropicais mais maduras. A boca era bem cremosa, cheia, quase doce e com pouca acidez, apesar de sim, ter algo de frescor.

Da divertida linha Fat Monk (“monge gordo”), pude provar um Riesling e um Chardonnay. O Riesling era perfumado, com uma nota de pêssego e até um toquezinho de óleo – que muitos associam ao Riesling, mas na boca era uma caricatura mal feita de algum exemplar pitoresco alemão. Doce, flácido, curto, triste. O Chardonnay também tinha uma graça no nariz, um toque tostado e com frutas bem maduras, tipo um abacaxi em calda mas pecava na boca pela falta de acidez e ex

Enólogo Adam LaZarre e seu "Fat Monk"

cesso de álcool.

Dentre os tintos, não encontrei vinhos menos alcoólicos como tinha na memória que Paso Robles oferecia. Por serem jovens (todos de 2009), ainda estavam todos fechados no nariz. Na boca, muita potência, muito álcool, muito tanino. O Cabernet Sauvignon tinha um toque de tabaco doce, muito chocolate, que o enólogo disse adorar e algo de pimenta do reino. O Petite Syrah tinha notas interessantes de ervas secas e algo floral. Um pouco mais fresco em boca que os demais, mas ainda denso e grudento.

Alguns dos vinhos degustados

Depois o Adam levou a gente para uma vinícola que, segundo ele, produzia vinhos de estilos bem clássicos, meio “velho mundo”. Também era legal de conhecer porque é uma das mais antigas da região, com quase 30 anos de idade. “No velho mundo isso não é nada…mas para Paso Robles, esse vinícola é muito antiga”.

Enólogo Ben Mayo, da vinícola Eberle

De fato, em geral, os vinhos tinham melhor equilíbrio de frescor, lembrando talvez um vinho mais do velho mundo. O 2008 Côtes-du-Rôbles (Mourvedre, Syrah, Grenache) é bem Côtes du Rhône. Frutado, com um toque apimentado, gostoso, fácil de tomar, mas cheio de calor.

Fiquei impressionada com o frescor do Barbera deles, talvez um dos poucos vinhos que tomei e  me pareceu de verdade um bom acompanhamento para comida. Ali, na degustação, não havia nada para comer. Mas levei uma garrafa para casa e ficou delicioso com um macarrão com alcachofras e bastante alho e azeite. Basicamente, o vinho é frutado, com uma nota de cereja preta mas, logo atrás, há notas de carne, pimenta, um toque de couro. Ao beber, como disse, tem frescor no meio de boca, taninos firmes e extrato médio, com boa fruta.

O Zinfandel tinha também um toque apimentado, meio de folha de louro, mas bem mais cheio em alcoólico em boca.

Paso Robles é árido e repleto de carvalhos. Lembra o Alentejo português...

Enfim, vale o rolê até ali. O passeio de carro é bonito, com uma paisagem árida e cheia de carvalhos e vinhas. A cidadezinha é linda, pequena, cheia de restaurantes de qualidade, bem gastronômicos,  e com cartas de vinhos ótimas e muitas lojas oferecendo degustação de vinhos. Há um post da minha querida amiga de viagem, Sharon Parsons (em inglês) que dá um panorama ótimo dos lugares mais legais para comer, com dicas de lugares orgânicos entre outras. Deem uma checada aqui

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Uma resposta to “Um passeio em Paso Robles”

  1. Eduardo M Araujo Says:

    Tive o prazer de visitar Paso Robles, estudei por lá com o filho do J. Lohr. Realmente é uma região muito grande e requer bastante tempo pra visitas, ainda mais com Monterey logo adiante.
    Conheci a Laetitia tbm ali perto em Arroyo Grande.
    Minha anotações são bem parecidas, com pimenta, sem mta acidez e álcool lá em cima.
    Saudades de visitar a Califórnia!

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