EWBC – Chianti Classico – Castelo di Brolio

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Brolio - Ricasoli. photo: magnus reuterdahl

“Brolio é um lugar mágico”. Com esta frase, ninguém menos que o Barão, Francesco Ricasoli nos recebeu em sua vinícola. E, logo depois da afirmação, muitas perguntas, mostrando grande curiosidade em conhecer os bloggers ali presentes. Fez perguntas como por que escrevemos (porque gostamos de comunicar nossas experiências), por que não escrevemos nas mídias convencionais (por que elas são locais e limitadas) quais de nós vivemos do vinho (a maioria são amadores, outros profissionais da área), enfim, deixou clara a abertura e curiosidade que a casa tem com as novas formas de comunicação. Ele e o viticultor Massimiliano Biagi explicaram em detalhes seus solos, suas diferenças, pois estão desenvolvendo várias pesquisas, num trabalho bem forte de localização de diferentes terroirs , separando os vinhedos em pequenas parcelas, tentando reconhecer seu caráter, praticamente num estilo bourguignon.

“Brolio is a magical place.” With this sentence, none other than Baron Francesco Ricasoli hosted us, bloggers, in his winery. Immediately after the statement, he asked many questions, showing great curiosity to get to know the bloggers in attendance. He asked questions like “why do you write” (because we like to communicate our experience), “why not write in conventional media” (because they are local and limited), which of us made a living out of wine (some are amateurs, others professionals), etc etc showing us some openness and curiosity that he and his  house have with the new ways of communication. He and Massimiliano Biagi. viticulturist,  explained their soils and their  differences in details . They have been doing  very indepth research work on the localization of different terroirs, separating the vineyards into small plots, trying to recognize their character, in an almost bourguignon style.

O Barão, o viticultor e seus vinhedos

O Castelo di Brolio é uma propriedade antiqüíssima, construída no século XI, destruída e reconstruída várias vezes porque fica bem no meio do caminho entre Firenze e Siena que, como contei em outro post, viviam brigando pela fronteira. O Bettino Ricasoli, que foi proprietário e viveu no século XIX no Castelo, era um grande estudioso da natureza, viticultura e enologia. Eu conheci o quarto de estudos dele, não se pode tirar fotos ali, mas há uma escrivaninha antiga cheia de livros (a maioria em francês, pois era onde já havia mais pesquisa) e, depois de muitos anos de estudo, criou o que ele considerava ser a fórmula ideal para Chianti Classico.

Castelo di Brolio is a very ancient property, built in the eleventh century, destroyed and rebuilt several times because it is mid- way between Florence and Sien and they were fighting all the time to define their border.  Bettino Ricasoli, who owned and lived on the property in the  nineteenth century was a great student of nature, viticulture and enology. I  visited his  room of studies, we were not allowed to take pictures in there, but we could see his antique desk full of books (mostly in French, because it was where there was more research). After many years of study, he created what he  considered to be the ideal formula for Chianti Classico.

Tem uma carta dele, de 1872, onde já menciona a importância da Sangiovese como uva principal e sugere, por exemplo, que a uva branca malvasia  é desnecessária (só tiraram as uvas brancas do corte definitivamente em 2006). Que interessante, leiam: Eu verifiquei os resultados dos primeiros experimentos, ou seja, que o vinho recebe a maior parte de seu aroma da Sangioveto (que é meu objetivo particular), bem como um certo vigor no gosto. O Canajuolo dá uma doçura que tempera a dureza do  primeiro, sem tirar qualquer um de seus aromas.Embora tenha um aroma muito próprio, o Malvagia, que provavelmente poderia ser omitida para os vinhos de guarda, tende a diluir o vinho feito de uvas dos dois primeiros, mas aumenta o sabor e torna o vinho mais leve e mais prontamente adequada para o consumo diário … “

There is a letter from him in 1872, where he already mentions  the importance of  the Sangiovese grape as main variety and mentions, for exemple that the white grape Malvasia is unnecessary  ( it was only definitely banned from the Chianti Classico blend in 2006). It is very interesting: “… I verified the results of the early experiments, that is, that the wine receives most of its aroma from the Sangioveto (which is my particular aim) as well as a certain vigour in taste; the Canajuolo gives it a sweetness which tempers the harshness of the former without taking away any of its aroma, though it has an aroma all of its own; the Malvagia, which could probably be omitted for wines for laying down, tends to dilute the wine made from the first two grapes, but increases the taste and makes the wine lighter and more readily suitable for daily consumption … “

Bem, como disse, quem nos recebeu foi Francesco, o 32º Barão de Brolio. O  castelo é a maior propriedade particular de Chianti Classico. Eles estão sobre solos bem variados, de 250 a 500 metros de altitude. Alguns vinhedos estão sobre Arenito ( onde não tem calcário) e outros sobre o clássico galestro. Montemorelo é um vinhedo perto de Firenze onde há um limestone diferente chamado alberese e nos vinhedos mais ao sul é aluvial com mais argila, portanto mais fresco. Perto dos rios mais a sudoeste, os solos são dejetos de rolamentos de avalanches antiqüíssimas e o resultado é um solo muito mineral.

Well, as I said, we were welcomed by Francesco, the 32nd Baron Brolio. The Castelo is the largest privately owned property in Chianti Classico region . They are on soils that range  from 250 to 500 meters. Some vineyards are on Sandstone (where there is almost no limestone) and others on the classic galestro. Montemorelos is a vineyard near Florence where there is a different limestone called Alberese and vineyards to the south have more alluvial clay, sot it is therefore cooler. Near the rivers  southwest of the region, the  soil has pieces of soils brought by avalanches millions of years ago, the result is a very ancient and very mineral soil.
Em termos de vinificação, tudo simples, fermentações um pouco mais frescas que o normal na região , 25-28 graus. Eles vêm testando com produtores de barricas qual é melhor para Sangiovese, qual é menos invasiva e que deixa evidente a expressão uva-solo.

Em geral os vinhos são musculosos por aqui, como as paredes do castelo. Densos, duros, precisam de horas para se abrirem, principalmente se forem muito jovens, como foi o caso aqui.

In terms of winemaking, all simple, fermentation processes a little cooler than normal in the region, 25-28 degrees. They have been experimenting with producers of barrels to find out  which is best for Sangiovese, which type of wood and barrique is less invasive and allows the best “grape-soil” expression.
In general the wines here are muscular, like the walls of the castle. Dense, hard,  need hours to open up, especially if they’re very young, as  was the case here.

Os musculosos vinhos de Brolio

BROLIO 2009

Nariz com um toque animal, bastante madeira e álcool. Com um pouco de oxigenação vai ficando mais frutado, a Sangiovese mais evidente, mas ainda predomina a baunilha, mesmo que delicada. A boca é cheia e com boa acidez, mas o meio de boca não é saboroso. O final é quente, um pouco agressivo, mas os taninos são finos. On the nose it has a  leathery type of smell, a lot of oak and alcohol. With a bit of oxygenation it becomes more fruity, the Sangiovese becomes more evident  but the vanilla touch still predominates, even though it’s delicate. The mouth is full, it has lots of good acidity, but the middle of mouth is a little tight, not too tasty. The finish is warm, a little aggressive, but the tannins are of  fine quality.

ROCCA GUICCIARDA 2008

Nariz muito alcoólico, aromas queimados, café torrado. Só abriu para um pouco mais de toffee, um toque de baunilha, mas o nariz predominante era queimado. Na boca, muito tânico, muito cheio, saboroso, com uma quantidade de taninos incrível, mas absurdamente finos. Ainda falta fundir tudo, a boca está um pouco desconexa, apesar de mostrar qualidade e estar tudo ainda meio tenso. Very alcoholic on the nose, toasty aromas, roasted coffee. Only opened for a little more toffee, a touch of vanilla, but the aroma was predominantly toasted. On the palate it is very tannic, very full, flavorful, with a huge amount of tannins, but incredibly thin. Still missing roundness, the mouth is a bit disjointed, despite its good quality, it is still a bit tense.

CASALFERRO 2008 – IGT Toscana. Produzem este vinho desde 1993. Passaram a engarrafar vinhos de vinhedos únicos. Este foi plantado em 1996, sobre limestone, 400-420 metros. É uma porção de um vinhedo maior de 20 hectares. Era um corte de Sangiovese com Merlot e desde 2007 passou a ser puro merlot, pois acharam que o merlot expressava bem a mineralidade do solo, mais do que apenas os aromas varietais da uva. They have  produced this wine since 1993, when they started bottling wines from single vineyards. This was planted in 1996 on limestone,at  400-420 metres. It is a smaller portion of a larger 20 hectares vineyard. It used to be a blend of Sangiovese with Merlot but since 2007 it has become pure merlot. They think that the Merlot in this area expresses the minerality of the soil well , more than just the grape varietal aromas.

E, realmente, eu pude sentir aquilo no aroma. Explico. Eu tinha estado a manhã inteira passeando no castelo, pegando naquelas pedras do chão, cheirando. É m hábito meu comum, que a maioria das pessoas acha estanho. Bem, quando degustei o vinho, dava para sentir exatamente os cheiros que senti naquele solo, aquele mineral no vinho, com um toque floral, lembrando algo de talco. Quando perguntei para  Massimiliano se o que eu sentia estava certo, ele me disse que era isso mesmo que ele buscava nos vinhos e que as pedras que peguei eram próximas daquele vinhedo. Em suma, além do mineral de toque floral de violeta no nariz, na boca é delicado, frutado, cremoso, super saboroso, com sabor de cereja e um finalzinho picante gostoso.

And really, I could feel it in the aroma. I’ll explain. I had been walking all morning in the castle, taking those stones on the ground, sniffing them . Is it a common habit of mine that most people find strange. Well, when I tasted the wine, I could feel exactly the smells that I felt in that soil, that mineral wine with a floral touch, something resembling talcum powder. When I asked Massimiliano if what I felt was right, he told me it was just what he was looking for in the wines and the stones that I picked up were near that vineyard. In short, besides the mineral, a floral touch of violet on the nose, the mouth is delicate, fruity, creamy, super tasty, flavored with spicy cherry and a spicy end.

Castello di Brolio é o Grand cru deles. A ideia é produzir um vinho ao estilo da vinícola: estrutura, elegância e força.  É  um vinho feito com as melhores uvas da safra, tudo é feito separado, vinificado, envelhecido mais ou menos 1,5ano depois da colheita decidem qual será o corte. Aí fica mais um ano mais ou menos na garrafa. Só produzido em grandes safras. Por exemplo, 2002 não produziram e em 2003 apenas pequena quantidade.  Enfim, um estilo bem peculiar e musculoso. Para quem gosta do estilo.

Castello di Brolio is their Grand cru. The idea is to produce a wine with the house style: structured, elegant and with lots of strength. It is a wine made with the best grapes of the harvest, everything is done separately: vinification, ageing (which is about 1.5 years after harvest) and then they decide what will go in the blend. Then it stays  another year or so in bottle. Only produced in great vintages. For example, 2002 they didn’t produce. 2003  produced only a small amount. Finally,the wine has a very distinctive and muscular style  For those who like the style.

CASTELLO DI BROLIO 2008

Bem parecidas as duas safras. Este está tostado e alcoólico, lembra pimenta do reino no começo. Vai aparecendo a fruta aos poucos, precisa de bastante oxigênio para a abrir. Na boca, tem cremosidade, taninos muito apertados, acidez nervosa, o álcool ainda não está fundido. Um bom tempo em garrafa deve fundir os elementos. Muito jovem, ainda.  This has a  roasted and alcoholic smell, reminds me of black pepper in the beginning. The fruit comes out slowly, needs a lot of oxygen to open up to fruit. In the mouth it is creamy, tight tannins, nervous acidity,  alcohol is not yet well rounded. Maybe with some time in the bottle should melt in all the elements. Still very young.

CASTELLO DI BROLIO 2005

Um pouco mais aberto, com notas de marrom glacê, pão torrado e licor de cereja. Também abre para mais fruta com a oxigenação. Precisa de muita aeração para se mostrar. Na boca tem boa acidez, é muito cheio, rico, alcoólico, taninos finos, final fundido, sequinho (com muito sabor) e álcool perfumado com retorgosto cheio de notas tostadas. A little more open, with notes of marron glace,  toasted bread and cherry liqueur. Also opens to more fruit with oxygenation. It needs lots of oxygen to open. The palate has good acidity, is very full, rich, alcoholic, fine tannins, the final is round, crisp (with lots of flavor) and alcoholic aftertaste, full of perfume and toasty notes.

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