EWBC – Vinhos naturais

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EWBC – Natural wines. (to read in English, please scroll down)

Dentro do espaço de degustaçãodo EWBC havia vários expositores. Como havia muita coisa para degustar e pouco tempo para fazê-lo , como sempre, há de se fazer escolhas. Escolhi um stand interessante e, podemos chamar, trendy, que era o de vinhos naturais.
In the EWBC tasting room there were many exhibitors. Since there were so many things to taste, and not a lot of time, I made my choice: I chose a, very trendy, as I say, natural wine exhibitor who brought many producers.

Organizado por Vinnatur, tinha uns 30 vinhos e exposição. Vinnnatur (site) é (mais) uma organização que reúne produtores de vinhos ditos naturais. E “natural” não é muito bem definido. Podem ser vinhos com uvas orgânicas, com menos (a idéia é que seja sem) produtos químicos usados no vinhedo e nos processos de vinificação. Segundo seu site, a idéia é “agir em pleno respeito do território, da vinha e dos ciclos naturais, limitando através de experimentação, o uso de agentes invasivos e tóxicos de natureza quimica e tecnológica, primeiro na vinha e sucessivamente, na vinícola”

The exhibition is put together by Vinnatur (site), an organization that unites producers of natural wines. “Natural” is not entirely defined. It can be wines made with organically grown grapes, no chemicals products in the vineyard and in the wine making processes. According to their website, the idea is “to act respecting the territoty, the vines and its natural cycle, limiting, through experimentation, the use of  evasive and toxic agents, of chemical nature, first in the vineyard and, consequentely, in the wine cellar”

Todo movimento que preza pela saúde da terra é válido. Não tanto pela saúde do vinho, mas por uma manutenção da saúde do solo, para que ele continue fértil. Estes movimentos são  importantes em tempos onde a indústria e as grandes superfícies monoculturais consomem o solo sem devolver muito à terra. Muitos produtores mantém ou recuperam tradições antigas, às vezes extintas, de longas fermentações, de lagares de pedra, de fermentações lentas, tentando extrair elementos que tornarão o vinho mais particular e mais característico da região, da conjuntura homem, terra, uvas.

Every movement that preserves the health of the land is valid. Not as much for the health of the wine, but mainly for the preservation of the healthiness of the soil, so it stays fertile. These movements are important in our times when industrialization consumes a lot of the earth without giving back anything to the land. Many producers maintain or bring back old wine making traditions such as long fermentations, in big stone tanks, slow fermenting, trying to extract elements that will produce more peculiar wines and more characteristic of the region where it is produced, of the conjuncture man – land – grapes.

No entanto, há uma febre de vinhos naturais na Europa, muitas vezes sem argumentos firmes. Dizer “natural” e levantar uma bandeira não significa muita coisa, pelo menos não em termos de aromas e sabores de vinhos. E, não utilizar química (que é algo encontrado na natureza, a natureza é pura química) ou tecnologia não significa produzir vinhos “melhores”.
São vinhos de sabor muitas vezes peculiar, não tão fáceis de amar à primeira vista. Precisam de uma contextualização para serem entendidos. É uma questão de prioridade: proteger o solo e tradição mais do que qualquer outra coisa, mais do que vender ou agradar a um grande público. Provei alguns vinhos.

But, I think there is a little bit of a fever of natural wines in Europe, sometimes without proper arguments. Saying “natural” and waving flags sometimes doesn’t mean anything, specially when it comes to wine flavors and aromas. And not using “chemical” elements (which is something found in nature, nature is made of chemistry) or technology doesn’t mean  producing better wines. Sometimes these wines have peculiar tastes, and are not that easy to love at first sip. They need to be understood from a different perspective. It is a question of priorities: protecting soil and tradition more than any other thing, more than trying to reach more consumers. Here are some wines I tasted.

Ribolla Gialla da Eslovenia

Um vinho da Eslovenia, de 2007. Na verdade não consegui entender muita coisa do rótulo, apenas que a palavra BRDA significa o mesmo que a região de Il Collio (na região do Friuli), na provincia de Gorizia, pois são vizinhos. Inclusive alguns produtores eslovenos podem engarrafar como GORISKA BRDA. A uva local é a mesma que a de Collio, Ribolla Gialla. O nariz é bem perfumado, lembra quase um colheita tardia, com notas de mel, um pouco de resina, um álcool perfumado como um bom whisky. Na boca é bem redondo, gordo, falta um pouco de acidez, final estruturado, parece tânico. Este vinho e o próximo, um Ribolla Gialla Delle Venezie IGT, são fermentados com as cascas. E este segundo, do Vêneto, é o Terpin 2006 e no nariz lembra muito kinkan, aquela laranjinha amarga e tem o já característico toque que parece oxidado, com um pouco de nozes. Na boca, porém, é fresco, também tem esta estrutura que lembra a dos taninos, é bem saboroso, apesar de no final ficar uma sensação de como se tivéssemos mordido os caroços da uvas.

A wine of Slovenia, 2007. In fact I could not understand much of the label, only that the word BRDA means the same as  the italian Collio region (in the region of Friuli), in the italian province of Gorizia, because they are neighbors. Some Slovenian  producers may bottle Slovenians as Goriška Brda. The local grape is the same as that of Collio, Ribolla Gialla. The nose is very fragrant, almost resembles a late harvest, with notes of honey, a little resin, an aromatic alcohol as a fine whiskey. The palate is well rounded, fat, lacks a bit of acidity, structured end, it seems tannic. This wine and the next, a Ribolla Gialla Delle Venezie IGT, are fermented with the skins. And this second wine from Veneto,  is the 2006 Terpin. The nose resembles kinkan, that bitter little orange and already has the characteristic that seems to touch rusty, with a little nut. In the mouth, however, it is fresh, this structure is also reminiscent of the tannins, it is quite tasty, although in the end leaves a feeling as if we had bitten the seeds of grapes.

San Paolo 2008, da casa Pievalta é um Verdicchio dei Castelli di Jesi biodinâmico. No nariz tem

Verdicchio biodinamico

um toque bem delicado, com toques de pão tostado, leveduras e um pouco mineral, giz. Na boca é fresco, tem boa acidez, apesar de ser cremoso e alcoólico, cheio, parece um licor de pêra, bem estruturado e longo.

San Paolo 2008, from producer Pievalta is a Verdicchio dei Castelli di Jesi biodynamic. The nose has a very delicate touch, with hints of toasted bread, yeast and a little mineral, chalk. The palate is fresh, has good acidity, though it is creamy and alcoholic, full, like a pear liqueur, well structured and long.

Benavides 2009 é um vinhedo perto de Padova, no Veneto, um IGT Bianco Veneto. Feito com a uva local Garganega e Moscato, tem um nariz bem floral e expressivo, com uma nota de leveduras, um pouco de talco, tudo bem perfumado. É bem fresco e delicado em boca, leve, apesar de saboroso, com finalzinho quente e picante.

Benavides 2009 is a vineyard near Padova, Veneto, an IGT Veneto Bianco. Done with the local Garganega and Moscato grapes, has a very floral nose and expressive, with a note of yeast, a bit of talc, fine fragrant. It’s very fresh and delicate on the palate, mild, although tasty, hot and spicy to the very end.

O Sassaia, feito por Angiolino Maule, também é um vinho bem perfumado, intenso, com notas de vinho cru, em fermentação, com notas de camomila e álcool perfumado. Na boca é cremoso, fresco, alcoólico, bem saboroso, parece uma limonada, com um toquezinho doce e ácido e final longo. É um IGT Garganega Del Veneto, produzido sobre solos vulcânicos e não filtrado. Além da uva principal, Garganega, leva um pouquinho de Trebbiano.

The Sassaia made ​​by Angiolino Maule, is also a very  fragrant wine, intense wine with notes of raw wine, in fermentation, with notes of chamomile and scented alcohol. The palate is creamy, fresh, alcohol, and tasty, like a lemonade with a touch sweet, acid and long finish. It is a Garganega del  Veneto IGT, produced on volcanic soils and unfiltered. Besides the main grape, Garganega, there is a little bit of Trebbiano.

Depois, comecei com os tintos, tomando um vinho chamado Contadino, um vinho produzido por um belga meio louco – pelo menos foi o que me contou o cara que estava no stand – de vinhedos das uvas típicas do Etna, tintas e brancas em um vinhedo sobre as colinas do vulcão. Nariz simples, com notas de amoras amassadas. Na boca é fresco e frutado, com muito sabor de framboesa e taninos muito crocantes, um pouco secos demais, no final. Faltou um pouco de cremosidade.

Then, I started with the reds, taking a wine called Contadino, a wine produced by a crazy Belgian  – at least that’s what the exhibitor told me – from  typical grapes of Etna, red and white in a vineyard on the hills of the volcano. Nose simple, with notes of crushed blackberries. The palate is fresh and fruity, with plenty of raspberry flavor and crunchy tannins, a bit too dry at the end. Lacked a bit of creaminess.

Tomei também um Lambrusco dell’Emilia, do produtor Barbaterre.Eles têm vários estilos de vinhos, mas o que provei não foi muito expressivo. Pouca fruta, um toque de cereja e outro mais floral. Na boca é seco, com bolhas finas e finalzinho tânico, mas curto.

I also had  a Lambrusco dell’Emilia, producer Barbaterre. They have various styles of wines, but what I tasted was not very expressive. Little fruit, a touch of cherry and a more floral. The palate is dry, with fine bubbles and tannic very end, but short

Um merlot esloveno

Depois tomei um Merlot também da Eslovênia bem interessante. Chamado algo como JIN e é da região do vale de Viapavska Dolina, fronteira com o Friuli italiano. Feito com Merlot, o vinho tem um nariz bem expressivo, aromático, com toques de licor de cereja, de cassis, chocolate e tabaco. Na boca é rico, cremoso, com taninos bem firmes e final picante. Bastante interessante.

Then I took a Merlot from Slovenia also very interesting. Called something like JIN from the region Viapavska Dolina Valley, bordering the Italian Friuli. Made with Merlot, the wine has an expressive, aromatic, with hints of cherry liqueur, cassis, chocolate and tobacco. The palate is rich, creamy, with very firm tannins and spicy end.Very interesting
O ultimo foi um Pinot nero do Vêneto, de Daniele Piccinin de um vinhedo perto da região de Soave. Tem um nariz tostado, defumado, com um pouco de cereja e folha pisada. Na boca é fresco, cítrico, um pouco magro apesar de ter um pouco de cremosidade.
The last one was the Veneto Pinot nero, Daniele Piccinini a vineyard near the Soave region. It has a toasty nose, smoked, with a little cherry and trodden leaf . The palate is fresh, citrus, a little thin despite having a bit of creaminess.

Como em todo grupo de vinhos, há de tudo. Vinhos mais perfumados, outros menos. Alguns vinhos são mais intensos, outros mais expressivos, outros mais peculiares. O vinho dito natural é uma realidade, tem muito o que contar, ajuda a manter algumas tradições e definitivamente preserva o ambiente. Claro que há uma tendência modista, surtada e obcecada com a ideia. Portanto, se você vai se impressionar ou não, só provando.

As in any group of wines, there is everything. Some  fragrant wines, some less. Some wines are more intense, others more expressive, others more peculiar. The natural  wine is a reality , has much to tell, helps to keep some traditions and definitely preserves the environment. Of course there is sometimes a trendy side, almost  freaked out  and obsessed with the idea. Now, if you will be impressed by them or not, just when tasting.

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7 Respostas to “EWBC – Vinhos naturais”

  1. João Rosé Says:

    Olá Alexandra,

    Bom artigo!
    “Claro que há uma tendência modista, surtada e obcecada com a ideia.” não percebo o surtada, quanto à obsessão parece-me positivo, afinal de contas é para o “bem”.
    saluti, joão roseira

    • sommelierprofissional Says:

      Olá querido, obrigada por escrever!
      percebi muito isso nas perguntas dos bloggers, na atitude um pouco de cobrança para com os produtores que não fazem organico ou biodinâmico. Veja, eu sou super a favor destas práticas que estudo desde 96, mas acho que cada um deve conduzir sua terra e seu negócio como lhe parece melhor. E, claro, “bem” quem define é cada um, nãoé? SAluti, carissimo.

  2. Rodrigo Martins Says:

    Oi Alexandra,
    Nunca tinha visto o blog, gostei bastante. O comentário é meio extemporâneo, mas só hoje vi o post. O produtor “belga meio louco” a que vc se refere deve ser o Frank Cornelissen. Eu adoro os vinhos dele, o Contadino é bom, mas o Magma Rosso é bem melhor….e ele ainda tem vinhos brancos bem interessantes. Vale muito a pena provar, se vc tiver oportunidade. Pena que os vinhos dele não vêm para o Brasil. Veja no link se foi esse mesmo que vc bebeu. Parabéns pelo trabalho. Sds, Rodrigo.

    http://www.frankcornelissen.it/eng_production.htm

    • sommelierprofissional Says:

      Oi Rodrigo! Obrigada por visitar, legal que gostou. Bem, o comentário não é tão extemporâneo, faz menos de um mês que estive no EWBC. Se bem que, em velocidade de internet, pode ser… 🙂. Mas o produtor é ele mesmo, obrigada pelo link para mim e para os leitores. Só dá para prová-lo mesmo fora do Brasil. Apareça sempre. Abração.

      • Rodrigo Martins Says:

        Obrigado pela rápida resposta. Pode ter certeza que agora vou acompanhar seu blog. E caso vc organize, um dia desses, alguma prova de vinhos naturais e/ou de vinhos da Sicília, posso contribuir com uma garrafa de branco e outra de tinto dele….eu tenho algumas poucas aqui em SP. Sds.

      • sommelierprofissional Says:

        legal, legal. aliás, ótima ideia para uma aula na minha escola. vinhos naturais. passa no site pra conhecer. http://www.alexandracorvo.com.br

      • Rodrigo Martins Says:

        …e o tema está na moda…hehe…bem polêmico….dá uma bela aula…eu tinha visto o site, muito legal…parabéns.

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