Franciacorta – o grande espumante italiano

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Franciacorta!!!

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A região de Franciacorta está localizada na Lombardia, norte da Itália. É uma região de solos influenciados pela presença dos Alpes, cuja formação está ligada ao rolamento de dejetos glaciais. Ela está delimitada entre os rios Oglio e Mella, ao sul do Lago Iseo. A cidade de Brescia, onde estamos para o European Wine Bloggers Conference esta a leste da região.  O nome tem origem provável no século XI, quando monges de Cluny, da Bourgogne se estabeleceram na região. Eles eram tão importantes que não precisavam pagar impostos à Igreja local. Daí a expressão Franchae – livre de pagar impostos e Curtae, de côrte. Uma Corte Franca, Franciacorta.

A região ganhou status de DOCG em 1995 e é a única DOCG que produz vinhos espumantes pelo método clássico. No entanto, nos rótulos aparece apenas Franciacorta, considerado suficiente para definir o território, método, uvas e produção. As uvas autorizadas são Chardonnay, Pinot Nero e Pinot bianco, que pode entrar em até 50% do corte. Não adianta querer comparar estes vinhos com Champagne. Não têm absolutamente nada a ver em termos de estilo, apesar de terem o mesmo nível de qualidade. São vinhos de estilo discreto, delicados, com bastante cremosidade e sutileza em boca.

O método de produção começa com colheitas manuais. As uvas são esmagadas inteiras e os vinhos bases são produzidos. Eles podem fermentar em barricas de carvalho ou tanques de inox, depende do estilo que será produzido. Logo fazem o de corte destes vinhos base e fazem a “tirage”, adição de uma mistura de açucares e leveduras para depois engarrafar e obter a segunda fermentação em garrafa.

Todos os Franciacorta passam no mínimo 18 meses por este processo. Para os Non-Vintage  Satèn e Rosé, o mínimo é de 24 meses. Os que levam indicação de safra (Vintage) devem ficar pelo menos 30 meses sobres as leveduras e os Riserva, 60 meses. O estilo Satèn, que faz menção à palavra “seda” ou “cetim”  é feito exclusivamente com Chardonnay e tem menos gás carbônico. Muitos dos que provei são extremamente delicados e quase parecem vinhos brancos tranqüilos.

De maneira geral, os Franciacorta são extremamente longevos e aos 5, 6 anos de idade mostram grande frescor e potencial para mais tempo em garrafa.

Os estilos podem ser Non-dosé, com até 3 gramas de açúcar por litro, Extra brut, até 6g, Brut at´12, Exxtra dry de 12 a 17g e Sec, de 17 a 32 gramas de açúcar por litro.

Franciacorta-the great Italian Espumante.

The region of Franciacorta is located in Lombardy, in the the north of Italy. It’s a region with soils influenced by the presence of the Alps, whose formation is due to the rolling of glacier debris. It is bordered by the Oglio and Mella Rivers, south of the Iseo Lake. The city of Brescia, where we are for the European Wine Bloggers Conference is west of this region. The name probably originates in the 9th century, when monks from Cluny, from Bourgogne established themselves in the region. They were so important for the region that they did not need to pay taxes to the local church. This is where the expression comes from Franchae-free from paying taxes, and Curtae, from “corta” or assemblage. A franc “corte”, Franciacorta.
The region got DOCG status in 1995 and is the only DOCG that produces sparkling wines via the classical method. However, on the label only Franciacorta appears, considered sufficient to define the terratory, method, grapes and production. The authorized grapes are Chardonnay, Pinot Nero and Pinot Bianco, that can be in upto 50% of the assemblage. It does not help trying to compare these wines to Champagne. There is no relation in terms of style, despite having the same level of quality. They are wines with a discreet style, delicate, with a lot of creaminess and subtlety on palate.
The production methos begins with the manual harvest. The grapes are crushed whole and the base wines are produced. They can be fermented in oak barrels or stainless steel tanks, depending on the style to be produced. Thats why they make these base assemblages and a sample, the addition of a mixture of sugars and yeast to later bottle and so get a second fermentation in bottle.
All the Franciacorta go through this process for at least 18 months. For the Non-Vintage Satèn and Rosé, the minimum is 24 months. The ones that indicate the vintage should remain at least 30 months in contact with the yeast and the Riserva, 60 months. The satèn style, that literally means “satin” or “silk” is made exclusively with Chardonnay and has less carbonic gas. Many of the ones I tasted are extremely delicate and almost appear to be mild white wines.

In general, the Franciacorta have extreme longevity and at 5, 6 years of age show great freshness and potencial for more time in bottle.
The styles can be Non-sweet, with upto 3g of sugar per liter, Extra Brut, upto 6g, Brut upto 12g, Exxtra Dry from 12g to 17g and Sec, from 17g to 32 g of sugar per liter.

AZIENDA AGRICOLA FRATELLI BERLUCCHI (site)

Pas Dosé 2007– nariz um pouco fechado, abre aos poucos para pêra madura. Na boca é fresco, bem seco com um finalzinho cítrico, levemente amargo.

Brut 2007 – demora bastante para abrir. É amanteigado e na boca é bem fresco e delicado, com pouca espuma.

AZIENDA AGRICOLA FRATELLI BERLUCCHI 

Pas Dosé 2007- nose a little closed, it opens little by little to ripe peach. On palate it is fresh, very dry with a citric finish, slightly bitter.
Brut 2007 – it takes long to open. It is buttery and on palate it is really fresh and delicate, a bit of foam.

BERLUCCHI GUIDO (site)

É o maior produtor da região, com 500 hectares, quase 25% da região.

Brut – toques de pêssego branco bem discreto. Na boca é cheio, frutado, mas bem seco, mineral, apesar de um pouco curto.

Satèn: também tem um toque de fruta, pêssego e pêra. Na boca é delicado, de textura doce, lembra uma limonada, com um lado cítrico e bastante estrutura. O final é um pouco alcoólico e um toquezinho amargo, mas elegante.

BERLUCCHI GUIDO 
It is the biggest producer of the region, with 500 hectares, almost 25% of the region.
Brut – touches of white peach really discreet. On palate it is full, fruity, but reaaly dry, mineral, despite being a little short.
Satèn: also has a touch of fruit, peach and pear. On palte it is delicate, of sweet texture, reminds one of lemonade, with a citric edge and very structured. The finish is a bit alcoholic is a little bitter, but elegant.

LA VALLE

LA VALLE (site)

Extra brut Naturalis 2005 – tem 40 meses sobre as leveduras. Isso fica claro no nariz, bem maduro, com toques de mel e fermento de pão. Na boca, mais evidente ainda: é cheio, rico, bem cremoso, com um toque amargo que lembra café e uma textura que parece quase tânica, apesar da espuma delicada.

Rosé brut: nariz um pouco fechado, toques de manteiga e uma nota de cerejas amargas. Na boca tem bastante espuma, é cheio e cremoso, mas curto.

LA VALLE

Extra brut Naturalis 2005- it remains in contact with the yeast for 40 months. This is clear on nose, really mature, with touches of honey and bread yeast. On palate, more evidence: it is full, rich, really creamy, with a bitter touch that reminds one of coffee and a texture that is almost tannic, despite the delicate foam.
Rosé brut: nose a little closed, touches of butter and a note of bitter cherry. On palate it has a lot of foam, it is full and creamy, but short.

LE QUATTRO TERRE (site)

Brut: bem tostado, com notas de champignon fresco e uma nota láctea. Na boca é grande, cheio, com um toque tostado, ótima acidez, bem longo com um final que lembra ervas.

Dosaggio Zero 2007: o vinho base, puro Chardonnay, fermenta 6 meses em barrica antes da 2ª fermentação. Dá para sentir as notas tostadas, amanteigadas e uma nota de champignon. Na boca é cheio, salgadinho, tostado, lembra café, muito longo e com muita estrutura.

LE QUATTRO TERRE 

Brut: really toasted, with notes of fresh mushrooms and a lactic note. On palate it is big, full, with a touch of toast, good acidity, really long with a finish that reminds one of herbs.
Dosaggio Zero 2007: the base wine, pure Chardonnay, fermented for 6 months in barrel before the second fermantation. One can feel the toasted notes, buttery and a note of mushroom. On palate it is full, salty, toasted, reminders of coffee, very long and with excellent structure.

MAJOLINI

MAJOLINI (site)

Esta vinícola é pequena e seus vinhedos estão sobre um solo bem específico, calcário, chamado “medolo”.

Brut “Electo” 2005: fica 5 anos sur lie. O nariz começa fechado, depois aparece uma nota discreta da maçã verde. Na boca é bem mineral, com espuma fofa, é cheio, saboroso, fresco e longo.

Pas Dosé “Aligi Sassu” 2006: o nome é em homenagem a um escultor sardo, amigo da família, cuja última obra está na propriedade. E este vinho, segundo me explicou a produtora, é seco como era o artista, que não fazia nenhuma questão de ser “doce”. O nariz é bem mineral, tem umas notas de areia. Na boca é bem seco, firme, mineral, com um toque salgado e final também mineral, bastante pontiagudo.

MAJOLINI

This winery is small and its vines are planted on a very specific soil, limestone called “medolo”.
Brut “Electo” 2005: remains on lees for 5 years. On nose it starts off closed, then a discreet note of green apple appears. On palate it is really mineral, with a soft foam, it is full, tasty, fresh and long.
Pas Dosé “Aligi Sassu” 2006: The name pays homage to a Sardinian sculptor, family friend, whose last work is located on the property. This wine, as retold by the producer, is dry like the artist, who did not make a point of being “sweet”. On nose it is very mineral, has some notes of sand. On palate it is really dry, firm, mineral, with a salty touch and a mineral finish, very sharp.

QUADRA (site)

Brut: nariz muito intenso, o mais expressivo dos que provei. Bem lácteo, toques delicados de baunilha, também algo de maresia. Na boca é muito fresco, cremoso, cheio, lembra pêssegos frescos e tem retrogosto muito perfumado e longo.

Satèn 2007: nariz mais terroso, intenso, também lácteo. Na boca é incrivelmente cheio e frutado, muito fresco, com um toque de café no final e extremamente longo.

QUADRA
Brut: very intense nose, the most expressive of the ones I tasted. Very milky, delicate touches of vanilla, there is something of sea fog. On palate it is very fresh, creamy, full, reminders of fresh peach and a very perfumed and long aftertaste.
Satèn 2007: more earthy nose, intense, also lactic. On palate it nis very full and fruity, very fresh, with a touch of coffee in the finish and extremely long.

RICCI CURBASTRO (site)

Extra brut 2006: um pouco fechado, com notas de fermento de pão. Na boca tem textura doce, redonda, um toque cítrico e um finalzinho amargo, mas elegante, apesar de um pouco curto.

Satèn “Museum Release”2004: bem complexo, com notas de pão tostado, pão, maçã verde e toques minerai. Na boca tem textura doce, é cremoso, com ácido e delicadamente amargo de casca de maçã, com um final bem frutado que lembra pêssego fresco.

RICCI CURBASTRO 

Extra brut 2006: a bit closed, with notes of bread yeast. On palate it has a sweet texture, round, a citric touch and a small bitter finish, but elegant, despite a little short.
Satèn “Museum Release”2004: very complex, with notes os toasted bread, bread, green apple and mineral. On palate it has a sweet texture, creamy, with acid and and the delicately sour of apple rind, with a very fruity finish that reminds one of fresh peach.

VIGNENOTE (site)

Brut: bem aromático, com notas de flores brancas. Na boca é quente, rico, liso, cremoso, final frutado.

Satèn 2007: nariz limpo, delicado, com um toque de fruta fresca, maçã e pêssego. Na boca é fresco, delicado, tem pouca espuma, é firme e mineral e a sensação é de tomar um vinho branco tranqüilo.

VIGNENOTE 

Brut: very aromatic, with notes of white flowers. On palate it is hot, rich, smooth, creamy and a fruity finish.
Satèn 2007: clean nose, delicate, with a touch of fresh fruit, apple and peach. On palate it is fresh, delicate, has little foam, is firm and mineral and the sensation of drinking a mild white wine.

IL MOSNEL

No final da noite, pudemos conhecer a vinícola Il Mosnel, onde foi servido um jantar todo feito com vinhos da região, extremamente bem harmonizado. O chef, Stefano Cerveni é um jovem da região que cresceu trabalhando no restaurante de seu pai. Seu restaurante, Due Colombe tem uma estrela Michelin e sua comida é toda sutil. O primeiro prato, camarões (quase vivos de tão doces e delicados) com batatas violeta e um molho delicadíssimo à base de Franciacorta foi incrível com o Franciacorta Cellarius brut. Este mesmo vinho foi harmonizado com um Risotto mantecato com açafrão, burrata da Puglia e pó de alcaçuz. Impressionante como o vinho tinha a mesma cremosidade do prato. O toque de alcaçuz, doce e levemente amargo combinou com o toque de amargor delicado do vinho.

O segundo prato, um vitello demi-glace feito com Franciacorta foi harmonizado com o Berlucchi Cellarius Rosé 2007. Com a carne, muito delicada, não ficou perfeito, mas o molho, sim. A sobremesa surpreendeu pela harmonização, pois o vinho servido, um Palazzo Satèn também da Berlucchi, não tinha nada de doçura. Ainda, sendo um semifredo de mel de laranja com avelãs caramelizadas e azeite extra virgem tinham exatamente os mesmos aromas do espumante. A gordura do azeite absorveu um pouco a sensação das bolhas, o vinho ficou parecendo mais cremoso e aí, pronto, tudo combinou. Grande noite, grandes vinhos, grande chef e sommelier. Não anotei o nome do sommelier, mas vou atrás dele para vocês.

IL MOSNEL

At the end of the night, we got to know Winery Il Mosnel, where dinner was served that was all made with the wines of the region, extremely well balanced. Stefano Cerveni, the chef, is a young man from the region who grew up working in his father’s restaurant. His restaurant, Due Colombe has one Michelin star and his food is very subtle. The first dish, prawns (so sweet and delicate they are almost alive) with violet potatoes and a delicate sauce made with Franciacorta, was incredible with the Franciacorta Cellarius brut. This same wine was harminized with a Risotto Mantecato with safron, Burrata from Puglia and licorice powder.
The second dish, a demi-glace veal made with Franciacorta was harmonized with a Berlucchi Cellarius Rosé 2007. With meat, very delicate, not perfect but with the sauce yes. Dessert surprised for its harmonizing, as the wine served, a Palazzo Satèn also from Berlucchi, had no sweetness. Although it was a semi freddo of honey with caramel hazelnuts and extra virgin olive oil, it had exactly the same aroma as the espumante. The fat of the olive oil absorbed the sensation of the bibbles a little, the wine became creamier and then everything harmonized. A great night, great wines, great chef and great sommelier. I did not get his name but I promise I will.

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Uma resposta to “Franciacorta – o grande espumante italiano”

  1. feviannaernanda Says:

    Alexandra “pó de alcaçuz” para acentuar o amargor do Franciacorta e ao mesmo atenuar com sua doçura, ai ai.
    Que delícia essas sensações incríveis para o paladar, agregando mais estímulos e ampliando a percepção gustativa da gente. Traga esse pó para brincarmos com alguns rótulos….

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