3o Encontro Internacional do Vinho – A Espanha Desconhecida

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Final de semana de encontro em torno do vinho em Pedra Azul, linda região serrana, no município de Domingos Martins, no Espírito Santo.   Na terceira edição, (na verdade, já houve 9 edições sob a batuta de Dr. Roberto Cerpa, mas agora, organizado por Alvaro Moura, está na 3ª edição), evento junta personalidades do vinho, produtores e amantes do vinho para trocarem idéias e percepções.

Na primeira edição, a programação teve nove degustaçõescom 56 vinhos de mais de 14 países, com 9 convidados internacionais e outros palestrantes brasileiros.

Em 2010, foi Vitória, onde se degustaram, durante as seis apresentações, 41 vinhos de sete países: Chile, Portugal, Hungria, Espanha, França, Austrália e Nova Zelândia.

Nesta edição, várias feras do mundo do vinho e começamos bem com Rodrigo Mendes, o grande e jovem produtor de Rias Baixas, que produz um Albariño impressionante. Veio também seu amigo Raul Perez, que tive bastante oportunidade de conversar. Um car tranqüilo, mas inquieto, engraçado, divertido, que gosta mesmo é de produzir vinhos em pequenas quantidades, explorar uvas autóctones e mexer enológicamente o mínimo em seus vinhos.

A palestra foi apresentada pelo (que dispensa apresentações) Artur Azevedo da ABS, falando um pouco de regiões que conhecemos menos do país, como Rias Baixas, Bierzo, Ribera Sacra e, lá longe, no Mediterrâneo, Emporda. Deem uma olhada nos vinhos. São todos importados pela Casa do Porto.

1.LEIRANA ALVARIÑO 2009 – Rias Baixas – os vinhedos estão em espaldeira. Mesmo assim, é  difiícil ficar longe da umidade típica da região, influenciada, pelo clima atlântico, fresco e úmido e das doenças conseqüentes dele. Neblinas são comuns no verão. Assim, colhem um pouco mais tarde, apostando em sobremaduração, já que, depois do verão há uma época mais seca, que permite um leve ressecamento das uvas e dá vinhos com graus alcoólicos um pouco mais altos que o normal na região.

1.O vinho tem aromas de leveduras e os típicos aromas frutados cheios de notas de maçã e pêra intensos da Albariño.  Na boca é cheio, rico, mas falta um pouco de acidez. Mesmo assim é saboroso e tem muita persistência.

2.GOLIARDO 2008 – Rias Baixas –  Feito com a uva local (e raríssima) Caiño.

No nariz é delicado,  etéreo, com notas de cedro fresco, um toque  floral, muito frutado, lembrando cerejas frescas. Na boca é fresco, magrinho, com uma acidez quase cítrica, lembra um morango verde no retrogosto.

3.  ULTREIA SAINT JAQUES 2009 – Bierzo – 2009 foi uma safra quente. O vinhedo tem 3 hectares, sobre solos de argila, voltadas ao leste. A zona mais alta tem mais xisto, com algo de granito. Basicamente é Mencia, mas como os vinhedos são muito antigos, centenários, há outras variedades plantadas juntas, como Alicante Bouschet. Antigamente plantavam-se as uvas todas misturadas e com uma densidade onde se poderia trabalhar com animais. São aproximadamente 6 mil plantas por hectare.  Vinificam com maceração de 40 dias aproximadamente. A fermentação ocorre em tanques grandes de madeira usada.

O aroma é bem frutado, com toques de ervas aromáticas secas e um toque de caramelo. Na boca é saboroso e frutado, fresco, com taninos finos e final achocolatado, mas bem delicado.

 

4.ULTREIA VALTUILLE 2008 – BIERZO – Safra bem mais fria. Este vinhedo está em solos com mais areia, voltado para o sul. O vinho é muito perfumado, com notas de flores secas, incenso, bem denso, com toques de madeira. Na boca é cheio, tem ótimo extrato, apesar de ser mais curto, com um final alcoólico, mas saboroso, com toques de chocolate amargo e frutas vermelhas.

 

5. EL PECADO   – RIBERA SACRA. Xisto. Clima atlântico, mediterrâneo em alguns vales. Não só pelo clima, mas se vê a influência mediterrânea no clima, principalmente pela vegetação e paisagem – cheia de oliveiras. Raul está aqui desde 99. Viu muita produção de quantidade, com vinhos sendo produzidos sem extrato, sem corpo e sem nada de potencial de envelhecimento. Hoje produz seus vinhos, fermentando em madeira, com parte dos cachos inteiros, maceração 30 dias, barricas velhas. As uvas são Mencia (majoritariamente), Caiño e Merenção (também conhecida como Bastardo). Foram plantadas todas juntas, como era comum antigamente.

Vinho extremamente aromático, apesar de sutil. Tem notas de ameixa preta fresca, muito perfumado, floral, talco, lavanda. Notas de água de rosa, daqueles perfumes antigos de avó. Vai ficando mais denso e perfumado, com um toque de chocolate no final, sobre o perfume floral. Na boca é tânico e firme. Ainda está duro e alcoólico, falta um pouco de tempo em garrafa. O final lembra café, com um toque de vermute e álcool.

6. RARA AVIS 2009 – VINO de La TIERRA DE LEÓN – Com a frase “não necesito de ningun consejo regulador para vender mis vinos” Raul mantem a linha enfant terrible e, ao mesmo tempo, explica porque prefere produzir este vinho fora das regras das DO. Clima bem continental a 1000 metros de altitude, sobre argilas. Chega a  30 graus de amplitude térmica no dia no verão. Vinhedos em condução baixa, quase pelo chão por causa do vento. Prieto Picudo. Aqui, desengaça suas uvas e usa madeiras mais novas que em outros vinhos seus, de um ano de uso.

O vinho é bem exótico, com aromas de folha pisada, madeira de whisky e milho. Depois aparece uma nota floral e de bala uva, suco de uva. Na boca é  liso, fresco, taninos finos, mas intenso. Final secante, com retro de madeira, mas longo e fresco.

Pudemos conhecer o produtor

EMPORDÁ. Fica na beira do mar, num cabo que sai ali sobre o mediterrâneo e, é claro, o clima é clássico mediterrâneo e os vinhedos de syrah, garnacha e cariñena estão sobre o xisto clássico desta zona. É o mesmo que encontramos do lado Francês, no Roussillon. O produtor Diego Soto e sua mulher Nuria produzem tudo em biodinâmica em um terreno que encontraram, largado, por acaso, há 22 anos enquanto faziam uma caminhada na região. Recuperaram as terraças abandonadas, replantaram vinhedos (havia uma pequena parcela de vinhas largadas pré-filoxericas) e organizaram tudo em função do universo e de seu movimento, ou seja, pela biodinâmica. Os vinhos:

7.  MAS ESTELA VINA DEL MAR – EMPORDÁ . Corte de Garnacha, 50%, com Syrah e Cariñena

Começa bem etéreo, com uma nota balsâmica. Logo aparecem umas frutas que logo ficam densas e perfumadas. Na boca é cheio, rico, com fruta em boca e final longo e achocolatado.

8. MAS ESTELA  VI DE LUNA 2007 – EMPORDÁ Corte de Garnacha com Syrah

Tem aromas curiosos de terra, de tronco de árvore. Depois de um tempo, abrem aromas bem frutados, de ameixa preta, tanto a seca quanto a fresca. Na boca é muito firme, cheio de sabor, mas bem ácido, picante, com finalzinho secante, um pouco rústico.

3rd International Wine Meeting – Spain Unknown.


Weekend wine meeting in Pedra Azul, a lovely mountainous region in Domingos Martins county in Espirito Santo, Brazil. The third edition, (actually there have been 9 editions under Dr.Roberto Cerpa,this is the third organized by Alvaro Moura), an event that unites winelovers and producers to exchange ideas and perceptions.

In the first edition, the programme consisted of 9 tastings with 56 wines from more than 14 countries, with 9 international guests and other Brazilian speakers.
In 2010, the meeting was in Vitoria, Espirito Santo, with 6 presentations of 41 wines from 7 countries: Chile, Portugal, Hungary, Spain, France, Australia and New Zealand.

This edition had some big names from the world of wine, we started off well with Rodrigo Mendes, the great and young producer from Rias Baixas, who produces an impressive Albariño. His friend Raul Perez came too and we had a lot of time to chat. A relaxed guy, but at the same time restless, funny and fun, who really likes to produce wines in small quantities , explore local native  grapes and interfere enologically as little as possible in his wines.

The talk was presented by Artur Azevedo from ABS ( needs no presentation), who spoke a little about the less known regions of the country, like Rias Baixas (Galician for “Lower Rias”), Bierzo, Ribera Sacra and further away in the Meditarranean, Emporda. Have a look at the wines. All imported by Casa do Porto, Brazil.

1.LEIRANA ALVARIÑO 2009 – Rias Baixas-the vines are on spaulders. Even so it is difficult to stay away from the typical humidity of the region, influenced by the Atlantic climate, fresh and humid and the consequential diseases. Fog is common in the summer. And so they harvest earlier, betting on overmaturation, because after the summer there is a dry spell that allows for a drying of the grapes and yields wines with a  slightly higher alcohol level normal for the region.

The wine has aromas of yeast and the typical fruity aromas full of notes of apple and pear of Albariño. On palate it is full and rich, but there is a little acidity missing. Yet it is tasty and has a lot of persistence.

2.GOLIARDO 2008 – Rias Baixas- Made with a local grape (and very rare) Caiño.
On nose it is delicate, ethery, with notes of fresh cedar, a floral touch, very fruity, reminders of fresh cherries. On palate it is fresh, thin, with an almost citric acidity, reminds one of green strawberries in the aftertaste.

3. ULTREIA SAINT JAQUES 2009 – Bierzo – 2009 was a hot vintage. The vineyard has 3 hectares, on clay soil, facing east. The highest area has more schist, with some granite. Basically it is Mencia, but as the vines are older, centuary old, there are other varieties planted with them, like Alicante Bouschet. In the past the grapes were all planted together and with a density that allowed for work with animals. There are about six thousand plants per hectare. Vinification with maceration is of about 40 days. Fermentation takes place in large tanks of used wood.

The aroma is really fruity, with touches of dry aromatic herbs and a touch of caramel. On palate it is tasty and fruit, with fine tannins and a chocolaty finish, but really delicate.

4.ULTREIA VALTUILLE 2008 – BIERZO – The yield was a lot colder. This vineyard is on more sandy soil, facing south. The wine is very perfumed, with notes of dried fruit, incense, really dense, with touches of wood. On palate it is full, has great extract, although it is shorter, with an alcoholic finish but tasty, with touches of dark chocolate and red fruit.

5. EL PECADO – RIBERA SACRA.Schist. Atlantic climate, meditarranean in some valleys. Not only because of the weather, but mainly because of the vegetation and scenery full of olive trees do we see the Mediterranean influence. Raul has been there here since 1999. He has seen a lot of mass production, with wines being produced without extract, without body and with no aging potential. Today he prduces his wines, fermenting in wood, with parts of the bunches whole, 30 day maceration and in old vats. The grapes are Mencia (mostly), Caiño and Merenção (also known as Bastardo). They were planted together, as was common in the past.

Wine extremely aromatic, although subtle. It has notes of fresh black plums, very perfumed, floral, talcum, lavanda. Notes of rose water, that ancient perfume grannies wore. It gets denser and more perfumed, with a touch of chocolate in the finish, over the floral perfume. On palate it is tannic and firm. It is still hard and alcoholic, it needs some bottle time. The finish reminds one of coffee, with a touch of Vermouth and alcohol.

6. RARA AVIS 2009 – VINO de La TIERRA DE LEÓN – with the phrase “não necesito de ningun consejo regulador para vender mis vinos” Raul keeps his L’enfant terrible (Terrible child) atitude, and at the same time explains why he prefers to produce this wine outside of DO regulation. The climate is very continental at 1000 meters altitude, on clay. It reaches 30 degrees thermal amplitude in the day in the summer. Vines are low, almost on the ground because of the wind. Prieto Picudo. Here, the grapes are crushed and younger wood is used than in the other wines.

The wine is pretty exotic, with aromas of crushed leaves, whiskey wood and corn. Then a floral note appears and grape candy, grape juice. On palate it is smooth, fresh, fine tannins, but intense. The finish is dry, with a wood aftertaste , but long and fresh.
We got to know the producer.

EMPORDÁ. It is on the coast, in a cape that runs into the Meditarranean and of course the climate is classic Meditarranean and the Syrah vines, Garnacha and Cariñena are  over the classic schist of this zone.It’s the same we find on the French side, at Roussillon. The producer and his wife Nuria produce everything in Biodynamics on an abandoned stand they found  by chance, 22 years ago while they were out hiking in the region. They recovered the abandoned terraces, replanted vines(there was a small amount of vines pre-phylloxera ) and they organized everything according to the universe and it’s movement, in other words, by biodynamics.The wines.

7. MAS ESTELA VINA DEL MAR – EMPORDÁ. Garnacha vintage, 50%, with Syrah and Cariñena
It begins really ethery, with notes of balsamic. Soon some some fruit that become dense and perfumed. On palate it is full, rich, with fruit on palate and long and chocolaty finish.
8. MAS ESTELA VI DE LUNA 2007 – EMPORDÁ Vintage of Garnacha with Syrah
It has curious earthy aromas, of tree bark. After sometime really fruity aromas open, of black plum, both dry and fresh. On palate it is really firm, full of flavour, but very acid, hot, with a dry finish, a bit rustic.

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