Sextas às cegas. Alentejo, Brasil e Bordeaux.

by

sextas às cegas

Mais uma degustação às cegas daquelas nossas de sexta feira. Hoje não tão dramática como a última. Se eu disse às cegas, não precisa eu explicar que nem eu nem Ana Paula sabíamos origem, uva, nem nenhuma informação sobre o vinho. Só sabíamos que eram tintos, pois usamos taças transparentes.

Como já mencionei aqui, a vantagem de degustar assim é que nossos preconceitos, preferências, simpatias ou antipatias não entram na degustação. Só olho, nariz, boca e cérebro. Talvez a desvantagem seja que não consideramos se está dentro do contexto “tipicidade”. Nele, contextualizamos as características do vinho de acordo com sua origem. Então analisamos se o vinho tem qualidades e ou defeitos. Nada mais. Nada menos.

O primeiro vinho tinha uma cor jovem, brilhante, bem vivo. No nariz, ameixa preta, denso, alcoólico, lembrava um licor de cassis, um toque de chá preto. Depois apareceram notas de frutas mais vermelhas., algo mais fresco. Na boca é fresco, frutado, liso, com taninos fininhos, cremoso, boa fruta, tem o retrogosto perfumado. Sobra um pouco de álcool e um frescor de morango verde.

Um vinho que, apesar de alcoólico, é bem equilibrado com frescor de fruta. Fora do contexto é um vinho bem feito. Mas quando vimos que era um vinho do Alentejo, ficou lógica a presença do álcool. A região é notóriamente quente. Não que os vinhos possam ter defeitos porque têm uma origem que pode resultar em um vinho desequilibrado. Mas aqui, não se trata exatamente de um defeito e sim de uma consequência (não defeiturosa) de um clima árido. Como ele tem outros elementos que dão equilíbrio ao vinho, ele pode perfeitamente se permitir essa “tipicidade”. O vinho é Couteiro-Mor Grande Escolha – Vinho Regional Alentejano. Na Adega Alentejana R$ 63,20 (ótimo preço)

O segundo vinho também tinha uma cor densa, bem escuro. No nariz lembra notas de madeiras perfumadas, como incenso e sândalo. Depois fica mais cedro, lembra uma serralheria, aquele pó de madeira no ar. Logo aparecem umas notas queimadas, que lembram plástico. Depois, só madeira, bem difícil de achar a qualidade da fruta escondida atrás de todo o tostado. Na boca é redondo, cheio, meio doção na textura, com taninos firmes e finos. É um padrão de vinho corrente hoje em dia, com essa doçura, sem acidez, é algo bem vindo entre o consumidor hoje, apesar de não ser muito elegante. É bem melhor em boca que no nariz.

Descobrimos então que o vinho em questão é o Identidade 2006, feito com a uva desconhecida Arinarnoa feito pela Casa Valduga R$ 53,00 (olho da cara)

O terceiro vinho começou bem fechado, com um toque de manteiga e bem alcoólico também.  Depois apareceu o lado mais aromático do carvalho, meio jasmim, baunilha. Toques de café, um pouco mineral, mas o álcool atrapalha o toque de fruta e a nota de folhas de louro no nariz. Também tinha um toque de chá. Na boca é muuuuito tânico, secão. Mas tem uma boa fruta, extrato, mas a perecpção fica um pouco escondida por causa da força do taninos. É um pouco curto, apesar de saboroso enquanto está em boca, com boa acidez e fruta.

Ch. Larose-Trintaudon 2002. Um Cru Bourgeois do Haut-Mèdoc. Não sei se justifica tanto os taninos, mas estamos falando de um Bordeaux. É normal que tenha esses taninos. Mas não é bom que seja desequilibrado, sobrando taninos. No geral, é um vinho interessante, mas não é fácil. É um bom vinho para conhecer o Médoc, com todas as suas arestas e qualidades. R$ 110,00 (não sei se pagaria) Na Allfood. 

Friday Blind tastings .Alentejo,Brazil and Bordeaux.

Another one of our Friday blind tasting sessions. Today not as dramatic as our last. If I say blind, I don’t have to explain that neither Ana Paula or I knew the origen, grape, or any information about the wines. All we knew was that they were reds, as we used transparent glasses.

As I mentioned here before, the advantage of tasting in this way is that our prejudices, preferences, likes or dislikes do not affect the tasting. Only eyes, nose, palate and brain. Maybe a disadvantage is that we do not consider whether it is in a “typical” context. In so doing we contextualize the characteristics of the wine according to its origin. We then analize to see if the wine has qualities or defects. Nothing more. Nothing less. 

The first wine had a jovial colour, brilliant, very alive. On nose, black plum, dense, alcoholic, reminders of black currant liqueur, a touch of tea. Then notes of redder fruit appear, something fresher. On palate it is fresh, fruity, smooth, with fine tannins, creamy, good fruit, with a perfumed retro taste. There is an alcohol and green strawberry freshness leftover.

Despite it being alcoholic, a wine that is well balanced with fruity freshness. However when we saw that it was a wine from the Alentejo, the presence of alcohol became understandable. The region is notouriously hot. Not that the wines can have defects because they have an origin that result in an unbalanced wine. But here, it is not exactly a defect but a consequence (not defective) of an arid climate. As it has other elements that balance the wine, it can easily permit itself this typicalness. The wine is a  Couteiro-Mor Grande Escolha – Regional Alentejano  R$ 63.20 ( good price ). 

The second wine also had a dense colour, really dark. On nose reminders of perfumed wood, like incense and sandal wood. Then it gets more cedar, reminders of sawmills, that wood dust in the air. So the burnt notes appear, of burnt plastic. Then, only wood, really hard to  find the fruit quality hidden behind all that toasted. On palate it is round,full, kind of sweet in texture, with firm and fine tannins. It is a current style of wine, with this sweetness, without acidity, welcome by consumers today, eventhough it is not elegant. It is a lot better on palate than on nose.

We discovered that the wine in question is a Identidade 2006, made with an unknown grape Arinarnoa by Casa Valduga R$ 53,00 ( way overpriced )

The third wine started off really closed, with a touch of butter and very alcoholic too. Then the more aromatic perfume of oak appeared, kind of  jasmin, vanilla. Touches of coffee, a little mineral, but the alcohol interferes with the touch of fruit and the note of bayleaf on nose. There was also a touch of tea. On palate it is very tannic, very dry. But it has good fruit, extract, but the perception remains hidden behind the strength of the tannins. It is a little short, despite being tasty when it is on palate, with good acidity and fruit.

Ch.Larose-Trintaudon 2002. A Cru Bourgeois from Haut-Mèdoc. I do not know if it justifies so much tannin, but we are talking of aBordeaux. It is normal for it to have this tannin. But it is not good to be unbalanced, with leftover tannins. On the whole it is an interesting wine, but it is not easy. It is a good wine to get to know Mèdoc, with all its qualities and edges. R$110,00 (not sure I would pay this much).



 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: