Domingo no Mercadão com Miguel Torres

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Um clássico espanhol, um clássico mundial, num clássico paulistano

(for english, please scroll down)

Eu nem sabia que dava para fazer isso. Quero dizer, com “isso”, escolher uma garrafa de vinho num dos empórios do mercadão, abrir e tomar. Quando já saíamos de lá, vimos um grupo e pessoas tomando um espumante na frente do Empório Central  e perguntei se eles tinham taças para tomar um tinto. A menina que me atendeu, super cordial, disse que sim. Escolhi, entre muitos rótulos com preço legal,  o Miguel Torras Gran Coronas Reserva (por R$ 70), ela me trouxe as taças e pronto.Tínhamos comprado azeitonas, alhos em conserva e um monte de outras delícias, abrimos ali mesmo e, que sorte, o jogo Brasil x Paraguai estava começando e a sensação de que o mundo pode ser um lugar bom tomou conta do meu coraçãozinho…Futebol + meu filho + meu marido +  um dos meus vinhos preferidos…sim, a vida é bela. (apesar de o jogo ter ficado num angustiante 2 a 2)

O vinho? Exemplo de perfeição: no nariz tem notas de tabaco, um toque de cereja pretinha bem madura amassada, geleia de jaboticaba. Vai abrindo aos poucos, aparecem notas de pimenta do reino, um pimentão vermelho assado, toques de carne, cedro…e não para, vai evoluindo (mas eu parei de anotar e fui desfrutar…).

Na boca é mantém a mesma elegância, mas com mais força: é alcoólico e saboroso, com o álcool carregando todos os sabores pela boca com intensidade. Tem taninos que lembram os chocolates mais puros, muito finos e intensos, é cheio, longo, aveludado. Eu gostaria que fosse um pouco mais longo, porque é tão bom….mas é perfeito.

 

Sunday at São Paulo’s  City Market with Miguel Torres

A Spanish classic, a world classic, at a classic place of Sao Paulo.

I didn’t even know this could be done. By “this” I mean choose a bottle of wine from one of the emporios at the market, open and drink it.  We were about to leave when we saw a group of people drinking sparkling wine in front of the Central Emporio and I asked if they had  glasses for us to drink a red. The young lady at the counter, who was very cordial, said yes. I chose among many reasonably priced labels, a Miguel Torres Gran Coronas Reserva. She brought me the glasses and the feast was on.  We had bought olives, pickled garlic and a bunch of other delicacies, we opened it up right there, and to our luck the Brazil X Paraguay soccer game was about to start. That feeling that “yes, the world can be a very generous place” took hold of my heart.

Soccer + my son + my husband + one of my favorite wines = yes, life is beautiful. (although the game ended up an anguishing 2 x 2 draw, grrr)

The wine? An example of perfection:on nose there are notes of tobacco, a touch of black cherry really ripely squeezed, jabuticaba (known as  Brazilian grape) jam . It opens up slowly, black pepper notes appear, baked red bell pepper, touches of meat, cedar …and it does not stop, it continues evolving ( I stopped taking notes and just enjoyed )

On palate it keeps the same elegance, but with more strength: it is alcoholic and tasty, the alcohol carries all the flavours through the mouth intensely. The tannins reminds one of the purest black chocolate, very refined and intense, it is full, long, velvety.  I would like it to be longer, because it is so good….but it is perfect the way it is.

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3 Respostas to “Domingo no Mercadão com Miguel Torres”

  1. Mauro Rebelo Says:

    Oi Alexandra,
    hoje ouvi a sua coluna e você disse que não sabe exatamente quando o vinho começou a ser um produto da elite. Olha… eu não acreditei que você realmente não soubesse, mas vá lá, pode ter sido só alguma coisa que você falou espontaneamente depois da pergunta da locutora. Eu sou professor universitário e cientista, o que talvez me caracterize como elite, e adoro vinho. Não sou sommelière mas sou biofísico e conheço as limitações do corpo humano para perceberem mais do que 10 dos 800 compostos voláteis que um vinho libera em um dado momento. Assim, sou completamente descrente das avaliações feitas por especialistas e revistas. Que aliás, comandados pelo Robert Paker, transformaram o vinho em um produto de elite ao dar notas para eles (e influenciar os preços com as notas). Se você não conhece, eu recomendo fortemente a leitura do trecho onde o cientista Leonard Mlodinow fala sobre vinhos no livro “O andar do bêbado” (pag 140-143). Aliás, o livro inteiro é um barato: http://scienceblogs.com.br/vqeb/2010/05/terminei_de_ler_o_andar_do_beb.php
    Eu ia te mandar as páginas, mas o seu e-mail do site da band retornou a mensagem.
    Um abraço, Mauro

    • sommelierprofissional Says:

      Mauro, obrigada por ler, ouvir e comentar!
      Seu comentário tem vários pontos importantes. Em primeiro lugar, o que quis dizer foi que era estranha a concepção de o vinho ser uma coisa de elite aqui no Brasil, já que nas regiões produtoras, inclusive aqui no Brasil, no estado do RS, é algo popular e quase rural. É um alimento. O que quis dizer é que é paradoxal que vinho seja algo elitista e não deveria ser.
      Por outro lado coloquei que quando (há uns 30 anos) começou-se a trazer vinho importado para o Brasil, aquilo era caríssimo e só poucas e abastadas pessoas podiam bancar o consumo. Então, concluí que foi mais ou menos naquele momento em que o vinho – pelo menos o importado – passou a ser visto como algo para poucos.
      Por outro lado, hoje vivemos em uma realidade onde o vinho está muito mais acessível – seja ele brasileiro ou importado. Há vinhos de todas as faixas de preços de qualidade razoável.
      E, queira ou não, isso se deve ao poder da informação que, de certa maneira, não foi liderado, mas ficou evidente, com a ascensão de Robert Parker. Ele não tem culpa de que as pessoas levem a opinião dele tão a sério. Ele acha algo, publica e, de repente aquilo muda o mundo. Nâo é exatamente culpa dele. Ele só diz o que pensa. Eu não tenho nada contra nem a favor dele, mas vejo os fatos assim.

      Você comenta que é “completamente descrente das avaliações feitas por especialistas e revistas”, mas reconhece que eles têm um papel importante, já que reconhece a força de RP. E, em minha opinião, graças à análise atenta de vários profissionais sérios, os produtores são bem mais cuidadosos na hora de produzir seus vinhos baratos…podem ser baratos, mas terão mais qualidade do que vimos nas décadas de 70 e 80. Eu acho que esse profissionais ajudaram a popularizar o vinho e não a torná-lo elite. Eu tenho alunos em minha escola de faixas socio-economicas muito (muito mesmo) variadas. Então, não acho que hoje o vinho seja tão elitista. Não é exatamente um produto popular, mas está a ponto de se tornar.
      Vou ler o texto que me mandou. Muito obrigada pela participação com seu comentário.
      Abração.

  2. baruki Says:

    Voltando ao Miguel Torres rsrsrs… seus vinhos são realmente muito bons! Fiquei felicíssimo quando a Wine selecionou eles no mês retrasado, pois já havia experimentado quando havia ido a Barça e quase nunca encontrava algum exemplar por aqui antes dessa explosão de importadores rsrsrs…

    Falando em Wine, você não quer me ajudar a ganhar 4 garrafas de Champagne? Entra no meu blog, cada voto é importantíssimo!!!

    Bjos,

    Raphael.
    http://enoffillo.blogspot.com

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