Pensando…

by

Eu abandono vocês né? Desculpem. É que não sou blogueira…então não deveria ter um blog, alguns de vocês diriam, não é?

Às vezes realmente não tenho o que contar. Tem um zilhão de coisas acontecendo no mundo do vinho, feiras, degustações, seminários, enfim. Mas, ao mesmo tempo, tem um zilhão de pessoas escrevendo sobre isso. Assim, não sinto que estou contribuindo com nada demais contando o que já está todo mundo contando.

Assim, não fiquem bravos comigo. Ao mesmo tempo, tenho pensado nas pessoas que escrevem, dão aula, falam de vinho e mesmo sommeliers em restaurante, e fico assustada com o nível de “achismo” publicado seja em blogs, revistas ou no atendimento a uma mesa.

Bem, em blogs, a ideia é essa mesmo, dizer o que você pensa e quem quiser ler, lê, quem não quiser, não lê. No entanto,  sabemos que um texto que se torna público carrega uma certa responsabilidade e as pessoas podem usar aquilo como referência. O resultado é uma série de informações erradas e razas se difundindo por aí.

Bom, em primeiro lugar, quem sou eu para dizer quem pode ou não escrever. Não sou ninguém. Diga-se de passagem, caí de gaiata nesta história de escrever quando fui convidada para escrever uma coluna no Portal Veja São Paulo – onde fiquei por 6 anos. Quando saí resolvi continuar tendo um blog, mas, como disse, não sou blogueira “profissional”, não tenho material para atualizar todos os dias.

Em revistas, bem. Há de tudo em termos de achismo e profissionalismo. Já me pediram para escrever em muitas, mas não pagam. Sim, querem que você preste um serviço, mas não têm verba. Como faz? Trabalha de graça? “Você divulga seu trabalho, seu nome fica conhecido”. Bom, então para divulgar meu trabalho, fico com meu humilde blog. Enquanto isso, quem está escrevendo nessas revistas que não pagam são pessoas que, talvez, querem ficar famosas e conhecidas, ganhar uns almoços grátis e escrever sobre o que comeu e bebeu. Nâo todas, é lógico. Mas muita, sim. O que elas sabem sobre vinhos? Nâo sei…

E, bom, enfim, os sommeliers….ontem fui num lugar onde um sommelier doce e simpático e humilde e “que trabalha há dez anos no ramo” me serviu um Jerez e disse (na maior humildade, mas, convenhamos, há limite pra tudo): “eu acho ele interessante porque tem um caráter oxidado que não encontramos em Jerez”. Só para vocês saberem, Jerez É sabidamente a expressão máxima do lado oxidativo de um vinho…MAs, bom, o cara era humilde, só me restou sorrir e agradecer a taça trazida. Mas, se vocês me lêem, como diz meu amigo Thiago “Cada uma que acontece com você”, sabem que é um sofrimento ter que depender de um “sommelier” nos restaurantes de São Paulo para escolher um vinho.

E não vou me prolongar sobre o que vem acontecendo neste ramo que é, nada mais nada menos, do que o reflexo de um país: ninguém quer estudar, todo mundo quer aparecer, a lábia ôca se prolifera e o nhém-nhém-nhém guarnecido de tapinhas nas costas é o que dita o comportamento.

Abraços.

Thinking…

I abandon you simetimes, don’t I ? I think  I am not a real  blogger……well, then I shouldn’t have a blog, some would say, right?

Sometimes I really  don’t have anything to write about. There are a zillion things happening in the world of wines here in Brazil , fairs , tastings, seminars, and so on. But, at the same time , there are a zillion people writing about this. And so ,I don’t think I am contributing with anything if I’m writing the same thing everybody has already written.

So, don’t get mad at  me . At the same time I have thought about the people who write, teach , talk of wine and even sommeliers in restaurants, and I am frightened by the level of  know-it all-ness published , be it in blogs , magazines, or when serving a table.

Well in blogs the idea is precisely that , say what you think and whoever wants to read does, right? Even if the information is not precise, anyone can write anything… However, I think that when a  text  goes public  it carries with it a certain responsibility and people can use it as reference. The result being a series of wrong and shallow  information being divulged.

Well ,in the first place , who am I to say who should write and who should not . I am nobody. By the by,  I got into this writing story by chance, when I was invited to write a column for Portal Veja São Paulo (a weekly Brazilian magazine) – where I remained for 6 years. When I left I decided to continue having a blog, I’m not a professional blogger, I don’t have material to update everyday, but I like writing and communicating with the readers that became fans.

In magazines, well. There is everything in terms of know-it-all-ness and professionalism. I have been asked to write in many of them. The thing is that don’t pay. Yes, they want you to do the job, but don’t want to pay for it. How does that work? Work for free ? They say ” You advertise your work, your name becomes known “. Well , then to advertise my work , I’ll stick to my humble blog. In the meanwhile, those who write in these magazines who don’t pay ,  are people who want to get famous and well known, get some free lunches and wines and  write about what they drank and ate for free? Not all of them are like that, of course.  But many are. What do they know about wine? How can they give the consumer useful information?  Beats me. 

And finally, the sommeliers….I went to a place where a sweet , nice and humble sommelier , “who has worked in the field for 10 years “  served me a Sherry and said ( very humbly, but, you have to admit there is a limit to everything ):  ” I think this one is interesting because it has an oxidated character which we don’t find in Sherry ” . Just so you know Sherry IS known as the ultimate expression of the oxidated side of wine …BUT well the guy was humble , so all that was left for me to do was smile and thank him for the wine…. But if you  have been reading me you will know , as my friend Thiago says ” The things that happen to you..” , you know it is a suffering experience having to depend on a sommelier in the restaurants of São Paulo, to choose a wine.

And I will not go on about what is happening in this  profession , which is nothing more than a reflection of a country : nobody wants to study , everybody wants to be in the limelight , shallow talk proliferates and the blah ,blah,  blah , garnished with little pats on the back is what dictates behaviour.  

Greetings.

19 Respostas to “Pensando…”

  1. Bernardo Silveira Says:

    Dá-lhe tapinha nas costas. País do tapinha nas costas. Ou da lábia oca. Ou da falta de vontade de estudar. Ou da vontade de aparecer. Ou a gente troca “ou” por “e” e deixa o texto como tava, que é verdade mesmo e vale mesmo em tudo quanto é área. Porquêra.

  2. Jose Luiz Says:

    Outro dia um sommelier, esse sim de verdade, me disse que não existe sommelier no Brasil. E não há mesmo, na expressão máxima da palavra. Não apenas por falta de profissionais, mas por falta de espaço e reconhecimento dos proprietários de restaurantes no Brasil. Como pode um sommelier trabalhar em um restaurante que sequer informa as safras na carta de vinhos? Ele até pode ter formação, mas está trabalhando em outra função. Sommelier não é.

    • sommelierprofissional Says:

      Oi Jose Luiz. Se não há sommeliers não é por falta de espaço e reconhecimento dos proprietários dos estabelecimentos. A vaga está lá. Você a conseguiu, lute por ela, estude, aprimore-se. É só o que não resta. Eu trabalhei de 92 a 2005 em restaurantes. Destes anos, posso somar uns 2 que trabalhei de graça (em estágios aqui e na Europa) porque eram boas oportunidades de me aprimorar. Já fui tratada como uma “sudaca” (sulamericana na europa em termo pejorativo), já fui mal tratada, já fui bem tratada, mas nada nunca me impediu de parar de estudar. Desculpe, não sou nenhum mártir. Só acho que o desenvolvimento de cada um depende de cada um e não do reconhecimento do outro. Conheço ajudantes de cozinha que estudam vinhos. Conheço sommeliers que não. Conheço sommeliers que buscam aprimoramento, já vi de tudo. Se um sommelier trabalha em um restaurante que “nao tem a safra na carta” que vá se estapear com o dono para melhorar isso.
      É uma guerra? Lute. Ser sommelier é mais do que uma posição, é uma forma de fazer as coisas, de ver e praticar o serviço, é uma reverência ao cliente. Não é formação, não é status e não é salário. É ter tesão em acertar na garrafa para o cliente. Mesmo tendo um maitre taleban no seu cangote te dizendo “você só vende vinho barato” (experiência própria) quando você está tentando agradar O CLIENTE – que é a razão de seu ser – e não tentando ganhar um extra nos 10% da conta. Os proprietários de restaurante não confiam nos “sommeliers” porque os que há não se dão respeito e os sommeliers não contam com os patrões como futuros parceiros porque são, muitas vezes – não todas – imediatistas. É uma rua de duas mãos, mas, concluo: você é responsável pela qualidade de seu trabalho. E isso vale para qualquer trabalho. Né?

      • Jose Luiz Says:

        Concordo em gênero, número e grau. Desculpe, toda generalização é oca por princípio. Mas sommeliers de verdade em atividade no Brasil são poucos, muito poucos. Dá para contar nos dedos das mãos.

      • sommelierprofissional Says:

        Jose Luiz. Claro que generalizações são bobas, mas não é uma generalização, é de fato, uma constatação que concordo. Sommelier em atividade que eu conheço é só o sr. Manoel Beato. Não conheço outro.

      • Jose Luiz Says:

        Quando ele está lá… Nas duas vezes que fui ao Fasano, infelizmente, ele não estava presente. E me serviram um beaujolais de safra diferente da que estava no cardápio. Sem qualquer comentário ou desculpa. Também tem o Tiago Locatelli que faz um trabalho bacana no Varanda.

      • sommelierprofissional Says:

        mmmm, tem isso, Jose Luiz. Nem sempre o Mano tá lá está…verdade, tem o Locatelli. Deve ter mais algum… tem a Dani Bravin que faz um trabalho muito bom, inclusive estuda comigo, o que demonstra que continua buscando aprimoramento e tem humildade, enfim. para por aí, né?

  3. jean boechat Says:

    genial. especialmente o parágrafo final.

  4. regiane avila Says:

    Pois é, você pegou “na veia”! Tenho 46 anos e estudo sobre vinhos há tempos. Tenho feito cursos profissionalizantes, inclusive, tenho um diploma de sommelier. Porém, não me sinto como tal, pois tenho plena consciência do quanto tenho a aprender. Trabalhei 26 anos como analista de sistemas e criei meus filhos a partir dos ganhos nessa profissão. Hoje, porém, a situação é outra e estou tentando mudar essa história. Aproveitei a idade mais madura de meus filhos e sai do meu trabalho e estou buscando cursos, estágios e treinamentos como sommelier. Não sei no que isso vai dar. Só sei que, depois de um mês como desempregada, já sinto como se nunca tivesse feito parte daquilo. Ótimo. Sem mágoas, sem expectativas. Apenas buscando concretizar sonhos.

    • sommelierprofissional Says:

      é isso, Regiane. Mais do que estuda ou ter diploma, ser sommelier é um estado de espírito. Sim, uma profissão, mas antes disso, uma vontade imensa de atender, de trabalhar na área, de sugerir, de compartilhar. Um diploma não nos faz sommeliers. A prática aliada à busca enlouquecida da excelência nos faz. Mas, mais uma vez, isso não é só para a sommellerie. É para QUALQUER profissão. bjao e passa na minha escola!

  5. katia kouzelis Says:

    My friends and I were commenting on the exactly the same thing …..how it is that we are as a country….o jeitinho brasileiro….extends to all professions…it’s like we all say to ourselves …me engana que eu gosto….

  6. Leonardo Rossetti Says:

    Essa é Alexandra Corvo na essência!! Belo texto!! Parabéns!! Bjos

  7. DÓRIA Says:

    Você está num dia pessimista! Rs

  8. Leonardo Rossetti Says:

    Professora, ficou nítido que foi um elogio, sequer possibilitei uma interpretação dúbia…rs!!

  9. Ricardo A. Leite Says:

    Eu, por conta de situações dessas (sommelieres de meia pataca, garçons despreparados, donos de restaurantes pernósticos, preços abusivos, donos de lojas pilantras etc) já desisti de beber vinho fora de casa há tempos…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: