Os incríveis Verdes de Anselmo Mendes

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Vocês devem ter notado que estou num transe de vinhos brancos do qual não quero sair. Para a minha sorte, Anselmo Mendes, um dos maiores produtores da região dos Vinhos Verdes, esteve no Brasil para falar um pouco de seus vinhos.

Vocês prestaram atenção? REGIÃO dos Vinhos Verdes. É o nome de uma região. Nâo é um vinho de cor verde (apesar de, sim, ele poder ter uma cor esverdeada – como qualquer vinho branco – na juventude). Nâo é um vinho feito com uvas verdes, como já me disseram, nem é um vinho que não está “maduro”. Por favor, parem de crer em lendar esquisitas. É o simples nome de uma região demarcada, como o é o Douro, o Dão, a Bairrada, etc…Eu já ouvi que o nome da região pode vir da paisagem que, por causa da umidade, é bem verdejante. Já ouvi também que é porque as uvas tinham dificuldade de amadurecer. E é essa a versão que Anselmo dá como definitiva. Digo as uvas “tinham” dificuludade de amadurecer porque hoje em dia, com um manejo viticultural melhor desenvolvido, condução das vinhas e melhores exposições ao sol, chega-se até a vinhos com 13 graus de álcool.

Aqui algumas impressões de seus vinhos. Não todos estão disponíveis aqui no Brasil, mas os que estão são trazidos pela Decanter.Degustamos

Alvarinho Muros Antigos 2005 – para um VV já é um senhor de quase meia idade, com seus 6 anos. No nariz mostra maturidade, lembrando pêra passada, um toque de petróleo (comum na Alvarinho da região). Bastante aroma de pedra. Na boca é cheio, salgadinho, grande, carnoso, longo, excelente acidez, com um toque pcante de pimenta verde. Segundo o produtor, o ano foi fresco, daí os elementos terem amadurecido lentamente, chegando nesse nível de maturidade.

Alvarinho Muros Antigos 2007: nariz com toques de pera fresca e um toque floral de margarida. Na boca é bem fresco, cremoso, com uma textura cítrica e um finalzinho quente.

A linha a seguir é de vinho que tem um pouco de contato com barricas pequenas de carvalho, com tosta muito baixa, ou sem tosta nenhuma.

Alvarinho Muros de Melgaço 2003. Um aspecto bem oxidado já no visual dourado. No nariz lembra um “vin jaune”, iodo, acetona, milho, whisky, enfim: os aromas são interessantes e é divertido sentir a evolução mas, ao contrário do que alguns “especialistas” que andam por aí dizendo que este vinho está ótimo, na verdade, ele deixou de ser o que deve ser há muito tempo. É interessante? É. Mas não é típico do que se busca num Vinho Verde.

Alvarinho Muros de Melgaço 2005: toques de mel, maçã madura, é bem complexo, própolis, exuberante e com uma nota a muscat. Na boca alia frescor e cremosidade, tem textura firme, é longo e tem muito extrato.

Alvarinho Muros de Melgaço 2007: nariz mais fechado, com toque fresco, a pêssego, pera verde. É interessante notar com o vinho de safra mais recente mostra as notas da fruta mais fresca, enquanto que os mais evoluídos mostram toques mais maduros e, nos casos acima, mais complexos. Na boca é bem cheio, fresco, estrutura encorpada, meio quadradão, seco. Depois de engolir, fica uma nota salgada e rica em boca, com um comprimento gigante, muito longo e intenso.

Alvarinho à Moda Antiga – estes vinhos são feitos com uvas de encosta, que têm mais açúcar e mais acidez.O produtor também faz macerações com a película.

Começa um pouco fechado no nariz, com toques de caroço de uva, fumo…na verdade, neste momento da degustação tudo ficou confuso. Estávamos no Trindade, que tem uma área externa para fumante de charuto, que coincide com a tubulação de ar condicionado, portanto, a partir deste momento, tudo tinha aroma “de tabaco”…organização “genial”

Na boca é gordo, com um toque ácido, muita estrutura, muita intensidade de sabore e, pasmem, taninos. Anselmo Mendes nos comenta que é normal encontrar taninos nesta uva branca.

Parcela Única 2009: de um pequeno vinhedo de menos de 1 hectare, vem um pouco o conceito de “cru” da Bourgogne, de onde tira apenas 2800 garrafas, em média.. Deixa o vinho por aproximadamente  9 meses em contato com as leveduras, em barricas de 40 0litros.  É muito explosivo no nariz, tem muita fruta, flor e um toque lácteo. Na boca é gordo, fresco, untuoso, com muito extrato e final extremamente longo.

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