Vinho branco não é tudo igual

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Estava pensando outro dia em vinhos para o verão, o que é mais legal, o que é menos. Acho que costumamos pensar no vinho branco como algo que se toma geladinho e ponto. Mas não é bem assim. Há vinhos que são mais legais para o verão, justamente porque ficam melhor se tomados frescos, mas há outros que nem devem ser tomados tão frios, portanto nem sempre são a melhor opção para os dias de calor.

Se tentarmos agrupar os estilos de vinhos brancos, acho que podemos fazer a seguinte divisão

– Brancos frescos, leves e ácidos: aqui podemos encaixar vários tipos, todos com uma pegada ótima para o verão. Os Vinhos Verdes de Portugal, os Muscadet do vale do Loire, os Sauvignon blanc de climas frios, sejam eles também do vale do Loire (Pouilly Fumé e Sancerre- que têm também um aspecto mineral importante), da Nova Zelândia, do Vale de Casablanca (Chile) ou mesmo os daqui do Brasil, de climas mais úmidos e frescos. Da Itália, podemos pensar nos Orvieto, Soave, alguns Verdicchios e Trebbiano d’Abbruzzo. Na Espanha, sem dúvida, Rías Baixas e Rueda são os vinhos mais refrescantes do país. Alguns Alsacianos e Alemães de estilos mais simples podem ser opções fenomenais, com a vantagem de serem também extremamente aromáticos.

– Brancos de corpo médio, com certa gordura: esta estrutura pode derivar de climas mais quentes ou de vinificações com um toque de barrica. Com certeza Petit Chablis e Chablis são opções que mantém a acidez calcária típica da região, mas têm também uma certa cremosidade, variando bastante com o produtor. Ainda por ali, mas mais ao sul, na Bourgogne, os vinhos do extremo sul da região (Mâcon, Pouilly Fuissé, etc) têm também essa acidez marcada, mas com uns toquezinhos mais gordos em boca, às vezes um pouco amanteigados. Os brancos de Bordeaux, em clima mais quente, ficam por aqui. Talvez em safras muito frescas encaixem-se mais na categoria acima, masi frescos. Brancos de Côtes du Rhône encaixam-se aqui, feitos no clima quente da região, com várias uvas, entre elas Marsanne, Roussane e Viognier. Na Itália, sem dúvida, o Greco di Tufo e o Fiano di Avellino (ambos DOCG da Campania) são vinhos de corpo médio, com mineralidade e gordura, sem serem extremamente densos. Os Pinot Grigio do extremo norte também tem essa estrutura, mas geralmente com maior frescor, por causa do clima mais frio do Friuli-Venezia-Giulia ou Alto Adige. Os brancos Riojanos espanhóis (jovens e crianza) têm esse corpo também, mais neutros no nariz. Alguns brancos do Dão, do Douro e da Bairrada têm esse equilíbrio de corpo médio, untuosidade e acidez.

– Vinhos amplos e gordurosos: aqui entram todos os vinhos tidos como alguns dos maiores do mundo. Não devem ser tomados frios, mas sim frescos e, gerlalmente, ganham muito com pratos densos, inclusive carnes elaboradas, pouco consumidos no verão. Os grandes brancos de Chablis e da Bourgogne, de Côtes de Beaune e suas apelações, principalmente 1er e Grand Cru. São amplos, ricos no nariz, cheios de camadas aromáticas, gordos em boca, com acidez firme. Os crus do Rhône, Condrieu e Château Grillet, dos solos difíceis do norte da região feitos com a perfumada Viognier. No centro do vale do Loire, encontramos brancos de Vouvray, Savennières, Chinon, Coteaux du Loir (sim, sem o “e” no final) Anjou blanc, enfim, uma série de vinho perfumados, ricos, amplos e gorduchos que pedem uma comida à altura. Os grandes Chardonnays barricados do novo mundo, principalmente da Califórnia, mas também do Maipo no Chile ou Mendoza, na Argentina, assim como os australianos e sul-africanos dos climas mais quentes.

Claro que não pus todas as possibilidades. E esta divisão não significa que você não possa tomar um Chablis Grand Cru no verão à beira da piscina. Cada um faz o que quer com sua garrafa. Mas, é importante dar uma repensada e entender, que há brancos que cumprem melhor uma função de refrescar – portanto são ideais para o calor – e outros nem tanto.

É isso, escolha o seu e, para quem for da cidade de São Paulo, aproveite o feriadão que vem por aí.

2 Respostas to “Vinho branco não é tudo igual”

  1. Gustavo Silveira - gustavogsilveira@hotmail.com Says:

    Com o calor que tem feito, aqui no Rio de Janeiro, nada melhor que um exemplar dos brancos frescos para amainar esse “maçarico”, que vem do céu.
    Belo post, muito bem explicado.

  2. Eugênio Oliveira Says:

    Oi Alexandra,

    Adoro vinhos brancos, e são os que mais compro e tomo atualmente, indiferente do clima, que se estiver mais quente procuro os mais refrescantes como pinot grigio e se estiver mais frio vou de Chalon, Anjou, Chassagne-Montrachet…

    Você já tomou o Furore Bianco Fiorduva, da Marisa Cuomo ?

    Vinho italiano da Costa Amalfitana feito de fenile, ginestra e ripoli. Tomei em 2009 e nunca esqueci, até postei:

    http://www.decantandoavida.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=34%3Abrancos-ineditos-do-dcv&catid=1%3Aartigos-posts&Itemid=1

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