As Castas Brancas Portuguesas

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Tivemos na WoPIC (wines of portugal internacional conference) uma degustação com Tom Marthinsen, especialista norueguês em vinhos, que falou um pouco sobre os brancos portugueses. Na verdade, este era o tema da degustação, mas ele falou mais sobre o mercado noruegues, tema que nos interessa aqui muito pouco, e quase nada sobre as castas, que era o que eu precisava saber. O painel de vinhos, no entanto, tinha coisas bem interessantes e segue abaixo algumas impressões.

Quinta do Ameal 09 Vinho Verde. Da região do rio Lima, feito com a casta Loureiro. Nariz úmido, com toquezinho mineral, maçã madura e nota de levedura. Na boca é bem cremoso, tem um toque fresco e cítrico, um pouco curto de sabor e sobra um pouco de gosto a levedura, deixa o vinho um pouco enjoativo, meio mal acabado, apesar da qualidade no nariz e na boca, em geral.

Soalheiro Primeiras Vinhas 09 – Alvarinho, também da região dos Vinhos Verdes. Bem maduro no nariz, com toque de maçã, aromas ricos e profundos. Na boca é cremoso, tem bom frescor, é um pouco quente, talvez alcoólico demais, com uma nota adocicada, poderia ter melhor acidez.

Nossa Branco Filipa Pato. Feito com a uva Bical, num clima bem atlântico e de solos calcários.. Muito complexo, com um leve toque de manteiga, toque de laranja madura, cozida, notas minerais, tudo muito rico. Na boca tem um toque mineral, é cremoso, denso, fresco, complexo, com finalzinho alcoólico, mas cheio de aromas no retrogosto. Lindíssimo vinho.

Quinta das Bageiras Garrafeira 08 – Bairrada Maria Gomes e Bical. Passa por um pouco de carvalho. Nariz bem tostado, um pouco fechado, reduzido. Na boca é super salgado, interessante, com ótima acidez e frescor cítrico.

Quinta da Pellada Primus – Dão – Encruzado, com um pouco de carvalho. Aromas um pouco medicinais (me lembrava esparadrapo), depois apareceu um pouco de fruta branca. Na boca é bem amplo, fresco, volumoso. Tem um toquezinho amargo no final e falta um pouquinho de extrato, mas o retrogosto é perfumado.

Conceito Branco 2009 – Douro. Com as uvas típicas do Douro: Rabigato, Códega, Viosinho e uma passagem por carvalho. Torrado, notas minerais, fumaça. Na boca é cremoso, firme, faltava frescor e tinha um finalzinho amargo. Como eu andei degustando outros brancos do Douro, diria aqui que ele pode melhorar com um pouco de tempo em garrafa.

Em suma, tive pouca explicação sobre cada uma destas uvas, faltou mesmo conteúdo por parte do palestrante, mas o painel foi interessante, sobretudo pela oportunidade de conhecer o branco da Filipa Pato que é a síntese da elegância e da profundidade.

Outro aspecto interessante de todos os brancos portugueses que provei, não só nesta degustação, mas na WoPIC em geral, foi a mineralidade, expressa de maneiras diferentes (lembrando mais carvão quando no xisto, mais gruta quando no granito, mas tostado na Bairrada) nos brancos portugueses. Sem dúvida, os brancos dali devem ser observados com atenção, pois há um potencial gigantesco pouquíssimo explorado.

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