Chilenos de clima frio

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Um problema recorrente nos vinhos do novo mundo é o excesso de álcool. Climas muito quentes aliados a uma viticultura que leva as uvas à extrema maturidade resultam em vinhos pesados, alcoólicos e com uma doçura (não de açúcar, mas de álcool justamente) que atrapalham qualquer tentativa de harmonização. O Chile tem a vantagem de ter uma variedade enorme de climas perto do Pacífico que recebem a influência fresca do oceano.

O enólogo chileno Alejandro Galaz saiu em busca de novo climas no Chile para produzir vinhos com mais profundidade aromática e melhor frescor. Escolheu os vales de Lolol, a 28 km do pacífico (para os brancos) e Fundo Trinidad, região do vale do Maipo que recebe bastante influência costeira (para os tintos) para produzir a linha Ramirana da viña Ventisquero.

O almoço foi no restaurante Kinoshita.

Ramirana Reserva Chardonnay (60%) e Sauvignon blanc 2009. Bom frescor no nariz, mas com as notas de mel e pêssego da chardonnay. Na boca tem ótima acidez, é muito cremoso, mas sobra álcool no final, a sensação é um pouco quente e tem um toque amargo. Comemos com uma entrada de atum selado com gergelim que estava muito seco e esfarelento que não combinou. Já com um salmão cru com manteiga e limão ficou bastante interessante.R$ 45,00

Ramirana Reserva Sauvignon blanc (70%) e Gewurztraminer 2010. O vinho tinha um aroma interessante que não era de nenhuma das duas uvas sozinhas, mas um toque de limonada suíça, um toque lácteo e flor de laranjeira. Na boca tinha boa acidez, boa cremosidade e o retrogosto bem aromático, frutado. Ainda achei um pouco adocicado demais para o que esperava de um clima tão fresco. Tentamos com um carpaccio de robalo, ficou bastante interessante, ambos tinham gordura e frescor, as texturas se encaixaram bem. R$ 65,00

Ramirana Premium Sryah (60%) e Carmenère 2008.  Nariz com muito caramelo, um toque de chiclete. Na boca tem uma primeira impressão fresca, mas tem um toque quente, com taninos finos e um finalzinho amargo. De novo o toque meio doção, rico, com um toque amargo e final um pouco curto. Eu comi com um pouco do carpaccio de robalo e ficou curioso, não atropelou tanto o peixe quanto imaginei. Ficou interessante com um sushi de salmão (de novo, salmão no menu, um pouco recorrente demais) e com outro de peixe serra que, como tinha pouco sabor, acabou ganhando a nota do caramelo, ficando um pouco mais divertido em termos de sabor.R$ 65,00

Ramirana Premium Syrah, Cabernet, Carmenère 2008. Nariz com notas de tabaco, incenso, um pouco alcoólico, uma nota floral atraente. Na boca é duro, tem boa acidez, mas parece jovem, com muitos taninos, muito álcool e final amadeirado, como se tudo ainda não estivesse fundido, apesar da evidente qualidade da fruta. Provamos com um hamburguer de kobe beef um pouco gorduroso, mas que acabou deixando os taninos do vinho menos em evidência, por um lado, mas por outro, acabou com o lado perfumado do nariz.  R$ 110,00

Todos os vinhos são importados pela Cantu.

2 Respostas to “Chilenos de clima frio”

  1. elsom Says:

    Tenho vontade, mas não conheço o Kinoshita da V N Conceição (até pelos preços praticados), só o antigo na Liberdade, que achava muito bom. Pelos seu comentários, parece que os pratos não agradaram muito. Foi isso mesmo?
    Abs

    • sommelierprofissional Says:

      Oi Elsom. Então, tivemos uma entradinha, tipo couvert, um atum selado: sem sabor, seco, com textura de palha, nem o gergelim tinha sabor. achei grave. depois uma entradinha com lichia, para harmonizar com o gewurz, era simpática, mas não surpreendia. O carpaccio de robalo estava bem, o peixe estava bom (não surpreendente). Aí um salmão levemente selado com manteiga e limão por cima que, o peixe em si, não tinha nada de extraordinário. O que impressionou foi realmente o molho bem contrastante e a feliz harmonização com o chardonnay. Os sushis foram tristes. Primeiro porque repetimoos os peixes que já tínhamos comido – atum, salmão e robalo (todos sem vida). o sushi estava despedaçando. O maitre explicou que era assim que se consumia no japão, que é um arroz californiano, o mais consumido no japão, etc e tal. Eu acreditei porque não conheço o japão, mas, confesso que é difícil comer sushi despedaçando. Enfim, tem a continuação, mas eu não sou crítica de restaurantes, então não vou ficar me esparramando aqui. Só não voltaria. Abraço

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