Acropoles: saudades de algum lugar que não conheci

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vinhos gregos por todos os lados

Desci no metro Tiradentes nesta terça feira, às 13:15, com um almoço marcado para as 13.30 no Acropoles. Cronometrando que chegaria a tempo para almoçar, chegar a um outro compromisso em higienópolis às 15.40, voltaria para o escritório às 17, iria para a ioga às 18, e às 19 estaria na porta da escolinha de meu filho para pegá-lo. Só que eu esqueci de um detalhe: eu ia almoçar em um restaurante grego, com uma brasileira de origem grega. E, só no final, quando saí do restaurante às 16 e fui direto para casa, percebi que não teria tempo para mais nada, pois precisava digerir toda a informação, paixão, aromas e sabores que pude saborear em um almoço em um lugar que pode ser simples na aparência, mas é complexo na essência.

A Phedra queria me mostrar os vinhos gregos que ela importa da família Tsantalis, da Grécia. Caminhando, do metro até a rua da Graça, fui lenta, procurando o número 364 da Rua da Graça. Antes de perceber que havia chegado, um senhor, na porta de um estabelecimento sorriu para mim, abriu os braços em direção ao interior do restaurante, indicando: a casa é sua. Eu estava no Acropoles. E aquele senhor, de 93 anos – soube depois, é o Seu Trasso, proprietário do lugar.

Antes que a Phedra chegasse, pude observar o garçon, abrindo caixas de vinhos gregos e colocando em cima das mesas dos clientes, várias garrafas. “É vinho grego. Temos que vender, e não vai ser dentro da caixa que serão vendidos. Esse é o método grego de vender vinho”. E, antes que eu me sentasse, a garçonete falou: já conhece? Não. Então vem cá na nossa cozinha. Eles te levam, você escolhe lá e depois eles te trazem.

A Phedra chegou e já falou em grego (literalmente). O Seu Trasso fez pratinhos deliciosos de entradinhas, polvo, lula, pepino com alho e iogurte, muuuuuito azeite, pão quentinho. Depois trouxe moussaka, uns enroladinhos de arroz em couve com molhinho cheio de dill (ou endro) mais frutos do mar… tomamos o clássico Retsina do Tsantalis. Impressionante a semelhança dos aromas do vinho com os da comida. A Phedra me contou que eles usam muito dill e isso explica muito a harmonização perfeita com o retsina que tem esses aromas frescos. Todo mundo falando grego, umas mesas falando com as outras. Um senhor muito velhinho da mesa de trás perguntou o nome da Phedra e disse: eu conheço sua mãe (que hoje é uma senhora de 75 anos) do tempo que ela andava de motocicleta por aqui. Seu Trasso conta como estudou pouco, veio para o Brasil, começou como garçon e hoje tem seu restaurante, que é seu orgulho. A Phedra ia contando a origem das palavras, ética, democracia, pareceu o pai da menina do filme “Casamento Grego”, totalmente fantástico.

Sentar para comer com um grego não é brincadeira. É um ritual seríssimo, quase religioso, que exige o tempo necessário. Porque não é em meia hora que te levam a passear por Atenas, ilhas Cíclades, Sócrates, Homero e compartilham, com orgulho e argumento, a história, a cultura, a comida que alimentou e continua alimentando, uma das culturas mais lindas e antigas do mundo. Uma cultura que, apesar de conhecer nada, senti saudades ao entrar no Acrópoles.

Seu Trasso servindo pessoalmente e a Phedra no maior papo com a mesa ao lado

13 Respostas to “Acropoles: saudades de algum lugar que não conheci”

  1. Helena Mattar Says:

    Nossa, lendo o post deu até inveja! Já estive no Acrópole e de fato é maravilhoso! Um lugar simples e uma comida simplesmente deliciosa. Ambiente informal caseiro e, apesar de eu nunca ter falado com o Sr Trasso, ele ajuda a compor este ambiente! Agora preciso ir e fazer a harmonização com o retsina.

    Beijos,
    Helena

    • sommelierprofissional Says:

      Pois é, o retsina é legal para as entradinhas. Aí, eles têm um monte de vinhos gregos à venda. Não tomei os de lá porque a Phedra trouxe o Retsina do Tsantalis. Mas têm um de Nemea, um vinho regional (topikos oenos) de Creta e outro das ilhas egeias que devem ser, no mínimo, curiosos. Da próxima vez, tomarei. bjo e até quinta, Helena.

  2. Luiz Says:

    Alexandra, tudo bem ?
    E os vinhos gregos ? Algo além do Retsina que vale à pena provar no restaurante ?

    Abraço.
    Luiz

  3. jb Says:

    que delícia de post!

    um beijão!

  4. Eduardo Felipe Says:

    O site nao deveria chamar SOMELIER PROFISSIONAL! Deveria chamar “Eu encontro lugares bacanas com coisas legais e mostro pra todo mundo e tambem sou somelier profissional! hehehe.

    Adorei o post. Vou levar a familia toda la…

  5. Cristina Says:

    Alexandra,
    Parabéns pelo canal de comunicação disponibilizado!Ouço vc sempre na Band e acho extremante didática e perspicaz em suas colocações.Gostaria que me indicasse um livro base pra uma completa ignorante,uma inciante nesse mundo de vinhos.Que fale basicamente do tipo de uvas ,das regiôes e da harmonização.

    Um abraço,
    Cristina

  6. Alberto Says:

    Concordo com o Eduardo. Que lugar legal, que clima envolvente. Só de ler, viajei pela Grécia. Adorei a dica sobre o restaurante e sobre o acompanhamento com o Vinho Retsina da Tsantali. Ouvi seu programa, como sempre, e fui atrás do Tsantali doce que combina com chocolate, de nome Mavrodaphne Cellar Reserve. Simplesmente bárbara a dica da harmonização com chocolate! Achei este vinho no Carrefour, sabe onde tem a Retsina da Tsantali que vocês tomaram? Deve ser bom mesmo!

  7. Lina Panos Says:

    Parabens pela exata descrição do local a conteudo(comidas,aromas,vinhos )e priscipalmente da maneira que voce captou o espirito dos Gregos durante uma refeicão informal….Imagina se fose formal..a integração, cliente pudlico garsons, seria generalisata e terminaria sem duvida num belo Zorba todo mundo dançando…. Sou Grega de nascimendo e falo de Catedra !!!! A respeito dos vinhos de fato são divinos( coisa dos Deuses ) !!!!

  8. Phedra Danay Says:

    Grande Perda com a morte do Sr Thrassos Petrakis, a quem até “emprestou” o sobrenome a personagem de Novela das Oito…ficaremos mais pobres sem sua Simpatia, Hospitalidade e Sorriso e Alegria de viver …Que Linda matéria, a qual por coincidência (não existem coincidências), estava lendo HOJE, dia 30.,07, 1 dia após sua “passagem”….Vai deixar muitas saudades…Você Alexandra, captou muito bem o espírito grego….e vamos à Grécia novamente!! Beijos

  9. roberto augusto Says:

    Parabéns pelo belo site.

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