A Côte Chalonnaise fica logo ao sul da Côte de Beaune e é um região bem menos conhecida que sua vizinha do norte. E é aí que está nossa sorte: com as regiões de Beaune e Nuits super exploradas e já no limite de poder oferecer algo de novo, esta zona da Bourgogne está totalmente subexplorada e tem grande potencial de crescimento.
Ela é dividida em AOC Regional, 5 comunais ( ou villages, que são os vinhos produzidos dentro dos limites vinícolas de certas comunas) e tem dentro das villages, 130 climats classificados em 1er Cru.
A maior parte da zona é Régional ou Regional identificada ( sendo elas Bourgogne Côte Chalonnaise ou Côte Couchois) e ainda Crémant de Bourgogne (a cidade de Rully é um centro importante de produção de espumantes do método tradicional da Bourgogne).
As comunais são: Bouzeron, que produz exclusivamente brancos à base da uva Aligoté; Rully, que produz mais brancos; Mercurey, conhecidíssima pelos tintos tânicos, mal interpretados e, geralmente tomados muito antes de expressar seu verdadeiro potencial e que produz alguns brancos também. Em Givry, os vinhos são mais delicados e há maior porcentagem de tintos. Montagny produz apenas brancos e tem vários 1er crus interessantíssimos. Aliás tem mais 1er cru que villages e, segundo nos contou o professor, foi porque quando os alemães ocuparam a área, fizeram um acordo de que pegariam apenas as terras não classificadas como 1er, assim, rapidamente, eles cadastraram vários climats em 1er.
De maneira geral, a AOC Côte Chalonnaise produz brancos e tintos interessantíssimos com preços incríveis. É bom prestar atenção também à grande evolução qualitativa dos vinhos de cooperativa. Até os anos 80, os produtores de uvas não cuidavam bem dos vinhedos e deixavam para que a cooperativa se virasse com a matéria prima de má qualidade. Hoje, os responsáveis das “coops” checam o trabalho dos viticultores e, em muitos casos, recusam vinficar uvas que não estão à altura. Fizemos algumas degustações bem interessantes.
Domaine A. et P. de Villaine – Bouzeron
No jantar antes da ida à Côte Chalonnaise, estivemos com Pierre de Benoit, enólogo responsável pelos vinhos do Domaine de Villaine em Bouzeron. Não dá para escapar do fato de que Aubert de Villaine é proprietário da Romanée-Conti e que ele haver se instalado nesta pouco conhecida região, atraiu muita atenção de consumidores e produtores que, encorajados, se estabelecem em número cada vez maior.
Bem, confesso que, antes começar a degustar, Pierre nos arremessou um discurso tão pesado de “não degustem com o cérebro, degustem com os sentidos, vocês têm que amar ou não o vinho, mas parem de pensar tanto” bla bla bla…Como eu queria anotar minhas impressões, rebati: “se você está entre amigos, comendo e se divertindo, pode ser. Mas eu sou uma comunicadora e não posso escrever para meus leitores ou dizer aos meus alunos: gostei. Isso não é um argumento. Preciso do meu cérebro para escolher bem as palavras daquilo que meu corpo e meu coração sentem, portanto, com licença, vou anotar tudo o que eu sentir”. Assim, pude anotar algo. Portanto:
Bouzeron 2010: discreto, bem frutado, perfumado. Boca cremosa, com uma nota de grapefruit, bom frescor.
Bouzeron 2005: bem mineral e floral. Segundo o produtor, a idéia é que estes vinhos precisam de tempo e que o lado frutado não é o mais interessante de Bouzeron. Que o legal é que ele perca a fruta e mostr outro lado. Bem,aqui, realmente é o que acontece, ele mostra uma mineralidade interessante e passa bem longo da fruta. Na boca é firme e ácido, bem alto, elegante, com uma nota salgada e um final de pêra verde.
Bourgogne Côte Chalonnaise –Les Clous – 2009: amanteigado, lembra mel e talco. Na boca é salino, mais magro, seco, lembra algo de cinzas e giz no retrogosto.
Bourgogne Côte Chalonnaise – La Digoine – 2010 – entramos nos tintos, com um nariz bem perfumado, lembra um licor de frutas, mas bem fresco, bem exuberante. Na boca é fresco, taninos muito finos, cheio de fruta.
Bourgogne Côte Chalonnaise – La Digoine – 2005 – bem menos frutado, mais fechado, com um toque de cravo, ameixa preta bem discreta. Na boca é mais fino, com mais acidez e com menos fruta, mas seco.
Durante o dia, viajamos até a Côte Chalonnaise, onde pela manhã tivemos uma aula com o mestre Renard. Na aula, degustamos algo de Côte Chalonnaise e também um pouco do Maconnais. Falo dos vinhos de Mâcon mais tarde.
Montagny 1er Cru “Clos Caudron” 2009 – Domaine Du Ch. De Davenay – nota de fruta amarela, mas um pouco diluído. Na boca é quente, falta sabor e extrado. É considerada uma comuna com potencial para bons brancos, mas que ainda não conseguiu definir um estilo consistente. Fica bem ao XXXX da região.
Givry “Champ Lalot” 2010 – Dom. Michel Sarrazin et Fils – um tinto com notas de caramelo e framboesa. É fresco em boca, com taninos fininhos e pouco extrato, um final fácil, mas de taninos apertadinhos ainda.
Mercurey 1er Cru “Clos de Barraults” – Dom. Michel Juillot – Uma nota frutada discreta e um toque de carne. Na boca é duro, muito seco, com uma nota de ameixa verde, bem seção, taninos finos e longo de sabor, mas ainda com uma pegada rústica. Está definitivamente jovem.
Mais tarde, fomos para Mercurey, onde conhecemos alguns 1er Crus didáticos. No próximo post.
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