Arquivo para 10 julho, 2012

Estudando na Bourgogne – Côte Chalonnaise

10 de julho de 2012

A Côte Chalonnaise fica logo ao sul da Côte de Beaune e é um região bem menos conhecida que sua vizinha do norte. E é aí que está nossa sorte: com as regiões de Beaune e Nuits super exploradas e já no limite de poder oferecer algo de novo, esta zona da Bourgogne está totalmente subexplorada e tem grande potencial de crescimento.

Ela é dividida em AOC Regional, 5 comunais ( ou villages, que são os vinhos produzidos dentro dos limites vinícolas de certas comunas) e tem dentro das villages, 130 climats classificados em 1er Cru.

A maior parte da zona é Régional ou Regional identificada ( sendo elas Bourgogne Côte Chalonnaise ou Côte Couchois) e ainda Crémant de Bourgogne (a cidade de Rully é um centro importante de produção de espumantes do método tradicional da Bourgogne).

As comunais são: Bouzeron, que produz exclusivamente brancos à base da uva Aligoté; Rully, que produz mais brancos; Mercurey, conhecidíssima pelos tintos tânicos, mal interpretados e, geralmente tomados muito antes de expressar seu verdadeiro potencial e que produz alguns brancos também. Em Givry, os vinhos são mais delicados e há maior porcentagem de tintos. Montagny produz apenas brancos e tem vários 1er crus interessantíssimos. Aliás tem mais 1er cru que villages e, segundo nos contou o professor, foi porque quando os alemães ocuparam a área, fizeram um acordo de que pegariam apenas as terras não classificadas como 1er, assim, rapidamente, eles cadastraram vários climats em 1er.

De maneira geral, a AOC Côte Chalonnaise produz brancos e tintos interessantíssimos com preços incríveis. É bom prestar atenção também à grande evolução qualitativa dos vinhos de cooperativa. Até os anos 80, os produtores de uvas não cuidavam bem dos vinhedos e deixavam para que a cooperativa se virasse com a matéria prima de má qualidade. Hoje, os responsáveis das “coops” checam o trabalho dos viticultores e, em muitos casos, recusam vinficar uvas que não estão à altura. Fizemos algumas degustações bem interessantes.

Domaine A. et P. de Villaine – Bouzeron

No jantar antes da ida à Côte Chalonnaise, estivemos com Pierre de Benoit, enólogo responsável pelos vinhos do Domaine de Villaine em Bouzeron. Não dá para escapar do fato de que Aubert de Villaine é proprietário da Romanée-Conti e que ele haver se instalado nesta pouco conhecida região, atraiu muita atenção de consumidores e produtores que, encorajados, se estabelecem em número cada vez maior.

Bem, confesso que, antes começar a degustar, Pierre nos arremessou um discurso tão pesado de “não degustem com o cérebro, degustem com os sentidos, vocês têm que amar ou não o vinho, mas parem de pensar tanto” bla bla bla…Como eu queria anotar minhas impressões, rebati: “se você está entre amigos, comendo e se divertindo, pode ser. Mas eu sou uma comunicadora e não posso escrever para meus leitores ou dizer aos meus alunos: gostei. Isso não é um argumento. Preciso do meu cérebro para escolher bem as palavras daquilo que meu corpo e meu coração sentem, portanto, com licença, vou anotar tudo o que eu sentir”. Assim, pude anotar algo. Portanto:

Bouzeron 2010: discreto, bem frutado, perfumado. Boca cremosa, com uma nota de grapefruit, bom frescor.

Bouzeron 2005: bem mineral e floral. Segundo o produtor, a idéia é que estes vinhos precisam de tempo e que o lado frutado não é o mais interessante de Bouzeron. Que o legal é que ele perca a fruta e mostr outro lado. Bem,aqui, realmente é o que acontece, ele mostra uma mineralidade interessante e passa bem longo da fruta. Na boca é firme e ácido, bem alto, elegante, com uma nota salgada e um final de pêra verde.

Bourgogne Côte Chalonnaise –Les Clous – 2009: amanteigado, lembra mel e talco. Na boca é salino, mais magro, seco, lembra algo de cinzas e giz no retrogosto.

Bourgogne Côte Chalonnaise – La Digoine – 2010 – entramos nos tintos, com um nariz bem perfumado, lembra um licor de frutas, mas bem fresco, bem exuberante. Na boca é fresco, taninos muito finos, cheio de fruta.

Bourgogne Côte Chalonnaise – La Digoine – 2005 – bem menos frutado, mais fechado, com um toque de cravo, ameixa preta bem discreta. Na boca é mais fino, com mais acidez e com menos fruta, mas seco.

Durante o dia, viajamos até a Côte Chalonnaise, onde pela manhã tivemos uma aula com o mestre Renard. Na aula, degustamos algo de Côte Chalonnaise e também um pouco do Maconnais. Falo dos vinhos de Mâcon mais tarde.

Montagny 1er Cru “Clos Caudron” 2009 – Domaine Du Ch. De Davenay – nota de fruta amarela, mas um pouco diluído. Na boca é quente, falta sabor e extrado. É considerada uma comuna com potencial para bons brancos, mas que ainda não conseguiu definir um estilo consistente. Fica bem ao XXXX da região.

Givry “Champ Lalot” 2010 – Dom. Michel Sarrazin et Fils – um tinto com notas de caramelo e framboesa. É fresco em boca, com taninos fininhos e pouco extrato, um final fácil, mas de taninos apertadinhos ainda.

Mercurey 1er Cru “Clos de Barraults” – Dom. Michel Juillot – Uma nota frutada discreta e um toque de carne. Na boca é duro, muito seco, com uma nota de ameixa verde, bem seção, taninos finos e longo de sabor, mas ainda com uma pegada rústica. Está definitivamente jovem.

Mais tarde, fomos para Mercurey, onde conhecemos alguns 1er Crus didáticos. No próximo post.

 

Ouça: O início do curso e a história da Borgonha

10 de julho de 2012

Veja toda a história da Borgonha e como os vinhos se desenvolveram em função da terra.

Clique na imagem para ouvir o áudio.

Um almoço na Bourgogne

10 de julho de 2012

Um almoço na Bourgogne

 No primeiro dia, nosso almoço de boas-vindas foi no Restaurante Ermitage de Corton, bem na frente das colinas famosas de Corton.

Tomamos um Crémant de Bourgogne Blanc de Blancs do Vitteaut Alberti super maduro, cheio de frutas no aroma, boca gorda, cheia, ricão.

To amando o Maranges

Logo, um Maragnes 1er Cru “La Fussière” branco, 2009. Estou bem apaixonada pelo Maranges. Assim que cheguei, no domingo, entrei num pequeno restaurante e fiz questão de pedir um tinto que não tinha a menor idéia de onde ficava. Era um Maranges AOC tinto. Super delicado e frutado, cheio de framboesas no nariz, delicado, lindo. Foi amor à primeira vista. A propósito, Maranges fica no extremo sul de Côtes de Beaune, fronteira com a Côte Chalonnaise.

Neste almoço pude provar o branco. Super fresco e delicado no nariz, com notas de frutas brancas frescas. Na boca é firme, cheio de sabor sem ser muito rico, refrescante, com um final delicado, quase me lembrou azeite de oliva. Com ele comemos um Gâteau de  foie de volaille au jus de langostine: uma espécie de pudinzinho quente de fígado, com um caldinho de lagostim em volta que ficou em evidência com o vinho.

Depois um Aloxe-Corton Les Chaillots 2009 do Domaine Arnoux Pere et fils, 2009. Os aromas de ameixa preta bem madura e um toque de especiaria, meio cravo, meio pimenta do reino. Na boca é firme, com taninos meio grudentos, muito finos, ainda jovem e cheio de calor – 2009 é uma safra de calor. Comemos com um peito de ave recheado de alho poro e tomates confitados que harmonizaram à perfeição com o vinho, deixando seus taninos escondidos e evidenciando a fruta que se fundiu super bem com o sabor doce do tomate.

Ai, Epoisse…toujours, encore…com Maranges, com Aloxe…

Depois o Epoisse….ah o Epoisse, o queijo da Bourgogne, picante, cremoso, super saboroso e ácido. Preferi tomar com o branco que ficou ultra cremoso e amanteigado e deixou o queijo se expressar. Depois, tentei com o tinto, que achava que não ia combinar pois tinha um álcool a mais. Ledo engano, ficou mais frutado, o álcool não apareceu mais.

Com vinho e comida, especialmente na Bourgogne, não dá pra “achar”. Tem que provar e comprovar.

Estudando na Bourgogne – parte 1

10 de julho de 2012

Estudando na Bourgogne – parte 1

Degustando o terroir – ao fundo, um pedaço do solo de Chablis.

 

Hoje, segunda-feira, 9 de Julho, começamos o curso de formação para Instrutor Oficial dos Vinhos da Bourgogne.

Nossa primeira aula tivemos o prazer de estudar com Jean Pierre Renard, um dos maiores professores da École des Vins de Bourgogne.

Ele nos passou a história da Bourgogne, que tem documentos desdes 312 que descrevem a história da região, apesar de sabermos que a vinha estava aqui desde muito antes.

Pudemos estudar também a classficação da Bourgogne e os complicados conceitos de Climat e Lieu-Dit.

A grande diferença é que o Lieu-Dit é a unidade geográfica, topográfica e cadastral dos pedacinhos de terra com vinha. Cada um leva seu nome. Um Climat pode conter vários Lieux-dits, mas é o Climat que dá nome ao vinho e é ele que está classificado como Premier Cru ou Grand Cru, poranto é seu nome, e não o do Lieu-dit, que aparece no rótulo. Algumas vezes podem coincidir, outras, não. O conceito de Climat é a base do sistema de AOC, pois ele diz “este vinho vem deste lugar”. Mesmo havendo apenas uma uva tinta e uma branca – com algumas poucas exceções – não podemos dizer, na Bourgogne, que estamos tomando um Chardonnay ou um Pinot noir já que, cada pedaço de terra dá resultados diferentes. E, mesmo dentro de um mesmo climat, temos vários produtores que podem fazer vinhos diferentes segundo sua percepção do que é melhor.

Atravessamos a geologia antiqüíssima da Bourgogne, formada no período jurássico, quando a França era um grande mar cheio de seres vivos que deram origem ao que é o solo hoje da Bourgogne. A topografia, toda de encostas voltadas ao leste, resultou de uma grande falha geológica que deu a forma às encostas hoje encontradas na região.

Para entender na prática as diferenças entre os diferentes níveis de Appellation d’Origine Controlée, tomamos 4 brancos (de chardonnay, claro): um Bourgogne Blanc – Appellation Regionale, um Chassagne-Montrachet, Appellation Comunale (que leva o nome da cidade), um Premier e um Grand Cru da mesma cidade.

Bourgogne Blanc 2009 – M. Picard – fruta exuberante, um pouco exagerada para o estilo da Bourgogne, com bastante álcool. Na boca tem boa acidez, bastante meio de boca, é cheio e frutado, dando a impressão de quase estar passado. O professor disse que já mostrava algumas notas de oxidação.

Chasssagne-Montrachet 2009 – A. Gambal. – Bem tostado, notas de amêndoas, boca firme, estruturada, lembra café no final, com bastante gordura.

Chassagne-Montrachet 1er Cru “Les Baudine” 2009 – G. Jouard – bem floral, com notas de jasmim e um toque de pedra. Na boca é cremoso, tem um toque fresco, final tenso com retrogosto de baunilha.

Criot-Bâtard Montrachet Grand Cru 2007 – R. Belland – bem tostado, um toque lácteo, um pouco fechado. Na boca é fresco, um pouco duro, ainda desajeitado, precisa de tempo em garrafa para mostrar todo o potencial.

Ouça: Alexandra fala diretamente da Borgonha

10 de julho de 2012

Alexandra esta em Beaune – Borgonha, estudando!! Confira as informações locais:

Clique na imagem e ouça o áudio.

Para beber a Grécia (Folha de Sp)

10 de julho de 2012

“Tendo a manobra concluída e mui celebre nave, logo levantam crateras repletas de vinho até a borda e libações oferecem a todos os deuses eternos.” ( “Odisséia”, de Homero, canto 2, versos 430-433)

Clique na imagem para ampliar.

Folha de São Paulo 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 112 outros seguidores

%d bloggers like this: