Malbec do berço

23 23America/Sao_Paulo janeiro 23America/Sao_Paulo 2012 by

Caçando trufas em Cahors. photo: http://www.pinotnow.com

Pimenta do reino…terra seca…café turco…vermute….açucar mascavo…flores secas…e os aromas se modificam e começam a se manifestar de novo. É assim que um vinho da uva Malbec, quando vem de sua terra natal, Cahors, se manifesta. A região fica no sudoeste de França. Completamente diferente dos vinhos da nossa vizinha Argentina – mais abertos, florais e “geleiosos”, os Cahors são a essência do lado negro deste vinho, que desde o século XII é conhecido como Vin Noir. (Basicamente, o que aconteceu – e deixou o vinho famoso – foi que Eleanor de Aquitânia, que era dali,  se casou Henry Plantagenet, que viria a ser rei da Inglaterra e o vinho ganhou uma super fama no mercado inglês como o Black Wine).

Malbec Ancestral

Black pepper…..dry earth…. Turkish coffee … vermouth. … Brown sugar….dried flower. Aromas change anda start all over again. That’s how a wine from the Malbec grape, when it comes from his native Cahors, manifests itself. The region is located in southwestern France. Completely different wines from our neighboring Argentina – more open, floral and jammy, the Cahors are the essence of the dark side of this wine, since the twelfth century is known as Vin Noir. (Basically, what happened – and the wine became famous – was that Eleanor of Aquitaine, who was from there, married Henry Plantagenet, who became king of England, so the wine became super famous in the English market as the Black Wine).

Não só o nome ele é negro. Os aromas que mostra são de coisas negras, interessante. Na boca, um porém: pode ser, na juventude, difícil: crocante e tânico como se comêssemos terra ou tomássemos as borras do café turco. Duro e com pouco extrato. No entanto, precisamos lembrar que este vinho se desenvolveu em uma cultura gastronômica onde a gordura e os sabores intensos dão o tom: os patos, ganso, o foie-gras, porcos, aves de caça, cogumelos de todos os tipos.

Not only in the name he is black. It has aromas are of black things, so interesting. In the mouth, one little thing, thoug: it may be a little harsh when too young: crisp, sandy texture and tannic, like eating earth or drinking the “mud” of Turkish coffee. Tight and with little fruitiness. However, we must remember that this wine comes from a strong food culture in which fat and intense flavors set the tone:  duck, goose, foie gras, pigs, game birds and mushrooms of all kinds to mention only a few.

O que pode parecer um vinho duro sem a companhia de comida, se revela assim que se encontra com ela. Quando tomamos o vinho sozinho, gengivas e céu da boca se ressecam e temos dificuldade até de falar (o que pode ser bom em alguns casos). Assim que comemos um prato rico e com gordura, é esse elemento que absorve os taninos (como se impermeabilizasse nossas mucosas) e deixa em evidência não só os sabores do vinho, como também os da comida. Às vezes tendo a ser ortodoxa e acho que o vinho tem que ser perfeito por si só, não deveria precisar de comida. Mas, a experiência me obriga a, diariamente, rever meus conceitos acabar com meus preconceitos. Este é um vinho que se expressa só com comida. Se bem harmonizado, com sabores fortes de trufas negras, pimentas negras, carnes de aves com forte sabor a caça, Cahors será, com certeza, seu vinho preferido para clássicos do sudoeste da França. Eu descordo com a descrição do site sobre o vinho “Têm perfumes sutis e fruta do bosque vivaz, emoldurados por bom frescor e taninos elegantes” mas o melhor que você pode fazer é provar o vinho e tirar suas próprias conclusões.

What may seem a harsh wine without food, really reveals itself as soon as it in fact meets food. When we drink the wine alone, gums and roof of the mouth dry out and we can hardly speak (which can be good sometimes). When we eat a plate of good and fatty food, it is fattines that absorbs the tannins and make not only the wines flavors more evident and smooth, as well as the food’s.

Sometimes I tend to be orthodox and  think the wine has to be perfect  itself, and should not need food. But my experience forces me daily to review my ideas and put an end to my prejudices. This is a wine that comes out better with food. If paired well with strong flavors of black truffles, black pepper, gamey poultry, Cahors will definetely be your favorite wine for classic southwestern Franch gastronomy.

I disagree with the importers description of the wine “Perfumes are subtle and lively fruit of the forest, framed by elegant tannins and good freshness.”, but, the best you can do is drink it and take your own conclusions.  

Um ótimo exemplo, o Château Lamartine, importado pela Premium

Shiraz Syrah

21 21America/Sao_Paulo janeiro 21America/Sao_Paulo 2012 by

o que syrah que shiraz... ?....

É ótimo degustar às cegas, ficamos livres dos malditos preconceitos e mais abertos às sensações que os vinhos causam, em vez de pensar em seu rótulo ou preço. Pude provar nesta semana dois rótulos de syrah de duas regiões bem distantes que mostraram grandes atributos e conseguiram me confundir.

Sabia que um era da Califórnia e o outro de Crozes-Hermitage, do vale do Rhône. Achei que acharia fácil a característica mais de violetas e mineral do francês e do americano esperaria uma fruta mais exuberante e menor acidez já que, apesar de o clima de lá ser mais fresco, é normal encontrar vinhos vinificados para atingir altos níveis de álcool.

It’s great tasting blind, we are free of prejudice and free from stupid prejudiced, so we get to be more open to the sensations that wines cause, instead of thinking of its label or price. I tasted this week two labels of syrah from two regions far apart that showed great attributes and got me confused.

I knew that one was from California and one from Crozes-Hermitage, Rhône Valley. I thought I would find easily the  more violety and mineral French style and epected the American to have more exuberant fruit and less acidity since, although the climate of Sonoma is pretty   cool, it is normal to find wines with high levels of alcohol.

O primeiro tinha um toque meio terroso, algo também de fumaça, parecia um pouco pedras quentes. Atrás desse aroma, tinha muita fruta, geléia de framboesa, de cereja, super perfumado e elegante com uma certa força alcoólica que só dava mais intensidade aos aromas – não era deselegante. Na boca, também muito sabor à fruta, com taninos super fininhos e fundidos, ótima acidez, tudo bem integrado, extremamente agradável e fácil de beber. Por causa dessa nota no nariz meio mineral e a elegância com boa acidez na boca, meu (maldito) preconceito me levou a crer que poderia este ser o francês.

O outro tinha muito mais fruta madura, bem exuberante. Na boca tinha algo menos de acidez, era mais cheio, taninos mais firmes, também com boa acidez, mas tudo um pouco menos integrado, como se cada coisa estivesse lá – taninos, fruta, acidez e álcool, mas ainda não se fundiram. Com alguns minutos, apareceu a tal da violeta, que associo muito aos vinhos do norte do Rhône quando ainda são jovens. E o nariz foi abrindo também, para uma certa pimenta do reino, umas frutas mais frescas, mas sempre denso e exuberante. Desisti de tentar adivinhar.

The first had earthy, smokey side, reminded me a little of hot stones. Behind this aroma, it had plenty of fruit, raspberry jam, cherry, super fragrant and elegant with a certain alcoholic strength that only gave more intense flavorings – it was not unbalanced. In the mouth, lots of fresh red ripe fruit, with super thin and melted tannins, great acidity, all well integrated, extremely pleasant and easy to drink. Because of this mineral notes and good acidity and elegance in the mouth, my (damn) prejudice led me to believe that this could be the French.

The other on had lots of ripe fruit, and was so lushious. In the mouth had less acidity, was fuller, firmer tannins, also with good acidity, but a little less integrated, as if everything was there – tannins, fruit, acidity and alcohol, but not yet well merged. Within a few minutes, this flowery, violet aromas appeared, which I associate a lot to the northern Rhone wines when they are young. And the nose was also opened for some black pepper, some fresh fruit more, but still dense and lush. I gave up trying to guess.

O resultado foi que o primeiro era o da California e o segundo do Rhône. Os dois são excelentes exemplares da uva, a preços bem diferentes e até com funções diferentes. O Californiano, durante seu tempo na taça, se manteve frutado e delicioso, ficando cada vez mais fácil de tomar, sem nunca ser pesado. O francês foi mostrando cada vez mais aromas e a boca se manteve ainda apertada e firme. Eu tomaria o californiano num churrasco num dia não muito quente e o Crôzes-Hermitage eu comeria também com uma carne, mas talvez alguma carne que tivesse um molho com uma pegada adocicada, uma redução de frutas (de uva talvez), algo de cogumelos, enfim, acho que para tomá-lo agora, um prato com estas características ajudaria. O que acontece também é que ele ainda pode ganhar muito com um certo tempo em garrafa. Daqui a algum tempo, estará completamente diferente.

The result was that California was the first and second from Rhône. Both are excellent examples of this variety, the prices very different and, of course, they have different “functions”. The Californian, while in the glass, remained fruity and delicious, becoming easier to drink, without ever being heavy.

The French one was increasingly showing  more and more aromas and  still remained tight and firm in mouth. I’d drink the Californian one with a good barbecue in a not so hot day and, with the Crozes-Hermitage, I’d also eat meat, but maybe some meat with a sauce that had a sweet side, a reduction of fruit (grape perhaps), something of mushrooms, because to drink it now, a dish with these features would help. It can still gain much from a certain time in the bottle. In a while, it will be completely different.
O Syrah de Sonoma é o Fox Brook e você o compra por excelentes R$ 49,00 na Wine Experience

O Crôzes-Hermitage é do Jean Luc Colombo, “Les Fées Brunes” e está à venda na importadora Decanter

Um passeio em Paso Robles

16 16America/Sao_Paulo janeiro 16America/Sao_Paulo 2012 by

Venice beach, no caminho para Paso Robles

Passei uns dias na California mas não consegui visitar tanto os vinhedos quanto eu gostaria. De todas as maneiras, consegui dar uma passada em uma zona vinícola cujos vinhos me agradam bastante: Paso Robles. Em geral, sempre considerei vinhos um pouco mais frescos e menos alcoólicos que Napa e o fato de a região ser menos conhecida sempre acaba garantindo um valor de vinho interessante e com boa qualidade.

Uma das razões pela qual Paso Robles às vezes passa desapercebido nos roteiros de viajantes vinícolas é o fato de a cidade não estar perto de nenhuma grande metrópole. Napa Valley está pertinho de São Francisco, por exemplo, o que ajuda bastante na hora de trazer turistas. Paso Robles fica a umas 2-3 horas de carro de Los Angeles, a cidade grande mais próxima. Daí a tranquilidade local. Tranquilidade que alguns locais prezam: não quero que viremos Napa, aquela disneylândia de vinhos. Prefiro ficar mais “low-profile” me contou Ben Mayo, enólogo da Eberle, tradicional vinícola – e uma das mais antigas – da região. Antes de visitar a Eberle, passei na Villa San Juliette, onde Adam LaZarre, o enólogo, me recebeu para provar alguns vinhos.

Pude provar um vinho pessoal dele, que não tem a ver com o Villa. Um Sauvignon blanc do vale Edna, regiãozinha fria, de clima quase continental perto da baía de San Luis Obispo. O vinho tem o nome do enólogo, LaZarre e é super bem feito e relativamente refrescante. Relativamente porque geralmente associamos o Sauvignon blanc de climas frios com alta acidez e aromas de frutas muito frescas, quase verdes. Neste caso, no entanto, os aromas eram de frutas tropicais mais maduras. A boca era bem cremosa, cheia, quase doce e com pouca acidez, apesar de sim, ter algo de frescor.

Da divertida linha Fat Monk (“monge gordo”), pude provar um Riesling e um Chardonnay. O Riesling era perfumado, com uma nota de pêssego e até um toquezinho de óleo – que muitos associam ao Riesling, mas na boca era uma caricatura mal feita de algum exemplar pitoresco alemão. Doce, flácido, curto, triste. O Chardonnay também tinha uma graça no nariz, um toque tostado e com frutas bem maduras, tipo um abacaxi em calda mas pecava na boca pela falta de acidez e ex

Enólogo Adam LaZarre e seu "Fat Monk"

cesso de álcool.

Dentre os tintos, não encontrei vinhos menos alcoólicos como tinha na memória que Paso Robles oferecia. Por serem jovens (todos de 2009), ainda estavam todos fechados no nariz. Na boca, muita potência, muito álcool, muito tanino. O Cabernet Sauvignon tinha um toque de tabaco doce, muito chocolate, que o enólogo disse adorar e algo de pimenta do reino. O Petite Syrah tinha notas interessantes de ervas secas e algo floral. Um pouco mais fresco em boca que os demais, mas ainda denso e grudento.

Alguns dos vinhos degustados

Depois o Adam levou a gente para uma vinícola que, segundo ele, produzia vinhos de estilos bem clássicos, meio “velho mundo”. Também era legal de conhecer porque é uma das mais antigas da região, com quase 30 anos de idade. “No velho mundo isso não é nada…mas para Paso Robles, esse vinícola é muito antiga”.

Enólogo Ben Mayo, da vinícola Eberle

De fato, em geral, os vinhos tinham melhor equilíbrio de frescor, lembrando talvez um vinho mais do velho mundo. O 2008 Côtes-du-Rôbles (Mourvedre, Syrah, Grenache) é bem Côtes du Rhône. Frutado, com um toque apimentado, gostoso, fácil de tomar, mas cheio de calor.

Fiquei impressionada com o frescor do Barbera deles, talvez um dos poucos vinhos que tomei e  me pareceu de verdade um bom acompanhamento para comida. Ali, na degustação, não havia nada para comer. Mas levei uma garrafa para casa e ficou delicioso com um macarrão com alcachofras e bastante alho e azeite. Basicamente, o vinho é frutado, com uma nota de cereja preta mas, logo atrás, há notas de carne, pimenta, um toque de couro. Ao beber, como disse, tem frescor no meio de boca, taninos firmes e extrato médio, com boa fruta.

O Zinfandel tinha também um toque apimentado, meio de folha de louro, mas bem mais cheio em alcoólico em boca.

Paso Robles é árido e repleto de carvalhos. Lembra o Alentejo português...

Enfim, vale o rolê até ali. O passeio de carro é bonito, com uma paisagem árida e cheia de carvalhos e vinhas. A cidadezinha é linda, pequena, cheia de restaurantes de qualidade, bem gastronômicos,  e com cartas de vinhos ótimas e muitas lojas oferecendo degustação de vinhos. Há um post da minha querida amiga de viagem, Sharon Parsons (em inglês) que dá um panorama ótimo dos lugares mais legais para comer, com dicas de lugares orgânicos entre outras. Deem uma checada aqui

2012 – O que vai rolar e você não pode perder!!!

23 23America/Sao_Paulo dezembro 23America/Sao_Paulo 2011 by

Bom, não precisa eu dizer, o blog está de férias. Sim, estou dando um tempo, peço desculpas até pela ausência. Fico impressionada como, mesmo assim, as visitas continuam, vocês leem textos antigos, comentam, enfim, estão sempre por aqui. Obrigada.

Vou dar uma descansada para trazer coisas novas. Mas, já quero adiantar o que preparei. Em primeiro lugar, claro, a escola.

Turma Enófilos 1o semestre 2011

Em janeiro começa a programação da formação de SOMMELLERIE PARA ENÓFILOS. Esse curso já entra em sua 5a edição e tem sido um sucesso. Ele foi criado para atender pessoas que queriam um conteúdo completo, mas que não pensam em trabalhar na área. A gente sentiu necessidade de criá-lo em 2009 porque na época, nosso curso mais completo era o de formação profissional e muitas pessoas se matriculavam, mas se frustravam com o nível muito alto de exigência e rigor das aulas. Então pegamos o mesmo conteúdo da formação profissional, mesmos vinhos, mesmas harmonizações, mas tiramos a parte de serviço, avaliações e provas. Assim o aluno poderia estudar à sua maneira, conforme suas necessidades, mas mantendo o acesso a  um conteúdo aprofundado. A programação completa está aqui. É sempre legal lembrá-los que as aulas são dividas em uma parte teórica, onde expomos especificidades de técnicas de degustação,  viticultura, enologia regiões, etc. Depois há a degustação dos vinhos, dentro do tema e, no final da aula, há exercício de harmonização. Olha na programação, dá pra ver aula por aula.

Prova 2011

Sobre a FORMAÇÃO PROFISSIONAL . As aulas são no mesmo estilo dos Enófilos, mas com diferenças essenciais: primeiro há práticas de serviço em todas as aulas. Então, os alunos aprenderão a fazer o serviço no restaurante, a lidar com bandejas, taças, garrafas, como lidar com clientes, como falar com eles, como servi-los etc. Aprenderão também a montar uma carta de acordo com o estilo do restaurante, gerenciar estoques, comprar, vender, etc. Outro aspecto diferente e essencial é que os alunos são exigidos em todas as aulas: eles são avaliados segundo a postura, participação, desenvolvimento e desenvoltura em sala da aula. Também são avaliados em provas semanais que recebem via email, que tratam do tema abordado na aula da semana. E, claro,  as provas prática e teórica onde examinamos se os conhecimento passados foram absorvidos. No caso positivo, o aluno sai pronto para ingressar no mercado. Tenho orgulho de dizer que todos os nossos alunos formados estão posicionados hoje no mercado. A programação completa do curso encontra-se aqui.

Uvas do Mundo 2011

Neste mês de Janeiro já começamos com bastante coisa legal. Primeiro o curso BÁSICO EM 3 AULAS que é ideal para você que diz “adoro vinho, mas não entendo nada”. Você sai com uma boa noção de degustação, regiões, uvas e já degusta em todas as aulas, exercitando também um pouco de harmonização com ingredientes básicos. É incrível. As aulas são à noite, 19.30 e o curso será nas segundas 23, 30 de janeiro e 6 de fevereiro.

Se você já tem um pouco de noção e quer conhecer mais de perto os vinhos a partir das uvas, vamos ter um curso que eu, particularmente, adoro dar, que é o UVAS DO MUNDO. Ele acontece em 4 aulas e é bem completo, não só na parte teórica, mas também na degustação. A gente escolhe vinhos das mesmas uvas produzidos em diferentes regiões para ver como elas se comportam, enfim, é um curso bem prático e didático. Vai ser nas quintas dias 19 e 26 de janeiro e 2 e 9 de fevereiro.

Aromas e Sabores

Vamos ter o WORKSHOP AROMAS E SABORES. A ideia desta aula é ensinar como usar seu nariz, seu paladar e seu vocabulário para entender e desfrutar melhor do vinho. É muito divertido, pois sentimos os aromas de várias coisas in natura, depois vamos aprendendo a usar uma técnicas para reconhecer os aromas no vinho. Também é uma ótima ferramenta para compreender onde sentimos acidez, taninos, álcoo, para ver se o vinho é equilibrado, por que gostamos de um mais e de outro menos. Também super prático. Vai rolar no dia 18 de Janeiro, uma quarta feira. Se você não tem mais do que um dia para se dedicar à sua paixão, esta aula é ideal.

Toda a programação de Janeiro e alguns eventos de Fevereiro já estão disponíveis no nosso site, clique aqui

Fora TUDO ISTO, a nossa livraria, a LIVRARIA DO CICLO não para de crescer. Estou indo para os EUA comprar mais 25 títulos, mas já temos 80 para você não ficar sem saber tudo sobre vinhos.

Livraria e Biblioteca do Ciclo das Vinhas

E, como sou incansável, estou organizando uma VIAGEM DE ESTUDOS PARA A FRANÇA. Vamos estudar com viticultores, produtores e nas melhores escolas das três mais importantes regiões vinícolas francesas, Champagne, Bordeaux e Bourgogne. Os cursos foram feitos sobre medida para nós e será, sem dúvida, uma grande oportunidade de entender conceitos essenciais como terrroir, cru e a importância da viticultura e enologia do grande país do vinho. A programação completa da viagem está neste link. Em Champagne vamos visitar os vinhedos de pequenos produtores, almoçar com eles, ver as vinhas, ver como o vinho é feito, almoçar e conversar com os produtores. Em Bourgogne vamos estudar na mais importante escola, a ÉCOLE DES VINS DE BOURGOGNE que não só ensinará em sala de aula, mas também em visitas externas a vinhedos de Premier e Grand Crus para entender toda a magia.  Em Bordeaux vamos estudar na escola BORDEAUX SAVEURS de um dos maiores castelos das região, o CHÂTEAU LYNCH-BAGES. Com eles entenderemos a diferença das regiões do Médoc, Pomérol e St. Émilion entre outras maravilhas.

École des Vins de Bourgogne - um de nossos destinos

Ou seja, 2012 é o ano para você aprender tudo o que quis saber sobre vinhos, mas estava meio assim de perguntar. Vem. Eu vou estar aqui. Espero vocês!!!

Não esqueçam de visitar nossa página no FACEBOOK e no TWITTER

Bellini de Manga

9 09America/Sao_Paulo dezembro 09America/Sao_Paulo 2011 by

A Ana Paula Montesso, também conhecida como Cacá, é uma mega conhecedora de bebidas, até porque ela é responsável pelo bar do Spot, aqui em SP há uns 100 anos. E ela trabalha comigo aqui no Ciclo das Vinhas – Escola do vinho como coordenadora de cursos. É talento que não acaba mais.

Bom, como o pêssego usado para o Bellini original não é algo que encontramos sempre por aqui, ela pensou em pegar uma fruta brasileira para criar um drink inspirado no clássico da coquetelaria. O que é legal desta versão é que ela não é inventiva demais. É um sabor parecido, mas diferente. Assim, em vez de usar o pêssego, ela usou uma manga. Madura, mas não mole. E é daquelas que têm menos fiapo. Eu não vou nem comentar com vocês que o espumante usado tem que ser bom, né? Não é porque é um coquetel misturado que vocês podem achar que a qualidade (porcaria) do espumante não vai aparecer. Sejam criteriosos. Eu acho que um Prosecco DOCG bem fresco, frutado e com ótima acidez seja uma das melhores opções.

Corte a manga. Difícil, né?

aí….

Faça um purê, raspando a manga delicadamente. Complexo...

Não meleque muito a taça. O drink também tem que ser bonito.

Para 1 taça individual, 4 colheres de café bem cheias na taça flute

Tudo certo, só falta o espumante….

vai ficar mais ou menos assim...

sssssssssssssssssssssssssss

Encha a taça com um MUITO BOM espumante. Porcarias acabam com o drink. Sugiro um Prosecco DOCG.

DICA!  para que o drink não tenha as texturinhas da manga e só seu sabor delicioso, passe o purê por uma peneirinha. A textura fica mais macia e se funde melhor com o espumante. ;)

Agora, se você chamou uma galera para se exibir, há uma outra ótima maneira de produzir este drink para massas sem alterar sua qualidade. O processo é um pouco diferente. Você descasca a manga e bate no liquidificador com um pouquinho de água (só para ajudar a desfazer os pedaços). Passe tudo pela peneira.

Aí está seu purê.

8 colheres grandes do purê para 1/2 garrafa de BOM espumante...

Por causa da fruta, ele espuma bastante, então vá misturando com uma colher para ir abaixando a espuma.

Põe devagar....

Misture devagar, para não perder muita espuma. De todas as maneiras, para garantir a espuma….

Sirva uns 3/4 da mistura....finalize com o espumante até encher...devagar

Fica lindo e delicioso. Ótimo para sextas feiras fim de tarde!

muita, muita, muita saúde!!!

O louco de Nápoles chacoalha a Toscana.

24 24America/Sao_Paulo novembro 24America/Sao_Paulo 2011 by

Como faz pouco tempo que estive na região de Chianti Classico, quando recebi o convite para degustar vinhos de um cara que tinha no seu contra rótulo o Galo Nero, símbolo do Chianti Classico, com um espeto atravessado, fiquei curiosa.  Então fui. Giampaolo Motta é um italiano típico, falante, risonho e que gosta de provocar.

Galo no espeto!

Ele não é Toscano, é napolitano. É conhecido na Toscana como o Pazzo di Napoli. O louco de Nápoles.  Não é de uma tradicional família de viticultores de Sangiovese, seu pai é um industrial do ramo do couro. Ele não cresceu tomando Chianti Classico. Ele estudou química na França e lá se interessou pelo tema dos vinhos. Foi para a Toscana trabalhar, onde, depois de alguns anos de experiência, teve a oportunidade de comprar a Fattoria La Massa. Dividiu a terra em 3, ficou com a melhor e vendeu as outras duas. Giampaolo não ama a Sangiovese. Não a reconhece como uma grande uva. Contou como há estudos e documentos que falam que Chianti sempre foi um vinho de corte, que no século XVI já se contabilizavam mais de 200 uvas plantadas na região. Segundo ele, o Gran Duque da Toscana tinha como preferidas as uvas Cabernet e Merlot.

Para ele, a Sangiovese como uva protagonista da Toscana é uma invenção moderna, daqueles que queriam facilitar a comunicação do vinho da região para um público mais amplo: “Brunello di Montalcino é uma invenção dos anos 90”. Além do mais, para ele, a Sangiovese tende a dar vinhos que envelhecem mal, se oxidam,  perdendo o lado frutado rapidamente e com taninos que custam a amadurecer. “A Sangiovese é burra. Brota cedo, quando ainda há geadas de primavera, demora para amadurecer, quando o outono começa a esfriar. A Cabernet é inteligente: tudo o que você fala para ela fazer, ela obedece”. Não seria o contrário então? A Sangiovese tem uma personalidade desobediente, mais forte? “Não”. E não dá mais espaço para perguntas. “Me irrito com os puristas. Você coloca Cabernet e Merlot no corte, ficam indignados, falam que aquilo é um vinho internacional. E se for, por que eu tenho que fazer um vinho nacional?”

Tentou produzir um “Super Chianti Classico”, com Sangiovese e Cabernet Sauvignon. Mas ele não estava feliz, porque algo na Sangiovese o incomodava, nem seus consumidores, pois não entendiam aquilo como algo típico.  Mesmo assim, seu vinho e seu trabalho eram super pontuados em guias locais e nacionais italianos.

Até que ele conheceu Bordeaux. “Eu me achava muito sabido, mas quando vi o que faziam na França e o quanto estavam avançados no reconhecimento de solos, uvas, etc, vi que eu era um cretino”.  Giampaolo ama Cabernet e Merlot. Ama o corte bordalês. E, aos poucos, foi aumentando a porcentagem destas uvas no seu corte até que eliminou completamente a Sangiovese. Na degustação apresentada, podemos provar, no nariz e em boca, o desenvolvimento das idéias de Giampaolo Motta em relação ao seu corte e como seria seu vinho final, Giorgio Primo.

O louco e seus vinhos

O primeiro foi o La Massa, que é seu vinho mais básico. Segundo ele, neste vinho a Sangiovese mostra seu ladomelhor lado:  fácil, frutado, pra beber fresco, jovem, sem maiores complexidades. Tem um pouco de Cabernet e Merlot. É bem limpo no nariz, floral, com um toque de lenha e baunilha. Na boca é tânico, mas fino, com frescor, muita fruta, e o finalzinho típico da Sangiovese, que é um toque de vermute.

Depois tomamos Giorgio Primo 2000 e 2001, quando Giampaolo ainda estava dentro da DOCG Chianti Classico. Ele tenta dar mais “recheio”, mais meio de boca, mais doçura para a Sangiovese, adicionando Merlot. É uma época quando ele e outros produtores tentam criar uma associação de produtores que querem fazer um Super Chianti.

Ambos são Sangiovese com 15% de Merlot. O 2000 tem aromas bem tostados, com umas notas de carne. Na boca é alcoólico, com taninos finos, apertados, parece que mordi um caroço de maçã. Final lembra café e é longo e firme. O 2001 é mais baunilha e chocolate no nariz, apesar de ser fresco em boca, com ótima fruta e meio de boca.

Em 2003 ele sai totalmente da DOCG e o Giorgio Primo passa a ser um IGT. Mesmo assim, mantem a Sangiovese em 70% com merlot. O vinho é bem complexo e perfumado, com aromas de flor seca, bem maduro, toques de ervas secas. Na boca é fresco, redondo, um pouquinho secante, mas muito frutado, rico, apesar de um pouco curto.

O 2004 é um corte bem peculiar de 50% de Sangiovese, Merlot com Petit Verdot e Cabernet. Nariz interessante, com notas de argila, flor, um toque de chocolate, tudo fundido, delicado e elegante. Na boca é super frutado, com boa acidez e frescor, firme, crocante, ainda apertado, mas com ótima fruta e um finalzinho abaunilhado.

O ano de 2006 foi o do adeus à uva Sangiovese para seu principal vinho, Giorgio Primo. A porcentagem da uva já era bem menor, igualando-se à de Cabernet, Merlot em 30% cada e complementado com Petit Verdot. O nariz é extranhamente infantil, com notas de tutti frutti e bala de morango. Na boca é quente, alcoólico, apesar dos bons taninos finos, seu final é grosseiro e sem vida.

O 2007 é um corte à base de Merlot, com 50%, Cabernet em 40 e o resto de Petit verdot.  A idéia incial era ele ter lá seu 30% de Sangiovese. No entanto,  ele simplesmente mandou tirar do vinho essa parte da produção. Os toscanos, olhando aquilo, falaram: esse napolitano é louco. Daí o apelido, Pazzo di Napoli. O vinho é bem maduro, com muita frutosidade, geléia, mas um pouco fechado, sem muita amplitude. Na boca é bem elegante, fresco, tudo bem fundido – taninos, álcool e frescor, com um finalzinho picante, meio chocolate amargo e um toque de vermute.

O 2008, um corte parecido ao anterior,tem Cabernet e Merlot, com um 5% de Petit Verdot. Bem exagerado, com chocolate, bala de morango, explosivo, quase deselegante, forçado nos aromas. Na boca é quase doce, enjoativo, com toques de mel e própolis. Tudo é muito extremo, o álcool, o extrato, a doçura. Que mudança..O 2009 ainda está bem fechado, mas é mais frutado, parece mais delicado, mesmo que bem frutado ainda. A boca é bem alcoólico e denso, com taninos finos, e um pouco de frescor. Está jovem, talvez um tempo de garrafa mostre, como foi o caso de outros vinhos, mais complexidade.

Achei que os vinhos até a safra de 2004, ainda com um pouco de Sangiovese, tinham mais complexidade, mais elegância. Eu não sou defensora do purismo, acho que cada um realmente deve procurar seu caminho. Mas assim como Cabernet e Merlot, apesar de estarem plantadas no mundo todo, dão grandes expressões em seu berço, acho que a Sangiovese tem, sim, algo especial para contar em sua terra Chianti Classico. É tudo uma questão de se o produtor quer passar esta história adiante ou contar uma outra história, uma nova história, a seu próprio modo.

Esperando 2012 – EWBC

24 24America/Sao_Paulo novembro 24America/Sao_Paulo 2011 by

Faltando apenas 4 dias para a divulgação oficial do lugar onde acontecerá o próximo European Wine Bloggers Conference, aproveito para mostrar para vocês o vídeo de levantamento do que foi a edição 2011, do incrível evento. Não percam na revista ADEGA do próximo mês, uma nota sobre o evento. E, divirtam-se com o vídeo (em inglês) . Ele realmente resume bem a variedade e qualidade do conteúdo e a vibração gostosa dos participantes.

Viagem de Estudos nível avançado para a França

23 23America/Sao_Paulo novembro 23America/Sao_Paulo 2011 by

Olha esta viagem que organizei. Para estudar nas melhores escolas das mais importantes regiões francesas. Clica na imagem, depois clica de novo, aí dá pra ler!

VAMOS?

Falando de aromas e de memórias

6 06America/Sao_Paulo novembro 06America/Sao_Paulo 2011 by

Adoro vinhos que não consigo descrever. Vocês, que me leem, sabem que costumo me prolongar nas degustações (e peço desculpas pelo que possa parecer exagero para alguns). Adoro os aromas, ficar um tempão descobrindo o que há na superfície e na profundidade de alguns vinhos.

I love wines that I cannot describe. You who read me know that I tend to prolong the tastings (and I apologize for what may sound exaggerated to some). I love the smells, and to spend a lot of time figuring out what is on the surface and depth of some wines.

Mas, às vezes, não consigo descrever alguns vinhos. Há dois principais motivos pelos quais isso me acontece. Primeiro, quando o vinho tem muita qualidade, está num ponto incrível em termos de maturidade. Aí, tudo fica fundido, não conseguimos distinguir os aromas, sentimos tudo – flores, frutas, madeiras, ervas, enfim…- mas não conseguimos dizer exatamente onde começa um aroma e termina outro.

But sometimes I can not describe some wines. There are two main reasons why this happens to me. First, when the wine has great quality, and it’s at a point of amazing  maturity. In this case, everything is well blended, we cannot distinguish the aromas, we just feel everything – flowers, fruits, woods, herbs, finally …- but  we cannot tell exactly where an aroma begins and another ends .

No segundo caso, mais difícil, não consigo descrever alguns vinhos que tenho ligação emocional, digamos assim, “infantil”. Tento explicar: quando comecei a beber vinho, ou melhor, degustar (comecei a beber alguns anos antes de prestar atençaõ no que estava fazendo), portanto, na minha “infância profissional” como degustadora de vinhos, o que eu mais tomava eram vinhos espanhóis, porque morava, estudava e trabalhava em Madrid. Claro, como estudante, eram vinhos baratos no começo. Depois, comecei a me juntar a amigos com interesses em comum e cada um punha um pouco de dinheiro e comprávamos vinhos melhores. Tomávamos muitos vinhos da Rioja. E, podemos falar de diferentes terroir, cortes de uvas, produtores, ou seja, tantas variantes no estilo do vinho. Mas, ainda hoje, quando abro um vinho da Rioja, não importa a idade que tenha, de quem seja, se é estilo moderno ou velha guarda, não importa: eu sinto aromas de Rioja. E, não sei explicar esses cheiros

The second case is difficult for me to describe some wines because I have some kind of emotional connection to it, something like “from my childhood”. Let me try to explain: when I started to drink wine, or,  even better, when I began to taste wine (because I started drinking wine way before I started paying attention to what I was doing), that means my “wine tasting childhood”, what I drank the most were Spanish wines because I lived, studied and worked in Madrid. As a student, of course, I started drinking cheap wine.Then, with my fellows students from Escuela de Hosteleria, each of us would put in a little money so we could buy better wines. We tasted a lot of wines from Rioja, basically. And, yes, we can talk about different terroirs, grape percentages, producers and all the things that make a difference in the wine style. But, still, today, when I open a bottle of Rioja, it can be from a modern producer, an old school one, a cheap, or expensive, I don’t care: I smell Rioja. And I cannot explain those aromas.

Tudo isto para explicar que hoje estou tomando o Contino Reserva 2004 e estou sendo teletransportada aos anos de 96 a 2000 que passei naquele lindo e generoso país. E os aromas que sinto são os das noitadas com amigos, em bares de vinho, que na época começavam a ficar na moda, pedindo vinhos em taça para ver suas diferenças (era tão difícil na época). Das viagens de ônibus a Jerez, tomando vinhos em copos descartáveis, dos fins de tarde de inverno, quando as castanhas eram assadas nas brasas na rua e deixavam seu cheiro na minha roupa. Do cheiro de tinta que exalava do atelier de pintura onde eu trabalhava para ganhar um extra,  raspando tábuas de madeira para que o cara pintasse..

All this to explain that tonight I am drinking Contino Reserva 2004 and I am being teleported to the years of 1996-2000 when I lived in that beautiful and generous country. And, what it seems to me is that those aromas are of nights out with friends, in wine bars, that were starting to get more in fashion, drinking different wines by the glass, trying to smell their differences (it was so hard at that time). I smell the bus travelling to Jerez, drinking wine in disposible cups. I smell the sunset in wintertime when gitanos would sell roasted chestnuts and the aromas of the charcoal would be on my clothes. I smell the paint and the wood shavings at the painting atelier where I used to work for extra money, carving wooden pannels for the artist guy to paint…

Não sei, talvez sinto as castanhas, talvez a madeira, os vinhos em taça todos misturados do bar, …talvez simplesmente sinta Madrid, talvez seja a Espanha. Talvez sejam seus aromas e sua boca com sua boa acidez, taninos firmes, mas fininhos, retrogosto abaunilhado, com um toque de café frio…talvez sejam apenas os aromas de boas memórias, de coisas boas…

I do not know, maybe the nuts, perhaps the wood, or the charcoal, or even all the blended wines by the glass from the bar … maybeI  just feel Madrid, or maybe Spain. Maybe the wines aromas and the mouth feeling with its good acidity, firm tannins, but so fine, this vanilla aftertaste  with a hint of cold coffee …  maybe those are just the aromas of good memories of good things …

Contino Reserva 2004

EWBC – Terlan Cantina – Alto Adige

1 01America/Sao_Paulo novembro 01America/Sao_Paulo 2011 by

Terlan Kellerei (site)

No domingo, último dia de Conferência do EWBC, depois de estar na região de Tramina, seguimos em direção norte, para a pequeniníssima região de Terlan. Na vinícola local, também em forma de cooperativa a produção está focada em vinhos de altíssima gama. Ela existe desde 1893 e há mais de 100 associados fornecendo uvas, sempre cultivadas por métodos “naturais”.

On Sunday, the last day of the Conference EWBC, after being in the region of Traminer, we headed north to the tiny region of Terlan. In the local winery, also working as cooperative, production is focused on wines of the highest range. It exists since 1893 and there are more than 100 members providing grapes, always cultivated by “natural” methods.

O solo é MUITO mineral...entendemos

Pudemos conferir o orgulho pelos solos, pela terra e pelas tradições locais. Mas, principalmente pelo solo tão mineral, como a placa no chão na entrada da vinícola demonstra. Estamos falando de solos de origem vulcânica, ao pés das montanhas Tschöggelberg, entre 250 e 900 metros de altitude. Os vinhedos estão sobre uma rocha vulcânica com pedaços grandes de minerais conhecidos como quartzos porfíricos. Na superfície, que não é muito profunda, há areia bem solta e porosa, e um pouco de silte.
A produção aqui é basicamente de brancos, com níveis de acidez altíssimos e com potencial absurdo de envelhecimento. Tomamos vinhos de 1959 até 2010, numa degustação vertical, quase no sentido físico, com vinhos muito intensos e vertiginosos. Por causa dessa acidez e densidade, a maioria dos vinhos brancos aqui, depois de fermentados, ficam algum tempo sobre as leveduras, dependendo do estilo de vinho que se quer produzir. A idéia deles não é buscar tanto os aromas primários, mas sim os secundários de terciários. Os vinhos podem ficar em tanques de inox, tanques de madeira, ou barricas. O que também influencia muito o estilo dos vinhos é o tempo passado em contato com as leveduras, que pode, tranquilamente, chegar a 10 anos.

We were able to check out their pride for the soil, land and local traditions. But mainly they are proud of the mineral soil, as the plate on the floor at the entrance of the winery shows. We’re talking about soils of volcanic origin, at the foot of the  Tschöggelberg mountains between 250 and 900 meters. The vineyards are on volcanic rock with large pieces of mineral known as quartz porphyry. On the surface, which is not very deep, there’s  loose and porous sand, and a little silt.
The production here is basically white, with very high levels of acidity and an absurd potential of aging. We had wines from 1959 to 2010, a vertical tasting, almost in a physical sense, with very intense and vertiginous wines. Because of its acidity and density, most white wines here, after fermentation, get some time on the yeast, depending on the style of wine that you want to produce. Their idea is not to seek both primary aromas, but the secondary tertiary. Wines can be matured in stainless steel tanks, wood tanks or small oak barrels. What also greatly influences the style of the wines is the time spent in contact with the yeasts, which can easily get to 10 years.

Eles têm uma linha básica, “classic line” para ser tomada mais jovem. A linha “Vineyard Line” vem de vinhedos selecionados e ficam em grandes barricas de madeira. A linha mais top é apenas dos vinhedos de maior qualidade e geralmente ficam por uns 10 anos sobre as leveduras…muita classe e cremosidade.

They have the “classic line” to be tasted younger. The “Line Vineyard” comes from selected vineyards and are in large wooden barrels. The top line is just from the vineyards of higher quality and are usually aged for about 10 years on the yeast … classy and creaminess.

e naõ estão todos aqui...and they're not all here. photo:kellerei-terlan.com. tks!

Vale dar uma olhada no site deles para mais info,e aqui vão minhas impressões em 24 jóias impressionantes, algumas com mais de 50 anos. Com Klaus Gasser, que apresentaou a degustação, aprendi uma palavra que dá pra usar bastante: tensão. Nestes vinhos se aplica bastante, pois são brancos de textura apertada, principalmente quando jovens. É uma textura que lembra à dos taninos, mas não no sentido de adstringência, mas no sentido de que sua mucosa fica apertado…então lá vai:

It is worth taking a look at their website for more info, and here are my impressions on 24 stunning jewels served, some of more than 50 years. With Klaus Gasser, who presented the tasting, I learned a word that is really important to describe these wines: tension. For these wines we can use this expression a lot, because they have this truly tight texture, especially when young. It’s a texture that reminded me of those from firm tanins, not in the sense of astringency, but in the sense that the mouth gets that tight feeling … so here it goes:

PINOT BIANCO

2010: nariz explosivo com flores brancas e pêra. Na boca tem muuuuita acidez, cremosidade, uma nota de chá verde final encorpado e quente. Enorme. Explosive nose with white flowers and pear. In the mouth it is soooo acid, with creamy texture, notes of green tea,  a full-bodied and warm aftertaste. Huge.

Vorberg Riserva 2009 – garrafa magnum. Do vinhedo Vorberg. Delicado, com aromas de mel, uvas em calda e um toque bem mineral. Na boca é fresco e estruturado, saboroso e cremoso. From Vorberg vineyard. Delicate, with aromas of honey, grape syrup and a touch of mineral. The palate is structured and fresh, tasty and creamy.

Vorberg Riserva 2006 – garrafa magnum. é bem maduro, com mel, baunilha e pêra em calda. Na boca é bem cremoso, tem menos acidez, é quente e ricão, seco e duro no final, que também é longo. It is very ripe, with honey, vanilla and pear in syrup. The palate is very creamy, it has less acidity, is warm and rich, dry and hard in the end, which is also long.

Vorberg Riserva 2004 – garrafa magnum. Nariz amanteigado, com cedro, é alcoólico e tem um toque mineral mais evidente. Na boca é super expressivo, muito saboros, longo e cremoso, com grande acidez. Buttery nose, with cedar, its more alcoholic and has a more evident   mineral touch. The palate is super impressive, very tasty, long and creamy, with great acidity.

Vorberg Riserva 1999 – garrafa magnum. Safra mais fria, o nariz é bem mineral, tem menos fruta e um toque tostado, com bastante álcool. Conforme ganha temperatura, lembra mais pedra de isqueiro e leveduras. Na boca é ácido, salgado, saboroso e bem tenso, apertado. Cooler harvest, the nose is more mineral,less fruity and a toasty touch, with plenty of alcohol. When it gets warmer, it resembles flint and yeasts. In the mouth it  is sour, salty, tasty and very “tense”, tight.

Terlano 1987 – aromas de cera de abelha, geléia de fruta cítrica e palha…na boca é muito seco e alcoólico, lembra um destilado envelhecido, whisky talvez. Tem um final longo e cítrico. Aromas of beeswax, citrus jelly and straw. In the mouth it is very dry and alcoholic, reminds me of aged distillate , maybe whiskey. It has a long and citric  finish.

Terlano 1959 – pé de moleque, casca de queijo, um toque de fermento velho, muito tostado, com notas de pedras quentes. Na boca é cremoso, muito intenso, retrogosto gigante, com notas de mel com própolis, mel, castanhas caramelizadas, grande estrutura, alcoólico e perfumado. Ficou horas evoluindo para notas mais minerais, meladas e tostadas. Caramelized walnuts, cheese bark, a touch of old yeast, very toasty with notes of warm stone. The palate is creamy, very intense, giant aftertaste, with notes of honey and propolis, caramelized nuts, great structure, alcohol and fragrant. It evolved for hours into more mineral notes, like caramel of brown sugar.

Garrafas mais antigas.Some of the oldest bottles. photo:kellerei-terlan.com. tks!

CHARDONNAY

Kreuth 2009 – do vinhedo do mesmo nome. Bem perfumado e limpo, com um toque floral. Na boca é delicado, cremoso e com um toque frutado saboroso. Um pouco de leveduras e álcool no retrogosto.From the vineyard of the same name. Very clean and perfumed with a floral touch. The palate is delicate, creamy and tasty with a  fruity touch. A bit of yeast and alcohol in the aftertaste.

Terlano 1998 – nariz discreto, com um toque cítrico e mineral, estilo Chablis. A safra teve clima fresco e percebe-se. Na boca tem acidez metálica, com grande estrutura, quadrado, “tenso”…Discrete nose with a hint of citrus and mineral, Chablis style. The vintage was cool and we can smell it.  Steely acidity in the mouth, with great structure, square structure, “tense”..

Terlano 1996 – nariz muito explosivo, perfumado, com muita fruta (maçã e pêssego) e baunilha. Na boca é fresco e equilibrado, com uma mistura de cremosidade e tensão. Very explosive nose, fragrant with lots of fruit (apple and peach) and vanilla. The palate is fresh and balanced with a blend of creaminess and tension.

Terlano 1994 – beeem mineral, com notas de giz e terra. Depois aparecem umas notas de manteiga e fruta, com pêssego branco. Na boca é redondo, liso, cremoso, fundido, longo e equilibrado. Exemplo incrível de como o tempo fez bem ao equilíbrio em boca deste vinho. Reeaaaly mineral, with hints of chalk and earth. Later come a few notes of butter and fruit, with white peach. The palate is round, smooth, creamy, melt, long and balanced. Incredible example of how time did well to the balance in the mouth this wine

SAUVIGNON BLANC

Quarz Terlano 2009 – Os Quarz são uma seleção de vinhas com mais de 50 anos de vinhedos com mais minerais de quartzo no solo. Os vinhos ficam em grandes barricas de carvalho usado, sobre as leveduras. Este é bem típico da Sauvignon em solo super mineral: grama cortada, aspargo, mas com um lado mais maduro. Na boca é muito ácido, tem muito sabor, muito extrato, mas tudo ainda muito arisco, falta que os elementos se fundam. The Quarz line is a selection of vineyards of over 50 years. They have more quartz minerals in the soil. They age in large used oak barrels, and rest on the yeast. The nose is typical of  Sauvignon in super mineral soils: cut grass, asparagus, but with a more mature side. The palate is very acid, has tons of flavor, very pointy still,some time in bottle and the elements will melt together. 

Quarz Terlano 2008 – bem diferente, aparecem mais as notas de leveduras e uns toques de pedra, de tostado, tudo bem mineral. Na boca tem um acidez absurda, como uma agulha no maxilar, achei que ele ia rachar no meio. Mas o vinho é bem saboroso, como uma limonada fresca. Tem anos pela frente. Quite different, there are more notes of yeast and touches of stone, something burnt, really mineral.  In  mouth has an incredible acidity , like sticking a needle  in the jaw, I thought my teeth were gonna break so pointy was the wine.  But the wine is very tasty like a fresh lemonade. It will last many years.

Quarz Terlano 2006 – bem perfumado e cítrico. Na boca é mais redondo, com uma textura doce, acidez mais fundida, bem frutado, só que um pouco mais curto.Very fragrant and citric. In mouth it is round,with a sweet texture, acidity more fused and fruity, just a little shorter.

Terlano 1991 – safra fresca, não é dos vinhedos de Quarz. O vinho é menos aromático , mais simples. Mas tem boa fruta em boca, parece que mordi um pêssego fresco, bem frutado. From a cool vintage, it is not from Quarz vineyards. The wine is less aromatic, simpler, but it has good fruit in the mouth, as if I’m bitting on fresh peaches. 

24 joias líquidas minerais...24 mineral liquid jewels.

TERLANER

O Terlaner é um corte típico da região, com uma base em média de 60% de Pinot bianco, 30% de Chardonnay e o resto de Sauvignon Blanc. Terlaner is a typical blend from the region, with approximately 60% Pino bianco, 30% Chardonnay e the rest Sauvignon blanc.

Nova Domus Riserva 2008 – Nova Domus é o nome de um castelo construído em no século XIII que fica no pico de uma montanha e se vê da vinícola. O vinho tem umas notas de leveduras, na boca é cremoso e, de novo, tem muita acidez, é frutado, com um final longo e picante. Nova Domus is the name of a castle built in the thirteenth century at the peak of a mountain and we can see it from the winery. The wine has a few notes of yeast in the mouth is creamy and, again, has a lot of acidity, is fruity, with a long and spicy finish.

Nova Domus Riserva 2005 – Garrafa magnum. Nariz mais cítrico, mas mais quente e alcoólico. Na boca é mais duro e tenso, com um final ainda pouco fundido, um pouco curto. Citric nose, but warmer, more alcoholic. In the mouth is hard and tense, with a finish little melted, a little short. 

Nova Domus Riserva 2003 – Garrafa magnum. Nariz mais perfumado, com toques florais e um pouco lácteo. Na boca é bem cremoso, tem ótima acidez, bem cremoso e tenso. Tem final seco, picante, lembra pimenta rosa e carvão. More perfumed nose with floral touches and a little milky. The palate is creamy and has great acidity. It has a dry finish, spicy, pink pepper and a touch of charcoal .

Nova Domus Riserva 1999 – Garrafa magnum. Amanteigado, tostado, com toques de baunilha, camomila e muito mineral. Buttery, toasty, with hints of vanilla, chamomile and very mineral.

Terlaner 1986 – safra equilibrada. Nariz com toques de pêssego grelhado, amanteigado e toques de pedra. Na boca é cremoso, frutado e fresco, longo e fundido. Nose with touches of peach grilled, buttery and touches of rock. The palate is creamy, fruity and fresh and long.

GEWURZTRAMINER

Lunare 2009 – bem floral, com notas de mel, tudo muito intenso. Na boca é cremoso, com grande acidez, uma leve doçura, um toque amargo que lembra café e um final alcoólico, lembra pedas queimadas no retrogosto. Super floral with notes of honey, all very intense. The palate is creamy, with great acidity, slightly  sweet, a bitter touch, like coffee and an alcoholic final , the aftertaste reminds me of something burnt, like stones.

PINOT NOIR

Montigl Riserva 2009 – bem floral, lembra rosas e violetas, muito perfumado. Boca delicada, redondo, cremosa, com boa acidez e final bem tânico. Super floral, roses and violets, very fragrant. Delicate mouth, round, creamy, with good acidity and good tannic end.

LAGREIN

Porphyr Riserva 2008 – bem frutado, com jaboticaba e pimenta do reino. Toques de carne e violeta. Na boca é fresco, cheio, frutado, absurdamente tânico, com final terroso. Fruity, with cassis and black  pepper. Meaty and violety. The palate is fresh, full, fruity,absurdly tannic , with an earthy end.

Porphyr Riserva 2002 – notas de frutinhas vermelhas, como cereja e também uma nota de carne, presunto cru, com aromas mais abertos. Na boca é fresco, frutado, mais tânico, muito duro e seco, com pimenta do reino e tostado no final, mas com bastante fruta. Notes of red berries like cherries and also meaty, like jamón, more intense. The palate is fresh, fruity, more tannic, very hard and dry, with black pepper and something roasted in the end, but with enough fruit.


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